Desequilíbrio do São Paulo está no meio-campo



O desequilíbrio de marcação do SPFC está no tempo de recomposição pelo meio

O São Paulo de Ceni-Beale é como um pêndulo. O time movimenta-se em direção ao ataque; mas, quando perde a posse de bola, no movimento de retorno da equipe, entre o meio-campo e a defesa, ainda encontra dificuldades para manter o mesmo ritmo na recomposição.

A conclusão imediatista, que não amplia para o todo do sistema tático de Ceni e apenas considera as falhas individuais, despeja a culpa no sistema defensivo. Premissas essas à parte, o ponto de equilíbrio do São Paulo passa pelo setor do meio-campo, ultraofensivo, que deixa espaços para os adversários chegarem com força à defesa Tricolor.

Ceni escala o São Paulo com três “volantes”:

João Schmidt | Percorre da meia-lua da sua meta até a meia-lua da área adversária. Quando o time está avançado, posiciona-se no centro, distribuindo a bola e, sem a posse, marca no círculo central do gramado. Tem muitas características do antigo líbero, uma vez que recua para o setor defensivo, ocupando o espaço que existe entre a dupla de zaga.

Thiago Mendes | No centro, mais avançado à direita, compondo com o lateral do setor, mas não é raro vê-lo no outro lado. Tem liberdade para movimentar-se por todo quadrante ofensivo adversário e fechar pelo meio, como no gol que fez na partida o Mirassol, quando Gilberto escorou de cabeça e Thiago Mendes saiu na cara do goleiro.

Cícero | Também no centro, avançado à esquerda. No esquema de Ceni, tanto Cícero quanto Thiago Mendes atuam muito próximos dos atacantes. Como o São Paulo não tem um camisa 10, uma vez que Cueva é um meia-atacante de ofício, que pode jogar mais centralizado no meio, os dois “volantes” tem também as funções de articular jogadas.

O segundo gol do São Paulo contra o PSTC ilustra bem as funções dos “volantes” de Ceni quando o time avança ao ataque. Cícero tocou para Cueva e depois Cícero tabelou com Thiago Mendes, à frente da grande área.

Com a posse de bola tudo vai bem. O time praticamente inteiro no quadra adversário gira em movimentação. O problema está no momento em que o São Paulo perde a posse de bola e o time tem de voltar.

Thiago Mendes, Cícero e João Schmidt formam um triângulo no meio campo. Mas como Thiago Mendes e Cícero estão muito avançados, nem sempre se recompõe no devido tempo, assim, o combate acaba travando-se na linha de frente de João Schmidt, que é excelente passador e articulador, mas não possui fortes características de marcação.

Justamente nesse ponto em que os adversários encontram facilidade para conduzir a bola pelo meio do campo, enquanto a linha defensiva corre para se ajustar. O primeiro gol do PSTC, entre outros, ilustra bem a situação, quando Carlos Henrique, centroavante, conduziu a bola pelo meio e passou por quatro jogadores do São Paulo até abrir para Lucão, na ponta, enfiar para o gol.

Importante ressaltar que os apontamentos nesse texto não tem o objetivo de  descarregar o desequilíbrio do time em Cícero e Thiago Mendes.  O ponto a ser ajustado está no tempo recomposição do setor de meio-campo, quando o São Paulo perde a posse da bola, independente de quais jogadores estiverem atuando.

O tempo de recomposição do meio-campo, com Thiago Mendes e Cícero atuando bem avançados é o ponto de equilíbrio a ser ajustado nesse novo e bom São Paulo que Rogério Ceni e Beale montam na medida do impossível, uma vez que a tabela determina um novo jogo a cada três dias.

Desconsiderando a Floria Cup, exceto Santos, o São Paulo defrontou-se com equipes de menor expressão. Nessa busca pelo ajuste perfeito, o grande teste para os conceitos táticos de Ceni-Beale será, de fato, contra o Palmeiras, no Allianz, equipe que, apesar da mudança de técnico, possui sem dúvida o mais qualificado elenco do Brasil.



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