Em 2016, São Paulo não está muito distante do Inter



O gigante Internacional de Porto Alegre está muito próximo de disputar a segundona do Brasileiro 2017. É o time a ser dissecado, estudado, analisado, para que se compreenda o eventual fato que será a maior derrota na história do clube.

As análises sobre a atual situação do Inter podem ser ampliadas e relacionadas com outras equipes, no sentido de estabelecer semelhanças. Qual a distância do São Paulo, a exemplo, para o Inter?

Evidente que existe uma distância matemática na tabela, pois o São Paulo possui 46 pontos, ocupando a 13ª posição, e o Inter, 39, na 17ª e decapitante posição. A diferencia numérica é óbvia, matemática. São outros pontos que assemelham o São Paulo ao Inter.

Quem vê, de longe, com o Inter com nomes do porte de Alex, Valdivia, Danilo Fernandes, Anderson e Nico Lopez, Seijas, Sasha, Vitinho não é capaz de afirmar que essa equipe corre sério risco de ser rebaixada.

No São Paulo, quem lê nomes no elenco como Michel Bastos, Wesley, Maicon, Rodrigo Caio, Kelvin, também não projetaria tamanho fracasso na temporada 2016.

Mas há alguns pontos em comum para as constrangedoras campanhas destes dois grandes do futebol brasileiro.

MUDANÇAS DE TÉCNICOS

Durante a temporada 2016, o Internacional teve quatro técnicos: Argel, Falcão, Roth e Lisca. Argel começou muito bem, e logo o Inter foi colocado como um dos grandes favoritos. Não aconteceu, o time decaiu cinco rodadas e Argel logo foi substituído, demonstrando que a convicção para a temporada 2016 era na base do vamos ver até onde ele vai.

Falcão chegou mais com o peso das práticas de fazer uma transfusão de tempo do passado para presente que propriamente escolhido por suas decisões de treinador. Também não deu. Pior do que o time não se reerguer foi queimar um ser humano e ídolo da grandeza de Falcão. Aí, pergunto: até que ponto Ceni no São Paulo, em 2017, não é também Falcão no Inter?

O São Paulo também não ficou atrás. Foram três técnicos: Bauza, Jardine e Ricardo Gomes. Se olharmos só para o fato que Bauza chegou à semifinal a imagem que se projeta na mente é de um super técnico. Não é. Basta relembrar a ridícula campanha, com partidas horrorosas no Campeonato Paulista, a primeira fase da Libertadores e parte do Brasileirão. O time arrastava-se.

Patón saiu para – pasmem – assumir a Seleção Argentina. Jardine, excelente e vencedor técnico da base assumiu. Era a chance do São Paulo dar uma guinada no modo de jogar da equipe. Mas não, era necessário um “nome”. Com isso, buscaram Ricardo Gomes, que até então patinara 9 rodadas com o Botafogo na zona de rebaixamento. Os indícios confirmaram-se no São Paulo e o time não ficou na mesma situação do Inter por muito pouco. Em contrapartida, Jair Ventura, que ocupou a vaga de Gomes, saiu do Z-4 e colocou o Botafogo em 6º lugar, com chances reais de levar o clube à Libertadores.

O Inter terminará na A ou na B com Lisca. O São Paulo terminará com Ricardo Gomes. Ambos não têm cadeira cativa no comando da equipe em 2017. Ambos erraram muito na alternância e nas escolhas.

TENSAS RELAÇÕES ENTRE OS JOGADORES

As duas equipes apresentaram problemas de relacionamento. No Inter, o pau chegou a comer solto durante um treino, diante das câmeras, para todo mundo ver, tamanha tensão no elenco.

No São Paulo, o leite parece ter azedado no vestiário no momento em que Michel Bastos resolveu fazer uma greve de silêncio por salários atrasados, enquanto outro grupo, liderado por Lugano, considerava o ato uma besteira.

GRUPOS DE APOIO

Reencenando antigas e retrógradas “estratégias” no futebol, o Inter montou um esquadrão com ex-presidentes, diretores e outro símbolos para tentar reverter a situação horrível do campo.

O São Paulo também. Com o time em visível decadência nos gramados, queda de presidente do clube, vestiário conturbado, chamaram Marco Aurélio Cunha para tentar estabelecer um canal de comunicação entre os poderes, os jogadores e comando técnico.

MAC vem fazendo o que dá, considerando que tinha a missão de consertar um carro em movimento. Salvou o clube de sua maior desgraça, o rebaixamento. Primeiro passo para começar a formar uma nova equipe para 2017. Capacidade tem.

Inter e São Paulo provaram, mais uma vez, que um bom time é, essencialmente, reflexo das boas contratações de jogadores, comissão técnico e treinador. Quando há talento, as coisas se resolvem. Quando não há, não existe motivador capaz de transmutar a natureza das coisas e dos seres.

A temporada 2016 de Inter e São Paulo tem de servir de base para análises – evidente –  de ambos os clubes, mas também para os demais que oscilaram nessa gangorra conceitual em contratações, política, na formação do elenco e na escolha do técnico.



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