Corinthians 1 x 0 SPFC: a lógica e o destino no futebol



foto Rubens Chiri

Nem Samuel Beckett, em seu Teatro do Absurdo, conseguiria transformar em atos o que acontece em uma partida de futebol. O São Paulo caiu em Itaquera como Vladimir e Stragon à espera de Godot.

Com a vantagem de um gol construído no Morumbi, entrou em campo totalmente fechado, à espera de uma bola. O Tricolor cercou o Corinthians até os 47 minutos do segundo tempo, quando um escanteio alterou completamente o rumo da partida. Foi a única falha da defesa, mas que deixou Rodriguinho livre dentro da área para cabecear, abrir o placar e levar a partida para os pênaltis, onde tudo poderia acontecer. E aconteceu.

Aguirre repetiu a mesma escalação do Morumbi: Sidão, Militão, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo. No meio, Jucilei, Petros, Liziero e Nenê. À frente, Marcos Guilherme e Tréllez.

O Tricolor manteve a mesma pegada, raça e determinação da primeira partida. Continha com eficiência um Corinthians que lutava para avançar as linhas. Quando o Timão chegava ao ataque, a defesa do São Paulo afastava o perigo. O time inteiro do São Paulo jogara bem, com destaques para Arboleda, Nenê e Liziero.

+ Acompanhe o Crônicas no Morumbi no Facebook
+ Leia também os blogs do Lance: Gol de Canela | Papo de Boleiro

Praticamente todo o jogo de ataque do Corinthians contra a defesa Tricolor. Quando tudo se encaminhava para um zero a zero, eis que o destino coloca em campo o improvável (o que torna o futebol esse jogo que se assemelha com a vida) e desmonta um relógio que se repetiu durante 92 minutos.

A partida vai para os pênaltis. Também quis o destino que Liziero, um dos grandes na partida, parasse em Cássio, encerrando em 5 a 4 o placar das penalidades. Há tempos o São Paulo não ficara tão próximo da final, mas três minutos o deixaram tão longe.

A defesa do São Paulo vacilou em cobrança de escanteio, Rodriguinho ficou livre na pequena área, entre Militão e Bruno Alves, recebeu a bola alçada de escanteio, enfiou a cabeça e tirou o zero do placar, a três minutos do final da partida.

Ao contrário do São Paulo dos últimos anos, em que parecia já entrar em um clássico derrotado, o time de Aguirre (apenas 10 dias no comando) demonstrou raça, determinação, competitividade e um esquema tático definido, fazendo sua parte dentro do campo lógico, mas quando o assunto é futebol – e a vida – não dá para lutar contra o destino, que já estava traçado.

Considerando a boa atuação defensiva do São Paulo, a altura do cronômetro, tudo indicava que a partida terminaria zerada e o Tricolor avançaria à final. Mas o futebol é apaixonante justamente por não ter script, sem definição prévia se tragédia, drama, absurdo ou comédia, porque engloba tudo.

É peça sem ensaio, que se constrói no tempo presente, que  jamais se saberá a sina dos personagens. Ontem, em Itaquera, quis o destino dar um tom épico para a Corinthians e trágico para o São Paulo, dois gêneros numa peça só, que só o futebol é capaz de compreender.

Aguirre, em tão pouco tempo, já demonstrara nas partidas da semifinais, que é possível um time com raça e bom posicionamento tático. Com o desenrolar do tempo, agora o desafio é montar um tique que concilie a gana com o jogar bola.

Fecham-se as cortinas.



MaisRecentes

Fortuna Dusseldorf, o irmão alemão do São Paulo



Continue Lendo

SPFC: Queimar Diego Souza é imbecilidade



Continue Lendo

O próximo desafio de Aguirre: unir raça e futebol



Continue Lendo