70% de posse de bola, 100% desclassificado



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Nesses tempos de “futebol estatístico”, o São Paulo já pode registrar na planilha três desclassificações antes do meio do ano. Com isso, já pode até pedir música no Fantástico: virou estatística negativa no Paulista, na Copa do Brasil e na Sul-Americana.

Na partida de ontem, no Morumbi, diante de sua torcida, o empate desclassificador em 1 a 1 contra o Defensa y Justicia, foi o pior. Sem dúvida, dentre, senão o maior vexame da história internacional do São Paulo. O time argentino entra para a história como o Tolima Tricolor.

Em cena que se repetiu em diversas partida, o São Paulo iniciou a partida com pressão total sobre o Defensa. Com 1 minuto já poderia, não fosse o impedimento, ter marcado com Pratto.

Pressão total, na saída de bola, que agora o glossário moderno denominado de marcação alta. Aos 5/1T, Thiago Mendes recebeu a bola de fora da grande área, deu uma sapatada e fez um golaço. Tudo indicava que o São Paulo massacraria o pequeno, mas guerreiro e organizado, Defensa.

Tudo caminhava bem, até que, aos 11/1T, pane na defesa Tricolor, Gonzalo Castellani encontra a bola livrinha, na medida, enfiou o pé, empatar e colocar o São Paulo em parafuso. O time desestabilizou na organização e no emocional.

Com o empate que o levaria ao maior feito de sua história, o Defensa justificou o nome: recuou, defendeu-se e ficou armado para o contra-ataque. O São Paulo, como nas primeiras partidas contra Cruzeiro e Corinthians, não conseguia articular jogadas e muito menos furar o bloqueio adversário.

Girava em torno de si mesmo, como cachorro tentando morder o próprio rabo, acumulando fantásticos percentuais estatísticos, que chegaram a 70% de posse de bola, mas com metade de chutes a gol.

O trocadilho inevitável é que Justicia seja feita: o Defensa, não fosse as chances desperdiçadas, merecia ter deixado o Morumbi com uma vitória também no placar.

Como bem sabem fazer os argentinos, o Defensa cozinhou o jogo, enervou o São Paulo e assim foi até o apito final.

Ainda que Rogério Ceni tenha dito na coletiva que de nada adianta abrir os treinos para a imprensa, porque a maioria não compreende, há diversos pontos que podem ser questionados: Thiago Mendes ocupava o espaço do antigo 10, com função de articular o São Paulo, enquanto Cueva flutuava (palavra chique, moderna no new futebol) entre o meio e a ponta; o fantasma Neilton arrastava correntes pela esquerda, Lucão em vez de Lugano…

O São Paulo foi mal em campo, nas entrevistas e na coletiva. Primeiro que os jogadores afinaram e não se pronunciaram à imprensa. A exceção ficou por conta de Pratto, Rodrigo Caio e Lucão, que mesmo com declarações muito questionáveis, diante da derrota, não fugiram.

Rogério Ceni entupiu os microfones com dados, estatísticas, chegando a afirmar que, segundo os gráficos, na temporada, o time estaria no G-3 do Brasileirão. O problema é que no Brasileirão não existem Linenses, só para sintetizar. A afirmação nos faz também puxar todos os jogos do Paulista e pontuar contra quem de fato o São Paulo enfrentou e comparar com os outros 19 times que virão pela frente no torneio nacional.

Aliás, nessa nova onda estatística, que toma dimensões desproporcionais para analisar o futebol, e, em muitos casos, instrumento para escamotear defeitos, se continuarmos nessa toada, os clubes brasileiros terão de contratar para técnico o mítico matemático Oswald de Souza.

Vale o registro: Pratto merece destaque. Bom jogador, mas desperdiçado em um esquema em que a bola não chega nunca, lutou, voltou, tentou. Na entrevista foi bem, não faltou personalidade em falar que nada justifica uma derrota para o Defensa, ainda mais depois de tantos dias de treinamento. Não procurou esconder o sol com a peneira.

Para fechar a noite pavorosa, faltou a Ceni um momento de serenidade, em reconhecer que o time foi muito mal, que ainda existem problemas e não ficar tentando confundir a análise com estatísticas. Para dar um passo adiante, é importante reconhecer quando se erra.

Fato é que com números ou sem números, o São Paulo, caso não se reinvente, no mês 5 já poderá chegar ao mês 12, com 0 títulos, contabilizando mais 1 ano na fila.



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