Ainda vão proibir a bola no futebol



Se continuarem com as restrições, logo os tecnocratas proibirão a bola (fotomontagem Jaime Alves)

Se continuarem com as restrições, logo os tecnocratas proibirão a bola (fotomontagem Jaime Alves)

O futebol, esporte mais emocionante do mundo, e alucinante para nós, brasileiros, acaba sendo regulado por tecnocratas, que pouco ou nada compreendem o sentimento que move torcedores e jogadores.

Esses personagens que de fato realizam o espetáculo do futebol, jogadores e torcedores, não possuem voz ativa na elaboração dos regulamentos ou, quando participam, são figuras meramente decorativas às entidades que “organizam” os torneios.

Como consequência, uma das provas desse descompasso entre o futebol de verdade e o futebol que só existe no mundo da fantasia dos dirigentes e seus regulamentos, é que o “dibre”, de uns tempos para cá, passou a ser medido com réguas imaginárias. Agora, se a finta passar muito do ponto (de um ponto que ninguém sabe qual é o limite) já é considerada insulto. E dá-lhe punição!

As próximas medidas dos dirigentes, em sua concepção fantasiosa de regulamentos, contemplarão medidas como: jogador aplicou um chapéu, tome amarelo. Deu caneta, amarelo também. Aplicou um “dibre da vaca”, vermelho. Gol de bicicleta, vermelho, registro na súmula e julgamento no tribunal. Torcida gritou olé para-se a partida por 15 minutos. Se cantar “ai, ai, ai-aí, tá chegando hora…”, ferrou, o árbitro tem de encerrar a partida, sob risco de bullying contra o time adversário.

Assim, no ritmo dessa marcha com dirigentes, com regras contra a liberdade, chegará o tempo em que vão proibir a bola no futebol.

Afinal, já estamos vivendo um tempo em que marcar gol e comemorar está se tornando um violento atentado ao pudor, à moral, ao politicamente correto e aos bons costumes. E dá-lhe amarelo ou vermelho, excluindo do espetáculo o jogador que, paradoxalmente, acabou de valorizar justamente o espetáculo com seu feito, que é o maior momento do futebol, aquilo que dá sentido às pessoas saírem de suas casas e assistirem aos jogos.

Se o jogador marcar um gol e subir no alambrado para comemorar com a sua torcida. Pelamordideus! É fogueira na certa. O tribunal inquisitorial arma-se ali mesmo no gramado.

Do outro lado do alambrado, o torcedor também está enjaulado nos regulamentos. Se quiser manifestar seu amor ao clube não poderá entrar no estádio com bandeiras, bumbos, pandeiros, repiniques, faixas. Só pode pagar ingresso caro e aceitar, passivamente, senão o cassetete come no lombo, a cuíca ronca.

Para xingar o árbitro ou bandeirinha (recuso-me a chamar de auxiliar), o torcedor, só poderá fazê-lo de acordo com os termos pré-estabelecidos nos regulamentos, tais como: bobo, chato, feio, e outros termos que nada tem a ver com realidade de quem cresceu jogando bola na rua.

É, meus amigos, se continuarem com essas restrições, o que será do bom e velho futebol em relação ao futebol moderno, que agora tentam implantar, forçadamente, mas que está afastando o público dos estádios brasileiros e, desta forma, criando, cada vez mais, torcedores de sofá?



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