Os R$ 322,5 milhões por Higuaín revelam a fragilidade do futebol brasileiro



A Juventus pagou 90 milhões de euros, enquanto o Manchester United ofereceu 20 mi ao Palmeiras por Jesus

O atacante Higuaín saiu do Napoli e partiu para a Juventus, de Turim, pelo valor de € 90 milhões, ou R$ 322,5 milhões, configurando-se como a 3ª maior transação da história da bola.

O valor surreal do negócio de Higuaín reitera a condição colonial do futebol brasileiro, em que os clubes assistem, impotentes, aos europeus virem às nossas terras comprar jovens talentos como os portugueses, nos tempos do “Descobrimento” trocavam ouro por espelhos e cachaça com os índios.

Enquanto Higuaín, que está longe de ser um craque e já possui 28 anos, fechava negócio por € 90 milhões, o Manchester United tenta seduzir o Palmeiras para comprar Gabriel Jesus por – considerando os números do mercado da bola – míseros € 38 milhões.

Outro caso ilustra e sintetiza, também, a impotência dos clubes brasileiros. A mesma Juventus de Higuaín oferece 20 milhões de euros (R$ 72,5 milhões) pelo passe do jovem Gabigol que, convenhamos, é muito melhor que o argentino.

Enquanto o futebol brasileiro vende seus craques a preços de bugigangas para o mundo, como se tomando um tapa na cara, assistimos, inertes, impotentes(?), inúmeras transferências absurdas de jogadores medianos ou caneludos do mercado europeu por valores que ultrapassam os R$ 100 milhões.

Apenas mais um exemplo assustador: O Sevilla (ESP) contratou o japonês Hiroshi Kiyotake que atuava no Hannover (ALE) por € 6,5 milhões, enquanto Ganso, dias depois, saiu do São Paulo por € 9,5.

A subvalorização dos nossos craques provoca desdobramentos mortais ao futebol brasileiro: seus craques partindo cada vez mais para o mundo e os campeonatos são, gradativamente, nivelados para baixo.

Em segundo lugar, os clubes, ficando sempre com espelhos, apitos e chocalhos do dinheiro de fora, não conseguem investir em infraestrutura nem conseguem, ao menos, contratar jogadores atuando no Brasil, tendo que recorrer – por questão de sobrevivência – ao mercado das Américas.

A situação não é nova. Já assistimos a venda de Kaká, Raí, entre tantos outros a preços irrisórios. Isso está matando, lentamente, o futebol brasileiro. E os dirigentes dos clubes ainda insistem em brigar entre si, sendo que o momento e de se unirem para não morrerem abraçados.

É momento para que todos os clubes comecem a estabelecer novos conceitos para o seu maior produto, seus craques, e parar de vendê-los por mixarias.



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