Vai um veda-porta aí? Não peça ao Mateus Pitbull, pois agora ele joga pelo Atlético-GO



Extra! Extra! Extra! Donas de casa de Guarulhos precisaram redobrar a atenção com infestações de ratos, baratas e insetos em seus bairros nos últimos meses.

Calma, esta não é a manchete de nenhum telejornal sensacionalista da Grande São Paulo. É que um vendedor de veda-portas (aquele objeto que é instalado nas portas e protege a casa da entrada de animais rasteiros ou poeira) encerrou as atividades para se dedicar à profissão de jogador de futebol. Desiludido com o esporte em diversos momentos de sua trajetória, Mateus Santos de Souza trabalhou no comércio destes objetos durante algum tempo e só parou para se entregar ao maior desafio da vida: um contrato profissional com um time da Série A do Campeonato Brasileiro.

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Mais conhecido como Mateus Pitbull, o atual lateral-esquerdo titular do sub-20 do Atlético-GO nasceu em Guarulhos, em dezembro de 1998, e já deu até assistência em clássico que rendeu a liderança da Copa Goiás sub-19 ao seu time, onde chegou no mês passado. O torneio é o último desafio antes da badalada Copa São Paulo de Juniores, que marcará de vez a volta por cima do jovem jogador.

Das escolinhas do Corinthians e da Portuguesa na infância, Mateus já defendeu Matsubara-PR, Santo André, AD Guarulhos e Diadema antes do Dragão. O problema é que as dificuldades foram imensas: na Lusa, nunca conseguiu ser titular e foi dispensado depois de apenas um ano, no Matsubara assistiu à falência do time enquanto estava no elenco, no Diadema passou só quatro meses e no Ramalhão menos ainda, apenas dois meses antes de ser liberado para procurar novos rumos. A quantidade de “nãos” desanimou.

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– Comecei a jogar bola com oito anos e sempre tive o sonho de ser jogador. Só que com o passar dos anos você vai começando a ver que futebol não é só alegria, tem um tempo que deixa de ser diversão e passa a ser profissão. Então quando não dá certo você pensa em desistir. Você passa dificuldades em alojamentos, se desanima, se pergunta se é para ser daquele jeito mesmo, um monte de coisas. E quando você está sem clube percebe que depende dos seus pais, que não está conseguindo emprego e o tempo está passando. É muito difícil… – reflete Mateus, que só conseguiu viver algumas das alegrias proporcionadas pelo futebol com a camisa do AD Guarulhos, onde foi federado, disputou uma edição da Copinha e até a Segunda Divisão entre os profissionais.

Em um desses momentos de contas apertadas é que surgiu a história do veda-portas. Tratava-se de um negócio familiar, tocado junto com um primo. Ele comprava os itens, fabricava os objetos e Mateus ajudava com a parte das vendas. O veda-porta da família Santos de Souza custava R$ 15, sendo que um terço do lucro ficava com Mateus e o restante com o primo. Os produtos eram divulgados em sites de anúncios e pelas redes sociais e o jogador já dominava o mercado em Guarulhos e região.

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– Eu era um bom vendedor na medida do possível (risos). No começo vendia bastante, mas depois deu uma parada. Eu conversava com muitas pessoas, mas a melhor estratégia era para as mães dos amigos e as senhoras do meu condomínio. E eu mesmo instalava! – diverte-se o ex-vendedor de veda-portas, que só largou o comércio quando pintou a chance de defender o Atlético-GO.

– Fui indicado para lá por um amigo que conheci no futebol e ia fazer testes, mas meus empresários negociaram, os caras gostaram de mim e me chamaram. Só tenho a agradecer a Deus por essa oportunidade de mostrar meu futebol, o que eu realmente sei fazer. Sempre dei valor às minhas chances no futebol, mas depois dessa experiência é que vi que o mundo fora do futebol também não é nada fácil em questão de emprego e tudo mais.

Conhecido como Pitbull, segundo ele por causa “do chute forte, da raça em campo e da cara emburrada”, Mateus agora dá seus passos como jogador em Goiânia. Caso haja uma infestação de insetos rasteiros por lá ele já sabe muito bem o que fazer.



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