FPF limita debate, mas inova com seminário sobre futebol de base



A Federação Paulista de Futebol promoveu ao longo desta segunda-feira o 1º Seminário de Categorias de Base do Estado de São Paulo. O objetivo do evento foi discutir mudanças em campeonatos, modelos, categorias e formação esportiva e pessoal de atletas. Foram realizadas quatro palestras, além de discursos de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, Mauro Silva, responsável pelo departamento de integração com atletas, e Ednilson Corona, presidente da comissão de arbitragem.

As palestras foram sobre os seguintes temas: “Apresentação do formato categoria sub-11, conforme recomendações da Fifa”, “Planejamento de carreira e formação integral nas categorias de base”, “Categoria sub-23: sua implantação é válida?” e “Construção do modelo de jogo das categorias de base e da equipe profissional”.

Presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos abriu o seminário (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)

Presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos abriu o seminário (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)

Comparecem aos painéis dirigentes de boa parte dos clubes filiados à FPF e pessoal da própria entidade, além de convidados dos dirigentes, mas a entrada da imprensa, de maneira ininteligível, foi barrada. Li há alguns meses um texto do Eduardo Barros, auxiliar técnico do Oeste/Audax e articulista da Universidade do Futebol sobre “o papel da imprensa na evolução técnica do futebol brasileiro”.

Barros diz, aqui de modo resumido, que “quanto melhor a imprensa conhecer especificamente a modalidade, maior a criticidade levada ao torcedor”. Concluo, portanto, que não há razão para que setores importantes do debate esportivo sejam deixados de lado em eventos como um seminário sobre categorias de base.

Além desta e outras limitações impostas no evento, como o esquecimento da apresentação da Seleção sub-20 para amistosos e consequente ausência de personalidades importantes no debate, como o coordenador da base da CBF, Erasmo Damiani, houve a reverberação de discursos antiquados entre os dirigentes, tornando em muitos momentos raso o debate sobre as mudanças necessárias para o desenvolvimento da base brasileira. “Ninguém forma melhor que os clubes brasileiros”, “nós é que temos que ensinar lá fora”, entre outros “argumentos”. Talvez um dos grandes desafios do futebol nacional seja justamente a mente fechada de seus gestores.

– Há um curso de gestão da CBF voltado a diretores, coordenadores, e esse seminário que está acontecendo aqui é exemplo também. Hoje há a necessidade da capacitação em todas as áreas, e isso há que se chegar a diretores de clubes e de federações. A ideia é que se tenha capacitação de toda a cadeia de tomada de decisões, desde a parte de governança até a parte técnica. Isso fará com que o futebol brasileiro se desenvolva mais do ponto de vista técnico e de negócios – admite Mauricio Marques, instrutor Fifa, coordenador técnico dos cursos da CBF e um dos palestrantes desta segunda-feira.

Além de Marques, também palestraram Gabriel Almeida (psicólogo do São Paulo e instrutor da CBF em psicologia do esporte), André Mazzuco (diretor de futebol do Red Bull Brasil), Carlos Guilherme Dalla Dea (técnico da Seleção Brasileira sub-15), Irineu Loturco (diretor técnico do Núcleo de Alto Rendimento Esportivo), Rodrigo Leitão (coordenador das categorias de base da Ponte Preta), Roque Júnior (ex-jogador e técnico formado pela CBF) e Eduardo Baptista (técnico da Ponte Preta).

Evento teve presença de gestores de diversos clubes do Estado (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)

Evento teve presença de gestores de diversos clubes do Estado (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)

TEMAS DE DEBATE:

Categoria sub-11: Palestrante mencionou as modificações recomendadas pela Fifa para serem aplicadas na categoria, como a redução do número de jogadores em campo, do gramado e até mesmo da bola. A ideia é aumentar o contato do jogador com a bola e forçar a tomada de decisões dos meninos cada vez mais cedo.

Formação integral: Debate importante sobre a responsabilidade social dos clubes: mais do que formar jogadores, a ideia é formar os meninos para que eles possam ter outras profissões futuramente. O psicólogo do São Paulo falou até em “estratégia de desenvolvimento humano”. Houve questionamentos sobre custos de uma estrutura para formação integral, mas a conclusão geral foi de que ajudar a desenvolver acaba sendo um bom negócio de qualquer forma.

Categoria sub-23: Debate antigo, mas novamente levado à tona por conta da criação do Santos B. Visão dos especialistas é de que a formação esportiva não acaba aos 20 anos, e uma nova categoria faria com que menos talentos fossem perdidos. Novamente, houve questionamentos sobre os custos, mas a mesa passou a impressão de que o sub-23 pode, ao contrário, render ativos financeiros aos clubes: bilheteria em jogos, premiações em torneios e até negociações e utilização de atletas. Uma questão aberta do debate foi a seguinte: a base ou o profissional seriam responsáveis pela gestão do sub-23? No Santos, há um departamento específico para a categoria.

Modelo de jogo: Eduardo Baptista foi o centro das atenções, já que trouxe exemplos práticos à mesa. Segundo o treinador da Ponte Preta, os departamentos de futebol profissional e de base são bem integrados, e conceitos de jogo que servem a um também servem a outro.



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