Decadência do futebol no Brasil nem sempre pode ser usada para justificar trabalhos ruins



Os modelos feudais de gestões e a fragilidade econômica transformaram os elencos dos clubes brasileiros em verdadeiros remendos. As exceções, atualmente, ficam por conta de Palmeiras, Flamengo e, talvez, o Cruzeiro. No mais, equipes são formadas na base do improviso.

Não há planejamento porque nem sempre há a intenção de fazê-lo e, também, porque é no caos que se encontram as oportunidades. Quando existem, esbarram na fragilidade econômica dos clubes, cada vez mais endividados, o que resulta negativamente na construção dos elencos e, consequentemente, nos maus resultados nos campeonatos.

Inseridos nesse universo caótico que se encontram os treinadores dos clubes brasileiros. Sem planejamento, com pouco dinheiro e investidas equivocadas, o time ideal, projetado nas mentes dos técnicos, conflita-se com a realidade do elenco que lhe entregam.

Diferente da Europa, mundo quase ideal, onde os treinadores pensam/projetam um time na mente e depois apresentam uma lista de jogadores necessários para as diretorias, repletas de dinheiro, contratarem e assim converter o pensamento do técnico em realidade nos campos.

Treinador, no Brasil, equilibra-se na arte de tentar formar um time com o que dá: atletas que vieram da base, mas não renderam suficientes para serem vendidos e vão ficando); os repatriados, que estão em baixa; e a turma do sub-40 que, diante da escassez prolongam seu tempo nos clubes brasileiros.

Os jogadores bons, formados no sub-20, pouco contribuem para elevar o nível, porque logo tem de ser vendidos para cobrir rombos orçamentários.

Essa é a realidade. Uma verdadeira era de extremos em relação aos poderosos mercados mundiais. Não é exagero afirmar que, atualmente, futebol, no Brasil, é formado com sobras.

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Considerando que a realidade no Brasil é consequência, principalmente, dos atos das diretoriais dos clubes, o que resta aos treinadores, neste latifúndio da bola, é o desafio de montar equipes minimamente competitivas com o que se tem em mãos.

Evidente que o calendário esquizofrênico é prejudicial, os elencos e as contratações são altamente questionáveis, no entanto, esse discurso – frente à realidade de pedra – não pode ser instrumento retórico  para a permanência dos técnicos que não não conseguem ajustar os times e aproveitam esses descaminhos para justificar o trabalho ruim.

O futebol brasileiro definha. Sem dúvida é válido buscar alternativas para melhorar a situação, mas também é missão dos técnicos extraírem o que há de melhor da escassez.

Na contramão de tudo o que foi apresentado acima está Carille, que deixou a lamentação de lado e conseguiu formar uma equipe competitiva com as peças à disposição. Carille é a demonstração prática de que ainda é possível formar equipes organizadas e aplicação tática, responsabilidades do treinador.

A decadência técnica, estrutural, administrativa, financeira… todas elas são explicitadas rodada a rodada para os torcedores. É fato que se precisa melhorar, no entanto, nem sempre os treinadores podem usar essas situações como sofismas para justificar péssimos trabalhos desenvolvidos.



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