Lá vem o São Paulo, descendo a ladeira



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Em meio a contratações, vendas e equipe sendo montada durante o campeonato, o São Paulo foi ao Sul para enfrentar o Atlético Paranaense e um tabu de não vencer o Furacão, que se arrasta desde 1982. Voltou para o Morumbi, com mais uma derrota, desta vez por 1 a 0, tabu mantido e terminou a rodada colado com a zona de degola. Está no olho do furacão.

Rogério Ceni, juntando as peças que sobraram de um elenco quebra-cabeça, montou a equipe novamente com Lugano, Rodrigo Caio e Militão na zaga. Sem lateral de ofício, escalou para lateral-ponteira-direita Thiago Mendes, manteve Cícero e Jucilei no meio, a articulação com Cueva e o ataque com Marcinho e Pratto. Era o que tinha em mãos.

O problema é que nem bem a partida começou a defesa do São Paulo espalhou, embaralhando todas as peças montadas no vestiário. O vento forte veio com apenas 3 minutos: escanteio, cruzamento, Militão deu mole, deixou Wanderson livre dentro da pequena área, para disputar e empurrar a bola para o gol.

Como já acontecera na partida contra o Atlético Mineiro, o gol sofrido no início da partida abalou o time e a confiança. Por outro lado, como os mineiros, o Atlético Paranaense fechou-se, proporcionando a posse de bola ao Tricolor, que partiu para cima.

A partir do tento sofrido, o São Paulo tentou de tudo. Chutes, cruzamentos, entrar pelo meio da zaga. De tudo, mas nada com efetividade, com direção, com rumo.

E o que se viu foi um controle relativo do jogo, um volume relativo do jogo, porque o Atlético, fechado, deixava o São Paulo formatar um grande volume. Mas de um volume morto.

Fato é, também, que o Atlético, recuado, não conseguiu impor o contra-ataque. Com isso, o que se viu foi uma partida em que o São Paulo tentava, tentava, tentava, tinha a bola, tinha a bola, tinha a bola, porém, não virava nada.

O ímpeto Tricolor era desordenado. Muitas vezes, afobado. Com o transcorrer do tempo, desesperado. O primeiro tempo findou assim.

Na segunda etapa, diante do impasse do Atlético fechado e o São Paulo buscando o empate, Rogério Ceni sacou Cícero para dar lugar a estreia do atacante Denilson, que, apareceu pouco, e bem.

Quanto à Cícero, o erro de Ceni foi ter começado a partida com o “volante”, porque o que se viu foram toques intermináveis para o lado, enquanto Jucilei jogava por dois. Um monstro esse Jucilei.

A substituição não foi suficiente. Então, aos 16/2T, Ceni promoveu outra: desmontou o esquema de três zagueiros, tirou Militão e colocou Nem. Com isso Thiago Mendes foi para o meio, Marcinho voltou para a função de lateral-ponteiro-direito e Nem lançou-se ao ataque.

Se Cícero é um peso morto, Nem também. Como não bastasse mais uma partida sofrível de Nem, o atacante ainda perdeu um gol, nos acréscimos, que poderia ter salvo um empate para o São Paulo. Diante de sua atuação, fica a pergunta: quem foi o iluminado que acompanhou o campeonato ucraniano para ter a ideia de contratar Nem, ainda por cima, machucado?

À medida em que o cronômetro avançava, o São Paulo perdia-se em desespero. Lugano virou centro-avante, e Ceni resolveu, aos 30/2T, tirar Cueva e colocar mais um atacante, o jovem Brenner, de 17 anos, da base de Cotia. O moleque até que mostrou personalidade, mas, no meio do furacão, e com apenas 15 ou mais minutos, não dava para fazer muita coisa.

Ainda que muitas análises apontem que o São Paulo jogou bem, baseando-se no relativo conceito de volume de jogo, inúmeros chutes no vazio e cruzamentos infinitos, fato é que o Tricolor equilibrou-se poucos minutos, no mais, com o avanço do relógio, foi um time movido pelo desespero, no bumba-meu-boi, com atacantes à granel na área na esperança de encontrar um gol.

Se da para salvar alguma coisa no Tricolor, é a atuação de Marcinho, que lutou na ala-direita e na ponta esquerda. Outro, Jucilei, que marca como um leão, distribui o jogo e ainda articula com o ataque.

Com a derrota, o São Paulo segue, descendo a ladeira na tabela. Está a um passo da zona de degola e terá que superar três pedreiras nas próximas rodadas: Fluminense (Morumbi), Flamengo (no Rio) e Santos (Vila Belmiro).



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