Basta a Michel Bastos?



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O fio das horas separa Michel Bastos do São Paulo Futebol Clube. Contratado em 13 de agosto de 2014, chegou como reforço de peso à então equipe dirigida por Muricy.

Michel teve boa sequência, principalmente quando atuou ao lado de Kaká, Ganso e Pato. Em 2015, com a partida-retorno de Kaká para o Orlando City, ficou com a missão de ocupar o espaço no gramado e na liderança do sempre ídolo tricolor.

No campo até que conseguiu; na liderança, nem tanto. Com experiência internacional, uma Copa do Mundo (África 2010) no currículo, Bastos tentou emergir como líder, mas ainda era preciso fazer história com a camisa do São Paulo.

Entre 2015 e o início de 2016, imerso em crise, o São Paulo entrou em colapso político e financeiro. Líder, mas agora com a presença de Lugano – com história mundial no clube, tentou comandar uma “greve de silêncio” na primeira partida pela Libertadores, quando o São Paulo deu vexame e perdeu para o boliviano The Strongest por 1 a 0 no Pacaembu.

No dia 17 de fevereiro de 2016, a partida contra o The Strongest determina o início dos desgastes – até certa intolerância – nas relações entre a instituição São Paulo, os torcedores e Michel Bastos.

Se não há justificativa para o atraso de salários, um direito de todo trabalhador, a forma como foi conduzido o protesto dos jogadores não caiu bem. A cobrança deveria ter sido feita diretamente à diretoria e não jogada à imprensa. Além disso, parte do grupo não concordou com o ato birrento, tirou o esparadrapo da boca e concedeu entrevistas. As coisas mudaram no vestiário, o clima esquentou.

A torcida também não perdoou o gesto, que não foi só de Bastos, mas que no imaginário do são-paulino ficou marcado como articulação única e exclusiva do camisa 7. A greve foi pueril e colocou em risco o que há de mais sagrado ao são-paulino: A Libertadores da América.

Tanto que o São Paulo conseguiu a classificação em clima de guerra, puxando o ar em La Paz, num empate heroico com o mesmo The Strongest, mas que poderia ter sido tudo mais tranquilo na primeira fase. O São Paulo avançou na Liberta, os desentendimentos ficaram rarefeitos.

Em meio ao turbilhão político e financeiro e do grupo, Bauza tentava montar uma equipe para a temporada. Bastos sempre teve vez com Patón, mas o futebol no meia-atacante perdia-se, a torcida protestava nos estádios, o jogador marcava gol e manda a arquibancada calar a boca. Tudo piorava.

Eis que surgiu um novo diretor de futebol, Luiz Cunha. Bom demais para o ambiente político, Cunha conversou, centralizou, intermediou e recuperou Michel, que teve lampejos do bom jogador que é, mas que não acontecia.

Não durou muito tempo. O São Paulo caiu na Liberta, caia pelas tabelas do Brasileirão, Luiz Cunha caiu, mas o muro de sustentação ruiu quando as torcidas uniformizadas do São Paulo invadiram o CT da Barra Funda e atacaram-no.

Michel Bastos, que há tempos oscilava entre ficar e sair, encontrou absurda invasão o mote perfeito para se libertar do São Paulo. Outro Cunha, Marco Aurélio, está mais para encontrar uma transição que recupere financeiramente o investimento do clube que de fato tentar ressuscitar Michel Bastos.

Como disse Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, “Tudo que já foi, é o começo do que vai vir, toda a hora a gente está num cômpito (encruzilhada)”.



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