Ignacio Barreto, símbolo de torcedor raiz tricolor



Ignacio e sua filha, Giovanna, 10 anos: herdeira da paixão pelo São Paulo

Há quem ame as numeradas, mas também ainda há quem ame as arquibancadas. Símbolo de torcedor raiz, Ignacio Barreto representa um dos muitos torcedores que, na temporada 2017, impulsionaram o time frente a um rebaixamento que se materializou por longas e penosas rodadas do Brasileirão. Assíduo do Morumbi desde os seis anos, praticamente sem perder uma partida do Tricolor na cidade de São Paulo.

Atualmente tem “cadeira cativa na arquibancada” na Curva Norte, local onde um grupo de fanáticos tricolores acompanham o time no setor vermelho das arquibancadas. Aos 47 anos, Ignacio vivenciou de perto um período de glória do São Paulo, que teve início no final dos 70 até atingir o ápice na década de 90, quando o Tricolor Paulista conquistou duas vezes as Américas e o Mundo. 

Com muitas histórias nas retinas e nas memórias de um São Paulo glorioso, indignado com a seca de títulos e o enfraquecimento da instituição na última década, Ignacio foi um dos idealizadores do Movimento Resgate Tricolor, que passou a cobrar ações da diretoria para que o São Paulo reencontre o caminho das vitórias e, sobretudo, de estabilidade política.

Na entrevista a seguir, Ignacio fala sobre as primeiras lembranças, o time inesquecível, o trabalho desenvolvido por Raí e aponta para algumas questões que enfraquecem o clube. Confira:

Qual a primeira lembrança no estádio?

Ignacio – Frequento as arquibancadas do Morumbi desde 1976, porém, a primeira imagem que me vem à memória é a segunda partida da semifinal do Brasileirão 1977, partida entre São Paulo contra o Operário-MT. Morumbi lotado, 110 mil pessoas, 3×0.

Qual o time inesquecível do SPFC?

Ignacio – Foi o do Cilinho, formado por: Gilmar, Zé Teodoro, Oscar, Darío Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Silas e Pita; Müller, Careca e Sidney. Não foi o mais vencedor, mas foi o mais encantador. Menções honrosas aos times de 1992 e 1993, de Telê Santana.

E a partida?

Ignacio – Destaco duas. Fora, foi a final do Brasileirão 1986 entre São Paulo e Guarani. Estive lá e presenciei aquele “gol espírita” do Careca e depois as cobranças de pênaltis. Tivemos títulos em que comemorei muito, mas este, naquela situação, foi épico.

No Morumbi, a final da Libertadores 1992. A defesa do Zetti, o maior goleiro do São Paulo que vi jogar, no pênalti e na sequência, a invasão de campo são cenas jamais vistas em um estádio de futebol.

Nos últimos 10 anos, o São Paulo só levantou a Taça da Sul-Americana. Como você analisa esse enfraquecimento do clube na última década? Os motivos.

Ignacio – Na minha visão alguns motivos estão prejudicando o Tricolor:

  1. Depois do Tri-brasileiro, a diretoria e a torcida criaram esse estigma de Soberano. Sentamos na nossa própria arrogância e paramos no tempo;
  1. As péssimas gestões administrativas, onde sempre se privilegiou a amizade e a politicagem acima da profissionalização;
  1. A interminável guerra política que é travada entre a oposição e a situação, pior quando acontece dentro da própria diretoria.

Torço muito como sócio do clube e torcedor fanático que esse novo estatuto, mesmo que de forma morosa, possa ser o início de uma nova era vencedora desde que seja aplicado corretamente. Não existe mais espaço para amadores no futebol.

Você é integrante do grupo Resgate Tricolor e participou da reunião no CT entre torcedores, jogadores e comissão técnica em 2017. Muita gente questionou essa ação. Como você avalia?

Ignacio – Realmente estive nas duas reuniões no Centro de Treinamento (CT). Não como integrante de movimento, mas como um simples torcedor, que prefere de alguma forma ajudar do que só ficar criticando, principalmente em redes sociais.  Nas duas oportunidades foi aberto um canal democrático para colocarmos nossas ideias e também ouvirmos as ideias da diretoria da instituição.

E o trabalho de Raí?

Ignacio – Raí, ao lado de Telê Santana, mudou o patamar do São Paulo. Ídolo respeitado no mundo do futebol, podemos ver isso em algumas ações em seu pouco tempo de gestão: negociou duro com o River Plate a saída de Lucas Pratto; contratou Diego Souza, jogador que há alguns meses o Palmeiras, com o grande aporte da Crefisa, não conseguiu. Claro é um início de trabalho, mas se Raí tiver, de fato, carta branca do presidente, deverá fazer um grande trabalho.

O que esperar do São Paulo em 2018?

Ignacio – Apesar da manutenção Dorival é o início de uma nova gestão no futebol. Perdemos nossa referência, Hernanes, mas mantivemos a base do ano passado. Chegaram nomes como Diego Souza, Anderson Martins e outros ainda chegarão. Também vejo o grupo mais forte por tudo que passou em 2017

A torcida do São Paulo está desesperada por um título e essa ansiedade às vezes é passada para o campo. Eu jogaria o Paulista com a força máxima para tentarmos logo de cara um título, que não ganhamos há anos. Com calma, com a torcida junto com o time e paciência com a molecada da base, poderemos ter um grande 2018.



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