E agora, Tricolor?



A derrota vexatória, pelo futebol apresentado e a desorganização no segundo tempo, colocando em alto risco o avanço do São Paulo na Libertadores (torneio-obsessão da torcida) colocou muitos torcedores em estado de desesperança. Torcedor que, nos últimos anos, mesmo diante de incontáveis vergonhas, segue apoiando e sonhando com dias melhores.

No entanto, depois da derrota de ontem, para o Talleres, muitos caíram em desencanto. Um texto adaptado de Carlos Drummond de Andrade sintetiza bem o sentimento de grande parte da torcida. A mesma que, ao lado de Hernanes, salvou o clube do que seria o pior capítulo de sua história: o rebaixamento para a série B no Brasilieirão 17.

Depois de apostar, incentivar, apoiar incondicionalmente, a pergunta que fica é:

E agora, Tricolor?

A festa acabou(?),

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, Tricolor?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zombava dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, Tricolor?

 

Está sem futebol,

está sem discurso,

está sem títulos,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, Tricolor?

 

E agora, Tricolor?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua soberania,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio — e agora?

 

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Libertadores,

Libertadores não há mais(?).

Tricolor, e agora?

 

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, Tricolor!

 

Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, Tricolor!

Tricolor, para onde?



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