Choque-Rei: Treino é treino, jogo é jogo



Ontem, o São Paulo abriu seus portões para que os torcedores acompanhassem o último treino antes de enfrentar o Palmeiras pela decisiva partida, hoje, às 16 horas, no Allianz, quando será determinada a equipe que avançará à final do Paulista 2019.

O treino foi espetacular de se ver: 30 mil pessoas, bandeiras, fumaça, batuques e toda pirotecnia que faz do futebol essa festa catártica e que não se vê mais nas partidas oficiais. No entanto, como diz a filosofia da bola: treino é treino, jogo é jogo.

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Saindo da caverna do mundo onírico para a aridez do mundo real, fato é que o São Paulo não conquista um Paulista desde 2005 e jamais venceu o Palmeiras no Allianz, contabilizando sete jogos e sete derrotas.

Apesar da rivalidade, para o Palmeiras, que disputa torneios em várias frentes, talvez esse Choque-Rei possa ser mais um, porém, ao São Paulo, considerando o acúmulo de fracassos dos últimos anos, vencer o Palmeiras e chegar à final Paulista extrapolará as explicações óbvias sobre o efeito da vitória em um clássico.

Para o São Paulo é mais que vencer e romper um tabu: uma vitória incorporará cargas emocionais de esperança, redenção e até mesmo, simbolicamente, um recomeço para um clube que nos últimos 10 anos venceu apenas um campeonato.

A escassez de títulos promoveu ansiedade, desespero, montagens e desmontagens de elenco num espiral decadente. Não sendo a vida uma equação matemática, foi em meio a mais um turbilhão que o São Paulo parece estar se reencontrando.

Jardine saiu, Cuca foi contratado, mas foi Mancini, o coordenador improvisado de técnico, promovendo a base, quem estabeleceu o que há de mais palpável nos últimos três anos do Tricolor.

Hoje, no banco, estarão Mancini e Cuca, lado a lado, juntos em uma convergência que, anteriormente, quando analisada tinha tudo para ser mais uma tragédia, mais um remendo, mais um descaminho.

Muito além do resultado, o São Paulo mostrou um bom futebol nas duas partidas contra o Ituano e na primeira contra o Palmeiras. Evidente que na partida de hoje, no Allianz, será um novo batismo de fogo para esse novo São Paulo em busca de uma nova identidade.

Entre treinos, desmontes, novas contratações, novas concepções, técnicos duplicados, tabu, escassez, fato é que o gigante São Paulo necessita, mais que todos os clubes do Brasil tentar conquistar um título para implodir o Mito de Sísifo que se instaurou no Morumbi.



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