Com show da torcida, São Paulo arranca empate com Grêmio



Torcida Independente reeditou o El Morumbi te Mata

Torcida Independente reeditou o El Morumbi te Mata

Há tempos um empate não era tão comemorado como vitória por uma torcida. O em 1 a 1 entre São Paulo e Grêmio, em pleno Morumbi, fechando a 16ª rodada do Brasileirão, foi reverenciado por 51.511 são-paulinos que, mesmo numa segundona, às 20 horas, deram vida ao concreto das arquibancadas e empurraram a equipe diante do preparado Grêmio.

O Tricolor Paulista entrou em campo com vontade e disposição, mas o futebol do Grêmio toureava o São Paulo. O excelente domínio de bola do time sulista fazia o São Paulo girar em si mesmo e, quando estava com a posse da bola, não conseguia articular jogadas para infiltrar a defesa adversária. Impressionou a configuração tática e a determinação da equipe gremista, que de fato avançavam em bloco e recompunham-se em velocidade, sufocando o Tricolor Paulista no ataque e fechando todas as brechas sem a posse de bola.

Envolto no bom futebol do Grêmio, incapaz de chegar ao ataque, o gol sulista parecia mesmo questão de tempo.

E chegou aos 19 minutos do primeiro tempo. Como futebol depende de vontade, organização tática e talento, o São Paulo, que ainda busca uma identidade para si, em meio à zona de rebaixamento, elenco formado em julho e técnico novo, depois de se lançar ao ataque e perder a bola, sentiu o poder do contra-ataque do Grêmio que, em poucos toques, deixou o garoto Pedro Rocha (que ironia do destino, não?) avançar livre pela ponta-esquerda.

Arboleda, sem culpa, vendido no lance, pois tentou bloquear a avenida que Bruno deixou na lateral, mas o gremista avançou, tirou a defesa para dançar, gingou e ficou frente a frente com Renan, que nada poderia fazer.

Renan, com a camisa em homenagem a Waldir Peres, fez jus à homenagem. Salvou o São Paulo em, no mínimo, três vezes ao longo da partida.

O primeiro tempo foi um passeio do Grêmio no Morumbi. O São Paulo, praticamente, chegou apenas uma vez, com um chute de Jucilei de fora da área, que passou por cima da trave de Grohe.

Aos que ainda pensam que Renato Gaúcho é um técnico boleiro, demonstrou, na prática, como uma equipe pode ser armar muito bem taticamente e, ao mesmo tempo, jogar bola, construir jogadas, envolver o adversário, numa mescla entre a conceituação moderna e o drible antigo.

A torcida, mesmo ciente das limitações do São Paulo e compreendendo o contexto, não esmoreceu. Apoiou o tempo todo a equipe.

O segundo tempo chegou. O São Paulo sabia que na bola não daria para superar o Grêmio. A superação veio com o apoio da arquibancada. Dorival sacou Jucilei, afobado em alguns lances, para dar lugar a Cícero. Também atendeu aos anseios da torcida: sacou Gomez, que pouco se ouviu o nome, para dar lugar ao jovem Lucas Fernandes.

Impondo-se o São Paulo na base da vontade e da força, com isso, o Grêmio diminuiu seu domínio, os paulistas insistiam, até que, aos 18/2T, na primeira jogada de fato construída: Cueva recebeu a bola na esquerda, abriu para Edimar, que deu um corte no marcado e rolou para Pratto bater, no meio da área, de primeira. Grohe fez uma grande defesa, mas a bola sobrou, para o predestinado Lucas Fernandes empurrar para dentro, depois correr para o escudo e ser ovacionado pela torcida.

Vale registrar que a única bola que chegou em condições aos pés de Pratto ele quase fez. Esse é um dos grandes desafios de Dorival, fazer a bola chegar em condições ao ataque. A chegada de Hernanes, no meio, possa, talvez, resolver esse problema.

Depois do empate, o Grêmio sentiu um pouco, mas não a ponto de ficar acuado. Ao contrário, obteve várias chances de virar para 2 até 3 gols. Só não virou graças à Renan. Dorival ainda arriscou, tirando Bruno, recuando Marcinho para a ala direita e colocando Gilberto à frente.

Ainda que o time permaneça na 16ª posição, com 16 pontos, na zona da degola, fato é que o empate ficou de bom tamanho. A equipe, em muitos momentos, deixa evidente o catado. Agora Dorival terá praticamente uma semana para fazer evoluir o time taticamente para enfrentar o Botafogo, no Rio.

A torcida deu um show dentre e fora do Morumbi: 51.511 torcedores, que, anticreminho de avelã, demonstraram que estádios antigos ainda são templos do futebol.



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