Diretoria do São Paulo errará duplamente se bancar Jardine



O primeiro erro consiste na demissão de Aguirre que, apesar de inúmeros questionamentos, considerando os fatos de que assumiu o clube no meio de um campeonato, não participou do planejamento da temporada, dentre outras variáveis, o uruguaio tirou leite de pedra, chegando à “maldita liderança” do Brasileirão.

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O segundo erro estará na manutenção de Jardine como técnico do São Paulo para a temporada 2019.

Por mais estranho que possa soar, a afirmação não se estabelece pela competência demonstrada por Jardine, mas pelo contexto do São Paulo. Um clube que, depois do tri-hexacampeonato em 2008, perdeu o rumo, rifando mais de 20 técnicos, com apenas um título em praticamente 10 anos, turbulências políticas, deposições e desmanches. A somatória destes descaminhos quase levou o São Paulo, em 2017, a descer à segunda divisão.

Mesmo que a temporada 2018 apresente óbvias e notórias melhoras, com o time ocupando por oito rodadas a liderança do Brasileirão e com classificação garantida para a Libertadores do próximo ano, seria ingenuidade arquibancadística pensar que o São Paulo esteja totalmente reestruturado nos gramados.

A confluência de todos esses descaminhos reforça o erro em demitir Aguirre, restando apenas cinco rodadas, que deveria seguir no comando e fazer parte do planejamento de 2019, cumulativamente melhorando a equipe.

Também o erro de ascender Jardine que, apesar de multi-campeão na base, entrará no olho do furacão, com um time que precisa de reforços, torcida no limite da razão e uma escassez de títulos que potencializa decisões de quebras abruptas nos trabalhos.

O São Paulo precisa de um time melhor, mas também de estabilidade, para desmontar o gigantesco moedor de técnicos e jogadores que se tornou o Morumbi.

Considerando a conjuntura econômica, política e das arquibancadas, o melhor caminho ao São Paulo seria a contratação de um técnico da dimensão de Abel Braga.

Ainda que possa parecer, não se trata de Abelão pelo conceito simplista de “técnico cascudo”, mas optar alguém por capaz de domesticar vestiários e dialogar com mais peso com comissão técnica e diretoria. Abel Braga conta com a preferência da grande maioria dos conselheiros tricolores.

O contra-argumento para investir pesado em Abel Braga se estabelece pelo alto salário. No entanto, isso tem de ser relativizado. Em apontamentos rápidos, basta lembrar quanto o São Paulo gastou nas contratações e salários de jogadores como Michel Bastos, Maicossuel, Wesley, Centurión, Aderlan, entre outros que, pouco ou quase nada entregaram ao clube e representaram enormes rombos financeiros.

O São Paulo também cometeu grandes equívocos quanto aos técnicos depois da saída de Muricy. Nessa ciranda, passaram Autuori, Adilson Batista, Osorio, Bauza, Doriva, Milton Cruz, Ricardo Gomes, Rogério Ceni… Se até o Mito não segurou, ainda que excelente, Jardine, sob o atual contexto, tem tudo para ser a próxima da fila, desfalcando o SPFC no time principal e na base.

Os bastidores do São Paulo não são fáceis. Se para o torcedor comum o futebol acontece apenas no 90 minutos, verdade é que grandes clubes de futebol possuem meandros políticos complicados.

Basta relembrar que mesmo Muricy, multi-vencedor, ídolo no e à beira do gramado, enfrentou muitos desafios para encontrar a tranquilidade necessária para desenvolver o trabalho. E, mesmo depois de conquistar três brasileiros consecutivos e chegar ao vice-campeonato da Libertadores, em 2006, veio a cair.

Há que se considerar que o São Paulo, ainda desestruturado, terá uma dura Libertadores pela frente. Torneio que é o sonho de consumo do são-paulino, e que também forma mitos e derruba das cordilheiras.

A retomada do caminho dos títulos pode estar na contratação de um técnico com mais peso no cenário nacional, pois futebol não se resolve somente com esquemas táticos e jogadores.



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