Até que ponto Luxa está ultrapassado para o futebol?



Nem santo, nem demônio: Luxa não pode ser condenado ao ostracismo

O ser humano é contraditório por natureza. E não diferente dos demais, Luxemburgo oscila entre acertos e erros, entre conquistas e derrotas, entre momentos de paz e conflitos. Luxemburgo não é santo, mas também não é demônio.

Depois de fracassar em um time da segunda divisão da China, Luxemburgo retornou ao Brasil querendo trabalhar. Um dos mecanismos para se mostrar ao mercado é participar de programas na TV. E foi no “Bem, Amigos”, de Galvão, que ele foi e acabou vacilando em alguns posicionamentos.

É evidente que Luxa errou feio ao tentar desconstruir o trabalho de outros técnicos. Atirou para todo lado e acabou acertando em si mesmo. Atitude infeliz, mas que, por outro lado, não pode ser transformada em fogueira midiática para queimá-lo em “tela-pública”.

A participação de Luxa no programa, além dos vacilos gritantes nas declarações, coloca em discussão os estigmas criados e que depois de impregnados são difíceis de se desvencilharem da imagem da pessoa.

Fato é que os últimos trabalhos de Luxemburgo não foram bons, mas até que ponto é justo condenar ao ostracismo um treinador que ganhou seis títulos nacionais, treinou a seleção e chegou ao Real Madrid dos “galácticos”?

Se por um lado poderão alegar que o passado e o currículo não asseguram o presente; em contrapartida, todo o conhecimento e experiência acumulados agora são objetos totalmente obsoletos e ultrapassados?

Outro ponto que deu curto na entrevista. O treinador apontou para possíveis manipulações de resultados no futebol chinês. Foi detonado, sob alegação de que lançou o fato para desviar o péssimo desempenho na China. Ainda que possa ter se apoiado nessa história das manipulações, foi acusado de ter inventando essa “história”, porém, dois dias depois, eis que surge uma manchete nas mídias esportivas: “Jogadores chineses são detidos por suposta manipulação de resultados”, matéria que pode ser lida no link a seguir: http://www.lance.com.br/futebol-internacional/jogadores-chineses-sao-detidos-por-suposta-manipulacao-resultados.html

O desespero angustiante transmitido por Luxemburgo no programa de Galvão foi também o do homem diante do medo do rótulo, da condenação, do fim. Não deve ser nada fácil de astro badalado no meio deparar-se com olhares de repulsa. Luxemburgo, com todos os seus erros, não estava enganado quando disse que “a imprensa é capaz de determinar o fim de uma carreira”. Nisso, ele não errou.

Não só de resultados positivos vive o futebol, mas também de modismos, os quais são reproduzidos sistematicamente até virar uma “verdade absoluta” no circular mundo da bola, e da mídia.

Dias antes, em participação de Luxa no programa “Os Donos da Bola”, de Neto, na Band, o treinador colocou em discussão muitas questões pertinentes ao debate esportivo, como as novas nomenclaturas do futebol, que também podem ser jogadas realizadas há décadas atrás, mas sob uma nova roupagem, um novo nome, uma extensão na explicação do conceito.

É preciso relativizar e definir o limiar entre futebol arcaico, ultrapassado em relação do que se denomina moderno, que em sua maioria bebe na fonte do passado.

Antes que se atire a primeira pedra, a intenção não é reparar os erros de Luxa no “Bem, Amigos”, longe disso; mas ampliar a discussão sobre a condenação midiática, que um dia relegou o goleiro Barbosa ao limbo depois de tomar o segundo gol do Uruguai. Do nada, subitamente, em fração de segundos, quem encantou o Brasil transforma-se no mal, no antigo, no arcaico.

A vida não é, e não pode ser assim.

Luxemburgo, evidente, tem que repensar alguns conceitos, no entanto, não está ultrapassado para o futebol, tanto que teria lugar na grande maioria dos 20 clubes da Série A do Brasileiro.

Talvez o grande desafio interior de Luxa é controlar os seus demônios, que um dia o levaram a incorporar a posição de gerente de futebol, desviando seu foco do que ele tinha de melhor, que é a estratégia, a capacidade de mudar completamente a partida com as substituições no vestiário.

Milionário, poderia voltar com relevância no mundo da bola, caso não pensasse mais em dinheiro e retomasse o Luxa dos gramados, obcecado pela vitória, que pensava nos mínimos detalhes da partida, que gravava vídeos do primeiro tempo e exibia os erros no vestiário, que um dia o levou a treinar, com méritos, nada menos que o Real Madrid.



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