Chegar à final não esconde planejamento caótico no São Paulo



Aos iludidos e imediatistas, qualquer centelha é fogo. Aos que minimamente pensam, o São Paulo é fogo fátuo. A improvável chegada à final do Paulista criou, por breves momentos, que o passado poderia ficar para trás, mas a derrota para Corinthians reacendeu os holofotes sobre o Tricolor que, em realidade, o vice-campeonato se deve mais ao acaso que por planejamento.

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Nesses tempos de pós-verdades, em que tudo brilha e se apaga na velocidade de uma mensagem de whatsapp, muitos se esqueceram da temporada do São Paulo, que começou com Jardine, Flórida Cup, desclassificação vexatória para o Talleres, demissão de Jardine, coordenador técnico assumindo, dispensa de jogadores, contratação de Cuca como ponto-futuro, a emblemática partida contra o São Caetano com a classificação na bacia das almas, o ponto de virada de Mancini, promovendo a base e Cuca assumindo o comando.

Em meio a esse espiral caótico de decisões, mesmo assim, com a força da base, que não foi forçada por planejamento, mas, sobretudo, na base do desespero, o São Paulo chegou à uma final de campeonato paulista, fase que não disputava desde 2003 e sem conquistar desde 2005. Com a derrota para o Corinthians, lá se vão 14 anos de Paulistão, que um dia o Tricolor, multi-vencedor, desprezou e agora deseja como uma criança ansiosa esperando abrir o presente de Natal.

Depois da queda em Itaquera, o ídolo Lugano disse que as derrotas fortalecem. O problema é que o São Paulo está há praticamente 10 anos convivendo com derrotas e vexames e, à cada ano, vem se fragilizando. Discursos e frases de efeito não sustentam mais uma realidade imaginária, mesmo proferida por um personagem que representa um período de glória do São Paulo.

Ainda que os torcedores, inocente úteis, sob o efeito do desespero, do desânimo e da incontrolável paixão, como em um conto de realismo fantástico, replicam que estarão juntos ao time em todos os momentos, fato imperativo é que o São Paulo, atualmente, está em franca decadência.

Às portas do Brasileirão 2019, o São Paulo começará novamente a carregar uma nova pedra, reiniciando o seu Mito de Sísifo, condenado a carregar pedras até o topo da montanha e ver a pedra descer ladeira abaixo.

O técnico Cuca chegou, jogadores como Pato, Vitor Bueno e Tchê Tchê também chegaram. É o início de um novo ciclo. O que mais o São Paulo necessita, neste momento, é estabilidade para a construção de um trabalho.

Estabilidade: esta é a palavra-chave, pois somente com uma sequência lógica, racional e com planejamento é que se constroem, ou se briga, por títulos. Fora isso, será o São Paulo dos últimos anos, lutando para não ser rebaixado no Brasileirão, caindo vergonhosamente no Paulista, na Sul-Americana, na Libertadores e na Copa do Brasil.

Enquanto o São Paulo não assumir que é um time em decadência e que precisa reverter esse quadro, seguirá vivendo em uma estrofe de seu hino, em que as glórias vem do passado.

Vale o registro: o único que encarou a realidade decadente de frente foi o coordenador/técnico Mancini, em suas excelentes entrevistas (como na coletiva depois da vitória contra o São Caetano), quando assumiu que o Tricolor jogava um futebol pífio e a partir de então resolveu mudar completamente.

Além de estabilidade e planejamento de verdade, o São Paulo precisa compreender e assumir que é um time abaixo dos outros grandes do Brasil. É lidar com os fatos negativos ou permanecer vivendo de mentiras…



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