Contratação de Maicon é loucura



A contratação de Maicon, por R$ 20 mi, é um contrassenso em relação à realidade financeira do clube e do futebol financeiro

A contratação de Maicon, por R$ 20 mi, é um contrassenso em relação à realidade financeira do clube e do futebol financeiro

Ninguém, em sã consciência, olhando só para dentro de campo, afirmaria que a contratação de Maicon é uma loucura. O zagueiro chegou do Porto, arrumou a defesa, instaurou o brio, impôs seu bom futebol, sua raça e contagiou uma equipe mediana que, na base do esforço, está prestes a disputar uma semifinal de Libertadores.

É fato que o zagueiro vindo do Porto tem grande participação em todo esse processo de reconstrução Tricolor dentro e fora das quatro linhas. Maicon, em poucos meses, tornou-se ídolo, e com todo o mérito.

O problema é que o futebol não existe só nos gramados.

Vindo por empréstimo e com o contrato a se encerrar amanhã (30/6), a diretoria do São Paulo atravessou o oceano para transformar o empréstimo em definição.

O Porto, com negócios engatilhados no mercado europeu, exige os R$ 38 milhões de reais para vender Maicon ao São Paulo, que, em contrapartida, raspa os cofres para oferecer R$ 20 milhões. Eis que o sonho por Maicon passa a se tornar pesadelo.

O São Paulo, que acumulou dívidas nos últimos anos, equilibra-se para montar um elenco decente. Na ausência de dinheiro recorre, como no caso de Maicon, a empréstimos.

Mesmo tomando emprestado – dinheiro e jogadores – possui um elenco mediano e pequeno, obrigando-se a recorrer também aos meninos de Cotia, que em realidade estão subindo ao profissional mais por necessidade do que reflexo de planejamento.

Assim, sem dinheiro em caixa, recente patrocínio máster depois de anos e elenco reduzido, chega a ser insanidade pagar R$ 20 milhões (nem considerarei os R$ 38 milhões) ao Maicon, uma vez que essa quantia daria para COMPRAR uns três bons jogadores, que reforçariam e ampliariam o elenco, diminuindo a dependência dos empréstimos.

Especificamente no caso de Maicon, não dá para condenar a diretoria pela contratação por empréstimo, uma vez que o zagueiro chegou ao Morumbi em negociação de e na virada da noite, depois de praticamente fechado com Atlético-MG, mudou os rumos para o Tricolor, mas sob única de contrato até 30 de junho.

Por outro ângulo, com clareza, essa situação contratual coloca interrogações para todos os clubes nos momentos de fazer empréstimos de jogadores.

O caso Maicon é simbólico para o futebol nacional, deveria ser analisado pelos clubes. Em baixa no time português, chegou por empréstimo, foi revalorizado, reinventado para a Europa e agora o clube brasileiro pode ficar sem o atleta, em um momento decisivo de Libertadores.

O risco do São Paulo ficar sem Maicon é real, e trágico. O risco de cair na Libertadores é real, é trágico. O risco de ficar pelo meio do caminhão do Brasileirão é real, e trágico, principalmente para um clube que busca reconstruir-se.

Contratá-lo, por esse montante de dinheiro, pior.

O menos pior a ser feito neste momento seria estender o empréstimo até o final da Libertadores, mas, para isso, falta combinar com os portugas…



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