Seleção sub-20: Acostume-se a passar sustos. E provavelmente a ver bom futebol



A Seleção Brasileira sub-20 estreou na noite deste domingo pelo Mundial da categoria, disputado na Nova Zelândia. Diante da Nigéria, seleção campeã africana e fortíssima candidata à conquista de mais uma Copa do Mundo neste ano, o Brasil apresentou sua nova cara sob o comando do técnico Rogério Micale. Substituto de Alexandre Gallo, o treinador de 46 anos teve exatos 20 dias para assumir uma convocação feita pelo antecessor e impor seu estilo de trabalho.

Passada a goleada por 4 a 2 contra a Nigéria, é possível dizer que tudo isso aconteceu. Há quem possa afirmar, com razão, que os dois gols dos africanos saíram em falhas da defesa brasileira. De fato, João Pedro, Marlon, Lucão, Jorge e principalmente Danilo estiveram mal posicionados em diversos momentos da partida, o que pode ser explicado por uma das estratégias de jogo mais comuns de Rogério Micale, e aplicada por anos e anos no Atlético-MG sub-20: a marcação alta, no campo de defesa do adversário.

Com Micale, o Atlético-MG era um time que sufocava seus adversários, com contra-ataque atrás de contra-ataque, no maior estilo kamikaze. Ou suicida, como preferir. O Brasil, como era o Galinho, sobe a marcação e propõe o seu jogo. Por isso, também, que João Pedro estava bem posicionado no campo ofensivo para servir Gabriel Jesus logo no comecinho. Tem ônus e bônus, então é bom se acostumar a passar sustos. Mas principalmente, a ver um futebol com características bem brasileiras.

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Hoje, o conceito de jogo é totalmente diferente daquele que foi aplicado no patético Sul-Americano sub-20. De um time sem opções, que apostava na ligação direta e na bola parada, o Brasil hoje é uma equipe que toca a bola. Os atacantes laterais, Gabriel Jesus e Marcos Guilherme, têm bom passe e exigem a aproximação de João Pedro e Jorge para tabelar. Essa é a ideia de Micale: privilegiar o bom futebol e a técnica individual de olho no benefício coletivo.

Claro que ajustes são necessários. A defesa deu muito espaço e em determinado momento do primeiro tempo chegou perto de ver a Nigéria abrir 3 ou 4 a 1. Por sorte, e competência do goleiro Jean, isso não aconteceu. Além disso, Boschilia não é reserva. Tem grande técnica e inteligência, mas, principalmente, é disciplinado taticamente, sabe o que se espera de um meia armador. O jogador do São Paulo pode ser a chave do entrosamento do sistema ofensivo, e também é recomendado o teste ao lado de Andreas Pereira, não um pelo outro.

Dá pra melhorar, claro. Mas agora há um princípio de esperança.



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