Zagueiro da base do Santos abriu mão de dinheiro e viveu sufoco antes de despontar



Aos 20 anos, Lucas Veríssimo vive seus últimos dias como atleta da base do Santos ansioso pela promoção ao time principal. Internamente, ele é apontado como nome forte para iniciar a pré-temporada de 2016 na equipe de cima, já sob o comando de Dorival Júnior, ou no mínimo no time sub-23, que serve para moldar quem está prestes a ser promovido. A trajetória do zagueiro nascido em Jundiaí, porém, não foi simples assim.

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Lucas Veríssimo defendeu três clubes nas categorias de base: José Bonifácio, Linense e Santos, onde chegou há dois anos e meio, após a disputa de uma edição da Copa São Paulo de Juniores pela equipe de Lins. A contratação pelo Peixe, obviamente, foi a melhor notícia de sua vida. Até porque as piores pouca gente ficou sabendo…

– Vi que o futebol poderia ser algo sério aos 14 anos, mas passei muita dificuldade. Meus pais não sabiam disso até pouco tempo atrás e não acreditaram quando eu contei. Vivia em um centro de treinamento, mas dormia no vestiário, porque o alojamento estava cheio. A alimentação era precária… quantas vezes não comi só arroz com salsicha? Pelo menos era melhor do que quando vinham larvas na comida. Pensei muito em desistir, todo dia chorava, era complicado. Mas acreditei – relembra Lucas, com a voz embargada, antes de explicar a razão de não contar tudo isso aos pais:

– Se eu falasse a verdade eles me tirariam do clube. Com medo, eu omiti. Foi muita ilusão.

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Observado pelo Linense, Lucas Veríssimo disputou a Copinha de 2013 sem salário, só pela vitrine. Ele era federado, sem contrato profissional, mas agradou e seria promovido para disputar o Campeonato Paulista. Até que pintou o interesse do Santos e ele jura que “nem acreditou que fosse verdade”. Em vez do profissional do Linense, Lucas preferiu a base do Santos e foi atrás de seus sonhos.

Entre 2013 e 2014, Lucão se adaptou e participou da conquista da Copa São Paulo do ano passado como reserva da dupla formada por Paulo Ricardo e Naílson. Até que em 2015 o contrato se encerrou, justamente no período em que o clube vivia uma troca de diretorias e de comando. Em meio às indefinições, o jovem zagueiro ficou um mês no clube sem contrato, sem salário, sem perspectiva, apenas treinando. E qual a razão de não ter ido embora?

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– Estou habituando, gosto do Santos. Se fosse por valores, coisas extra-campo, eu tinha saído, porque tinha propostas superiores. Mas é o Santos, é o time que todo mundo quer jogar, o time que revela. Pensando no meu futuro, o melhor é ficar no Santos, sem dúvida – diz o jovem defensor.

Neste período de indefinições, dois clubes foram atrás de Lucas Veríssimo: Cruzeiro, para a base, e Atlético-PR, para o sub-23. A Raposa ofereceu luvas de R$ 250 mil pelo jogador, mas ele abriu mão. Preferiu esperar o Santos colocar a casa em ordem, como de fato ocorreu.

Até que em abril de 2015 o Santos enfim acertou a renovação do zagueiro que correu sério risco de perder. O novo vínculo tem duração até março de 2017, e o Santos é dono de 80% dos direitos econômicos nesta nova configuração, contra 20% dos empresários. O Santos até pagou luvas na assinatura do novo contrato, mas de R$ 10 mil, bem distante dos R$ 250 mil que receberia do Cruzeiro. Mas e daí?

– Estou feliz no Santos. Hoje vivendo a tensão de ser o último ano de sub-20, mas eu sei que sou observado e vou continuar trabalhando. Por enquanto está nos comentários do pessoal sobre subir para o profissional. Eu vou continuar fazendo o meu – diz.



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