Agora Leco tem que bancar Rogério Ceni



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O São Paulo, comandado pelo técnico Rogério Ceni, sucumbiu no Paulista, na Copa do Brasil e na Sul-Americana. E com as quedas surgem pressões e questionamentos dentro e fora do ambiente do clube.

Após quatro meses de tolerância acima da que existe no futebol, blindagem e idolatria a Rogério Ceni, propagado por quase a totalidade da torcida, eis que, depois da tripla eliminação, começaram a ressoar as primeiras vozes das arquibancadas pedindo a cabeça do Mito.

A demissão de Ceni, neste momento, mesmo com o time parecendo estagnado taticamente e contabilizando três desclassificações, seria um grande erro dispensá-lo. Agora é a hora de Leco bancar Rogério Ceni.

Para isso, é importante compreender o contexto político-eleitoral a que Ceni foi alçado à condição de técnico do Tricolor.

As arquibancadas, depois de o time flertar com o rebaixamento em 2016, estavam no limite da paciência e o clube atravessava seu pior momento político com a queda de Aidar. Leco, então cumprindo mandato tampão, lançara-se candidato para as eleições e enfrentava uma dura e forte oposição capitaneada por Pimenta.

A maioria da torcida não compreende os mecanismos de poder que permeiam os clubes de futebol. O jogo político, para a massa, é jogo de dominó; sendo que, na realidade, nos bastidores de um clube, o jogo é de xadrez.

Em meio ao cenário caótico, Leco fez uma jogada de mestre: demitiu o contestado Ricardo Gomes e alçou Rogério Ceni, maior ídolo da história tricolor, à condição de técnico. O efeito foi imediato: corações e mentes dos torcedores preencheram-se de esperança, o orgulho foi restaurado. A paz voltou no reino do Morumbi.

Com Ceni, Leco conseguiu apascentar os ânimos das vozes das arquibancadas e começou a trilhar o seu caminho para a presidência. Rogério Ceni, ainda que não tenha compactuado nada, naturalmente tornou-se o maior cabo eleitoral da chapa de Leco.

Em outro contexto político, dificilmente o clube alçaria um ídolo, que nunca treinara um time, à condição de técnico. Nenhum dirigente do futebol brasileiro se arriscaria a tal ponto.

Rogério Ceni, que nada tinha com o fratricídio eleitoral que se instalara no Morumbi, no embate entre Leco e Pimentas, aceitou o convite. E não dá para condenar o Mito, pois, qualquer mortal, em sua posição, não deixaria uma oportunidade tamanha escorrer pelas luvas.

O tempo passou. As eleições aconteceram, Leco levou e foi efetivado como presidente do São Paulo nos próximos três anos. Nos gramados, extensão da política, o jogo continuava, mas o time oscilava entre algumas boas apresentações e a necessidade de muitos ajustes.

Chegaram as fases finais e o time de Ceni caiu em três competições. O vexame para o Defensa y Justicia, em casa, pela Sul-Americana, fez surgirem grandes focos de insatisfações com Ceni e com a equipe.

Se por um lado Leco esta consolidado na presidência, em contrapartida, Ceni já não desfrutava da unanimidade entre a massa. Eis que surge um dilema: demitir o Mito ou apostar em seu trabalho?

Leco, no momento em que ele mais precisava para trilhar o caminho da presidência, bancou Ceni para se tornar técnico. Então, nada mais justo que, agora, Leco banque Ceni em seu momento mais turbulento, com o duro Brasileirão batendo às portas do Morumbi.

Demitir Ceni seria um erro. O melhor caminho para o São Paulo de Leco é manter Ceni no comando e, definitivamente, elaborar um planejamento: reforçando a equipe, que possui muitos jogadores medianos ou ruins, e trazer atletas de 2 a 3 jogadores atletas do mesmo nível que um Lucas Pratto; ampliar os patrocinadores, e, consequentemente, estabelecer ações para reconstruir a instituição, que conviveu com seu pior momento político em sua história.

Leco e Ceni não são inquestionáveis, nenhum dirigente, jogador ou ídolos estão acima da instituição, mas a reinstalação do caos vivido em 2016 só promoverá mais um ano de seca no deserto de títulos que se tornou o gramado do Morumbi.



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