Fortuna Dusseldorf, o irmão alemão do São Paulo



Faixa da Dragões da Real, organizada do SPFC, no torcida do Fortuna Dusseldorf

Em 2013, quando o governo alemão, em parceria com o Ministério dos Esportes do Brasil, lançou um projeto de intercâmbio de torcidas entre os dois países, não imaginava que a iniciativa poderia estabelecer raízes tão profundas e fraternas como aconteceu entre a Dragões da Real, torcida organizada do São Paulo, e os Ultras Dusseldorf, do Fortuna Dusseldorf, líder da segunda divisão alemã, que caminha a passos largos para disputar a Bundesliga na próxima temporada.

André Azevedo (dir.) presidente da Dragões com a camisa do Fortuna

Ainda que predominantemente utilize o vermelho em seu uniforme principal, o Fortuna, assim como o São Paulo, estampa o vermelho, o preto e o branco nos materiais esportivos e nos adereços da torcida.

Segundo relato do presidente da organizada Dragões da Real, André Azevedo, um dos selecionados no Brasil para visitar diversas torcidas alemãs, “passamos por cidades como Mainz, Dortmund, Berlim, Augsburg, mas quando conheci o Fortuna Dusseldorf, a ligação foi imediata, não só pelas cores, mas pela intensidade com que torciam”, destacou.

A amizade entre as torcidas não se restringiu às semelhanças de cores e ao período de intercâmbio na Alemanha. Em 2014, durante a realização da Copa do Mundo no Brasil, vários torcedores do Fortuna Dusseldorf foram recebidos pela Dragões da Real no Rio de Janeiro, ampliando a relação entre as torcidas.

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Torcedores do Fortuna Dusseldorf colocam a camisa do SPFC na torcida

E nem mesmo o fatídico 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil, na semifinal do torneio mundial de seleções, abalou a ligação. Após a Copa, já com a Alemanha colocando a quarta estrela na camisa, representantes da Dragões da Real e dos Ultras Dusseldorf estabeleceram, então, um “intercâmbio permanente”.

Desde então, tornou-se comum a participação de torcedores do São Paulo nas arquibancadas do Esprit Arena e de alemães do Fortuna Dusseldorf no estádio Morumbi. Quando não estão presentes, a ligação de irmandade se mantém com ambas torcidas utilizando adereços, faixas e vestindo as camisas dos clubes. “É uma ligação, sobretudo, de amizade, e que só tende a ampliar”, destacou Azevedo, presidente da Dragões.

O blog Crônicas do Morumbi entrou em contato com Michael Nord, o Micha, de 35 anos, torcedor dos Ultras Dusseldorf, que reafirmou os laços de união entre as torcidas: “Apesar da distância entre Brasil e Alemanha, futebol é tudo a mesma coisa, é universal. Assistirmos partidas juntos e parecia que éramos uma só torcida, que já nos conhecíamos há tempos, considerando o mesmo jeito de curtir o jogo, de festejar e torcer pelo clube. Não é preciso muito entender as palavras, pois o futebol une as pessoas”.

UM CLUBE COM 122 ANOS

O Fortuna Dusseldorf, fundado em 5 de maio de 1895, tem como seu principal título o Campeonato Alemão de 1933, quando superou o Schalke 04. Entre 1936 e 1940, em torneios organizados pelo III Reich, o Dusseldorf conquistara vários títulos, mas decaiu a ponto de, em 1942, ser rebaixado.

Com a derrota na Alemanha na Segunda Guerra Mundial, os aliados impuseram a dissolução das agremiações teutônicas. Reestruturado, entre 1947 e 1962, o Fortuna disputou resultados intermediários e, com isso, não foi um dos 16 selecionados para a formação, em 1963, da Bundesliga, ingresso que aconteceu três anos depois, na temporada 66-67, onde permaneceu por 16 anos.

Dentre os seus maiores feitos, na temporada 1978, impôs 7 a 1 sobre o Bayern de Munique, sendo a maior goleada até hoje sofrida pelos Bávaros. Na mesma temporada de 78, o Fortuna ficou com o vice-campeonato da Taça das Taças, perdendo a final, na prorrogação, por 4 a 3 para o Barcelona.

Em sua história de superação, o Fortuna Dusseldorf caiu em 1987, voltou para a primeira divisão, depois caiu novamente, chegando a disputar a terceira divisão do alemão.

Dentre outras curiosidades, entre 2001 e 2003, o clube foi patrocinado pela popular banda de punk rock “Die Toten Hosen”.



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