Goleada do São Paulo sobre a Chape não pode ser tomada como parâmetro



Foto: Chiri

Quem só vê o placar de 3 a 0 do São Paulo sobre a Chapecoense estampado nos noticiários poderá até pensar que o Tricolor jogou o fino da bola. Mas a situação real é muito diferente da realidade “manchetária”. Ainda que, evidente, represente uma vitória fora de casa, à abertura de uma boa margem de pontos na luta pelo G4, fato é que a Chape é um time que praticamente não ofereceu perigo algum na partida e o Tricolor apresentou brechas que seriam fatais frente a um time melhor.

Diniz colocou na pedra Volpi, Daniel Alves (Juanfran), Bruno Alves (esse jogando muito), Arboleda, Reinaldo. Jucilei (Luan), Tchê Tchê e Igor Gomes. Vitor Bueno (esse crescendo cada vez mais), e ainda deu lugar para Hernanes já no final da partida, Antony e Raniel.

Nem bem a partida começou, logo aos 6/1T, Daniel Alves bateu uma falta na área, o zagueiro Bruno Alves subiu, enfiou a cabeça e a bola terminou no canto do Tiepo.

O gol cedo alterou qualquer estratégia da Chape, que se lançou ao ataque e, consequentemente, deu mais espaço ainda. Tanto que, aos 23/1T, com o time inteiro no campo adversário, ficou indefeso em um contra-ataque em que Antony pegou a bola no meio-campo, conduziu até a grande área, não foi fominha, tocou para Vitor Bueno, que poderia ter chapado e enfiado para a rede, mas ainda teve tempo para dar um corte, fintar o goleiro, o zagueiro e fazer o gol. Aliás, pelo arremate, um golaço.

O jogo, que era ruim no geral, poderia ter terminado ali. Mas há que se cumprir o protocolo.

O São Paulo sentiu o cheiro da partida, que estava no bolso e, mesmo diminuindo a intensidade, ainda conseguiu oferecer alguns lances de perigo.

Nessa diminuição da concentração, aos 38/1T, eis uma primeira falha gritante: escanteio para a Chape, o zagueiro Douglas, completamente livre na pequena área, enfiou a cabeça, mas parou em uma defesa gigantesca de Volpi, que fez uma partida memorável.

Como pode o São Paulo, com a melhor defesa do campeonato, deixar um jogador cabecear livre na pequena área em um lance que mais remete à pelada do final de semana que a um jogo profissional?

Além da falha gritante, se sai o gol, a partida, que estava nas mãos, poderia ter um outro cenário.

No segundo tempo, Daniel Alves deu lugar a Juanfran, que entrou visivelmente sem ritmo. E foi o mesmo Juanfran que, aos 8/2T, atravessou uma bola da lateral para o meio e entregou nos pés de Renato, que enfiou o pé, pegou todo mundo desprevenido, e a bola explodiu no travessão. Outro lance de falha gritante, que poderia também ter mudado todo o segundo tempo.

A Chape, tomando de dois, em casa, não tinha outra senão atacar. Enquanto isso, o São Paulo, conduzia a partida de forma meio blasé, meio displicente, mas, diante da fragilidade do adversário, aos 34/2T, depois de defesa de Volpi, a bola sobrou para Juanfran, que lançou Antony, novamente livre (como na jogada do segundo gol), avançou do meio-de-campo, conduziu até a entrada da grande área quando meteu o pé para fazer um golaço.

No finalzinho, Bruno Alves ainda fez um gol de cabeça, livre na área, depois de bola alçada por Reinaldo, mas o VAR milimetricamente anulou.

A nota dissonante da partida foi Raniel, um centroavante de 13 milhões de reais que, exceto uma jogada na esquerda que desviou e foi para escanteio, mal conseguiu relar na bola durante toda a partida. A questão que fica é: não tinha nenhum moleque na base?

A partida contra a Chapecoense não serve enquanto soma de três pontos, mas está anos-luz para servir de parâmetro para um bom futebol do São Paulo. Ainda há muita coisa a ser feita, afinal, não é sempre que se pega um adversário tão frágil.



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