Melhor aproveitamento do país entre os times de Série A também pensa na base



São 89% de aproveitamento em 22 partidas na temporada, com 19 vitórias, dois empates e somente uma derrota. Os números do Vitória são surpreendentes em 2017, ano em que soma o melhor rendimento do futebol nacional entre os times de elite do Campeonato Brasileiro. Apesar da alta exigência de seus compromissos e até da responsabilidade aumentada em razão das estatísticas positivas, o Leão da Barra não deixa de lado um aspecto importante do dia a dia de um grande clube: suas categorias de base.

A nova gestão da base do clube baiano, empossada no início deste ano, tem buscado acrescentar ideias e melhorar os métodos de trabalho em três frentes: busca de talentos, formação técnica dos jogadores e também a transição para o profissional.

– O Vitória tem tradição em revelar atletas, e esse é um processo que vem sendo utilizado há mais ou menos 25 anos. No elenco atual, Caique, José Welison, Vinicius, Euler, David e Jhemerson são jogadores que posso dizer que estão atuando com frequência e mantendo essa filosofia do clube. Esse é um processo integrado entre base e profissional, onde um detecta o talento, seleciona, forma e o outro oportuniza o acesso ao time principal – diz ao blog Nelsinho Góes, superintendente da base do Vitória.

Em 2017, David (nascido em 1995), José Welison (1995), Euller (1995), Jhemerson (1997), Vinicius (1995) e Caique (1997) tiveram chance no time profissional. Eles atuaram no seguinte número de partidas: 19, 13, 12, 10, 5 e 5. David, inclusive, tem quatro gols marcados e é o quarto artilheiro do time no ano.

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Busca de talentos

Em quatro meses, o Vitória triplicou o número de captadores em suas categorias de base. Até dezembro, eram dois profissionais em observação de competições, especialmente no Nordeste, e busca de novos talentos. Agora são seis pessoas com essa missão. Até geograficamente, a equipe expandiu a prospecção de jogadores.

Formação técnica

A base do Vitória é contra o modelo de uniformização tática das equipes de base, em que as categorias menores espelham o modelo tático do time profissional. A principal alegação do comando da base é a rotatividade de técnicos. E também uma ideia, a longo prazo, de criar o “modelo Vitória”, da base ao profissional.

– Quando o treinador do profissional está ganhando, indo bem, podemos seguir o modelo dele. Mas e se ele recebe uma proposta, vai embora e vem outro com filosofia diferente? Como fica a cabeça dos garotos? O que pensamos é ter o nosso modelo, criar nossa metodologia, nosso conceito. A longo prazo essa é a ideia – explica Luciano Reis, coordenador da base.

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O Vitória também iniciou há pouco tempo uma rotina de reuniões semanais, que funciona mais como uma espécie de grupo de estudos envolvendo dirigentes, treinadores e preparadores da base, visando criar conceitos e trocar informações sobre promessas e projeções. A própria decisão de não uniformizar taticamente as categorias de base foi fruto de uma discussão conjunta.

Neste ano, o Vitória também voltou a realizar partidas preliminares envolvendo a base antes de seus jogos como mandante pelo profissional. Segundo Luciano Reis, a preliminar “cria identificação com torcida, imprensa, acostuma os jogadores às pressões e os torna conhecido”. Em alguns casos, segundo relatos ouvidos pelo blog, os meninos estranhavam gramados de melhor qualidade quando o time avançava nas fases das competições. Agora, com as preliminares, a tendência é que o dano seja diminuído.

A partir dos próximos meses, a ideia do Vitória é voltar a participar de competições internacionais na base.

Transição

Além dos constantes treinos de algumas promessas da base entre os profissionais, o clube valoriza a “sinergia” entre os departamentos de futebol profissional e de base. Outro plano do Vitória para os próximos anos é o desenvolvimento de uma equipe sub-23. Para sair do papel só depende da CBF.

– Ter uma categoria a mais por simplesmente tê-la não desenvolve os jogadores. Quando a CBF fizer uma competição nacional, aí sim terá razão. Chegaram notícias de que vai existir, mas agora estamos planejando e aguardando uma informação oficial. Quando houver a decisão da CBF já tenho uma decisão da diretoria do Vitória de que vamos investir nisso – expõe Luciano Reis.

E os maus negócios?

Apesar do momento de boas perspectivas, o Vitória tem um histórico recente de negócios polêmicos: o clube trocou porcentagens de direitos econômicos de jogadores promissores da base por fatias de atletas profissionais já consagrados, abrindo mão da possibilidade de projeção em nome de resultados imediatos.

Foram quatro principais transações recentes: Giovane e Ruan Café por Kieza (São Paulo), Nikson por Gabriel Xavier (Cruzeiro) e Yan por Cleiton Xavier (Palmeiras). Questionado sobre o assunto, Reis joga a culpa para a antiga diretoria.

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– Assumimos em 2 de janeiro, não podemos falar sobre essas trocas. Posso falar que no começo de janeiro alguns clubes procuraram o Rafaelson, mas decidimos que não faríamos negócio e aproveitaríamos o garoto, que hoje está no profissional e é artilheiro do Baiano sub-20. Posso falar que Yan por Cleiton estava praticamente feito quando assumimos. Mas também posso dizer que com a nova diretoria isso dificilmente aconceteria. Nossa política é valorizar os meninos, nossa prioridade é a base.

Curiosidades

– O Vitória já teve sete jogadores convocados para a Seleção Brasileira na disputa de Mundiais sub-20.

– No ano passado, o Vitória teve nove jogadores convocados para as Seleções de base, liderando o número de convocações nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

– Sinval Vieira, atual diretor de futebol do Vitória, foi diretor da base na última década, e um dos responsáveis pela projeção de nomes como Anderson Martins, David Luiz e Wallace.

– Atual técnico campeão sul-americano sub-17 pela Seleção Brasileira, Carlos Amadeu trabalhava no Leão antes de topar o convite da CBF.



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