É discurso oco afirmar que a base é solução final para retomar um São Paulo vencedor



A longa escassez de títulos gera delírios, os quais são reproduzidos de forma simplista, imediatista e descontextualizados, sempre em tom de solução final. Um dos mantras do desespero, entoados por torcedores e até dirigentes, para que o São Paulo retome os caminhos dos títulos é que a solução está na base.

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De cara, uma pergunta: – Alguém se recorda de um time formado majoritariamente pela base que foi campeão?

Os são-paulinos mais antigos poderão estar, neste momento, remontando como resposta o Tricolor de1985, sob o comando de Cilinho. Não é bem assim. Gilmar era um goleiro experiente, Dario Pereyra também, Careca já havia sido campeão brasileiro pelo Guarani, Pitta viera do Santos.

Em realidade, o time dos “Menudos do Morumbi” era formado por jogadores com casca, mesclados com jovens talentos como Muller, Silas e Sidney.

Antes que os babas escorram pela boca, vacino estas linhas dizendo que um bom trabalho de base é, sem dúvida, essencial aos clubes, no entanto, não pode ser tratada como solução final.

A base tem de ser um complemento para uma equipe já formada, com uma filosofia de jogo.

Exceção às equipes como Palmeiras e Flamengo, que tem poderio financeiro para montar esquadrões, é importante observar que, muito além do jardim da base, equipes como Cruzeiro (2013/2014) e Grêmio foram montadas com jogadores considerados sobras do mercado.

No Cruzeiro de Marcelo Oliveira reapareceram para o futebol jogadores como Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Borges, Dagoberto, o meio-campista Nilton, Egídio, o zagueiro Leonardo, Bruno Rodrigo. Todos jogadores que passaram por outras grandes equipes do futebol brasileiro, que estavam em baixa, mas que foram bicampeões do Brasileirão 13/14.

O Grêmio de Renato Gaúcho, campeão da Libertadores, apresenta a mesma filosofia, reaproveitando jogadores descartados como Paulo Miranda, Jael, Maicon, Cícero, Léo Moura, Edilson, Bruno Cortez e Fernandinho. Isso mesclado com jovens talentos da base.

Não há receitas no mundo improvável da bola, porém, há caminhos, ainda mais nesses tempos cifras milionárias, incompatíveis com a realidade de 99,9% dos clubes brasileiros.

Reflexo da necessidade, ou não, fato é que Cruzeiro e Grêmio seguiram com essa metodologia e deram-se bem. Há muitos jogadores que precisam de uma segunda chance.

O futuro, não necessariamente está na base nem em medalhões. Também na observação e contratação bons jogadores que tiveram passagens apagadas, mas nem por isso estão acabados para o futebol, como na maioria das vezes são descartados, relegados a um ostracismo que, de fato, são frutos do imediatismo para dar uma resposta à arquibancada e a necessidade por grife.

O São Paulo acaba de contratar o cobiçado atacante Pablo. Teoricamente, boa contratação, no entanto, está longe de se visualizar um time. O São Paulo ainda precisa de um meia-armador e há problemas sérios nas laterais.

Há que se promover os meninos da base, porém, que eles vão subindo de categoria em meio a um time coeso, algo que o São Paulo ainda não tem. Considerar que é na base que está o salvação da lavoura tricolor é criar ilusões, perspectivas de pouco lastro com a realidade.

Até mesmo porque, quando surgem um grande craque, caso de David Neres, dificilmente dura mais que 10 partidas.



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