De tirar o fôlego: São Paulo empata e avança na Libertadores



Foi uma guerra em La Paz. O São Paulo arrancou um empate em 1 a 1 contra o The Strongest e avançou à segunda fase da Libertadores. Mas a frase não resume uma partida de tirar o fôlego, em que de fato o torcedor precisou de tubo de oxigênio para resistir à pressão.

Bauza optou por sacar Ganso e escalar Wesley, formando assim um trio de volantes, com Hudson e Thiago Mendes. Fechado, o São Paulo passou praticamente toda a partida se defendendo, enrolando e gastando o tempo.

A partida seguiu com o São Paulo puxando o ar pela boca até que, aos 28 minutos do primeiro tempo, surgiu uma falta no lado esquerdo do ataque do The Strongest. Pablo Escobar alçou à área, Rodrigo Caio vacila, deixa o jogador boliviano tomar sua frente, Denis, novamente, saiu mal do gol e a bola sobrou fácil para Cristaldo tocar de cabeça e abrir o placar.

Se antes a partida já estava complicada, com o São Paulo se defendendo muitas vezes na base do jeito que dava, depois do gol o The Strongest cresceu e arriscou-se mais ao ataque. Mais pressão, mais sufoco.

O Tricolor não esboçava reação até que, aos 43 minutos, escanteio para o São Paulo. Bola lançada na área, Calleri foi às alturas, mais que o marcador e tocou de cabeça para empatar a partida. O gol do argentino deu novo fôlego para o São Paulo terminar o primeiro tempo classificado.

Aos 45/1T, o Tricolor ainda teve uma grande chance, com Kelvin. Contra-ataque para o São Paulo, Thiago Mendes conduziu pelo meio campo, abriu na direita para Kelvin, que avançou, cortou um, cortou dois, bateu forte, mas a bola, forte, passou por cima do goleiro Vaca.

Na segunda etapa, mesmo com alguns jogadores apresentando cansaço, Bauza manteve a mesma equipe. O sufoco e a pressão, por parte do The Strongest também foram os mesmos dos primeiros 45 minutos. E coloque pressão.

Aos 17 minutos, Bruno, exaurido, pediu para sair. Entrou Caramelo para repor a primeira baixa tricolor, que visivelmente já apresentava sinais de cansaço pela altitude. Quatro minutos depois de Bruno, aos 21, é a vez de Michel Bastos, que pouco fez na partida, dar lugar a Ganso, que entrou e conseguiu, em muitos momentos, cadenciar, segurar e conduzir a bola. Aos 30, a última substituição no São Paulo. Calleri, iluminado e outro exausto, deixa o campo para a entrada de Kardec.

O segundo tempo foi praticamente um jogo de defesa versus ataque. O São Paulo seguiu na base da superação. Mesmo assim, o The Strongest, sufocava o Tricolor. Aos 33/2T, o centroavante Neumann, que entrara no segundo tempo, desperdiçou uma chance clara de gol. Infiltrado no meio dos zagueiros, recebeu lançamento do meio campo, sem impedimento avançou à área e, sozinho, cabeceou muito mal e a bola passou por cima. Em contrapartida, o São Paulo só apresentou certo perigo aos 35/2T, em chute de Thiago Mendes.

Com o passar do tempo, os bolivianos sentindo que o São Paulo não tinha mais pernas e precisando de um gol para conquistar a classificação, mandou o time todo ao ataque, e tome pressão. O São Paulo safava-se na base do chutão.

Quando tudo indicava o final da partida, aos 47 da etapa final, Denis, que já havia tomado cartão amarelo por fazer cera na reposição da bola, novamente enrola para cobrar o tiro de meta e recebe o vermelho.

Como Bauza já tinha feito as três substituições, Maicon foi para o gol. O The Strongest, então, partiu para o tudo ou nada e buscou uma bola chutada ou alçada à área para aproveitar que o zagueiro tricolor estava no gol. Maicon, que foi um gigante na defesa, jogando com os pés, foi também gigante com as mãos. Em duas bolas na área saiu da meta e assegurou o resultado.

O São Paulo, com três volantes, acuado, contou com um lance de bola parada e a estrela de Calleri para arrancar o empate e a classificação. Durante a partida, praticamente só se defendeu.

Mesmo na altitude da Cordilheira dos Andes, Hudson correu demais e, assim como na partida impecável contra o River, pareceu se multiplicar em campo. Destaques também para Kelvin, outro que lutou o tempo todo, foi incisivo no ataque, ajudou na recomposição da defesa. Wesley, muito questionado pela torcida, lutou o tempo todo e ajudou a fechar o meio campo, em boa partida.

Maicon mereceu um parágrafo só para ele. Foi o pilar da defesa são-paulina, com os pés, a cabeça e também com as mãos.

Nota triste para o goleiro Denis, que falhou no gol boliviano e quase jogou para os ares em expulsão previsível, aos 47 minutos do segundo tempo. Também para Mena, que transformou a ala esquerda em avenida e promoveu lances inacreditáveis, quando errou a cobrança de lateral, que só não foi revertido por interpretação do juiz.

Depois de 5 minutos de acréscimos, com os torcedores todos com máscara de oxigênio, o árbitro encerrou a partida. Foi o apito para começar uma grande confusão fora de campo. Calleri, substituído, entrou no gramado para abraçar o zagueiro-goleiro Maicon. Os jogadores do The Strongest, que haviam jurado pegar o argentino goleador e provocador pela declaração de que colocava os bolivianos fora da próxima fase da Libertadores, ainda foi expulso depois de confusão, onde tomou um soco.

O São Paulo agora enfrentará o mexicano Toluca pelas oitavas-de-final da Libertadores. A primeira partida acontecerá no Morumbi, sem o artilheiro Calleri e Denis, expulsos. O São Paulo venceu nas alturas, mas com tantas baixas e sem peças de reposição, até que ponto terá fôlego para ir adiante no principal torneio das Américas?



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