Promessa evolui no Paraná e adia sonhos para fugir dos empresários: ‘Sem pressa’



Um grupo de empresários que representa jogadores da Seleção Brasileira e de grandes clubes do país e do mundo colocou na mesa do Paraná Clube uma quantia próxima de R$ 1 milhão para assumir os direitos econômicos do meia Jhonny Lucas, de 17 anos. O clube da Série B do Brasileirão detém 100% dos direitos, tem contrato até outubro de 2019 e não fez negócio. Assim, o menino segue em transição das categorias de base para o time profissional, aguarda a chance de ser relacionado para uma partida oficial e mantém a rotina de treinamentos e jogos pelo sub-19. Sair do Paraná? Por enquanto não.

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– Os empresários compram os direitos, como fazem com muitos meninos, e depois? Vão fazer o que com ele? O Jhonny não precisa disso. O plano de carreira dele já está pronto: basta acertar a bola no gol. Falamos claramente aos empresários que nos procuram que a ideia é de não fazer parceria nenhuma. Nos dizem que é melhor para o menino estar nas mãos de grandes empresários. Melhor para quem? Enfim, estamos na contramão. Eu sei. Espero que dê certo – explica Mazola, tutor da promessa do Paraná e que não quer ser reconhecido pela alcunha de “empresário”.

Mazola, com apoio de Jhonny Lucas, traçou um projeto de carreira para o menino diferente do que tem sido praticado com outros jovens pelo país. A ideia é não fechar contrato de representação com nenhum empresário, negociar diretamente com o clube detentor dos direitos e crescer de patamar à medida da evolução profissional. Seguir na contramão, porém, cobra um preço alto: sem agentes e circulação de grandes quantias de dinheiro, o garoto tem adiado seus maiores sonhos.

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– Ainda não estou conseguindo ajudar muito em casa, mas está nos planos – ele revela, ao que Mazola completa.

– A família dele é de pessoas simples, humildes. O pai morreu quanto ele era bem garoto e a mãe é dona de casa. O Jhonny tem esse sonho de dar a primeira casa para ela sair do aluguel. Empresários já apareceram tentando dar isso, mas não quisemos. Vamos esperar. O primeiro dinheiro bom que entrar ele usa com isso. Hoje moramos a 40 km da casa da mãe, mas ele telefona todo dia, até comprou um telefone novo para ela – explica o tutor.

A mãe de Jhoony, dona Cleonice, mora com Jean, irmão mais velho do menino do Paraná. Jean também tentou carreira no futebol, mas desistiu cedo e agora se prepara para fazer faculdade de Educação Física.

Do futsal ao campo

Jhonny começou sua trajetória no futsal, aos cinco anos. Logo cedo já começou a treinar no Paraná, onde fez amizade com muitos garotos que sonhavam trilhar o caminho no esporte. Foi no clube que conheceu Tata, um de seus melhores amigos de infância e filho de Mazola, a quem escolheu para cuidar de sua carreira. A dupla começou no sub-7 do salão e se transferiu para o campo no sub-11, mas ainda não completamente. Os meninos revezavam três dias de trabalhos no campo e dois no salão, para melhorar a transição. Naquele momento, Jhonny já começou a se sobressair.

– Não pensávamos em seguir carreira ou nada assim, mas o pessoal da Gazeta do Povo, o maior jornal aqui do Paraná, viu e fez uma reportagem. Aí seguiu a vida. Do nada, empresários começaram a me procurar e eu vi que tinha ficado sério – explica Mazola, que administra um restaurante e um estacionamento em Curitiba e jamais havia trabalhado profissionalmente com futebol. Até Jhonny, de quem assumiu o gerenciamento da carreira aos 11 anos.

O jovem talento do Paraná manteve a rotina dupla, no campo e no salão, até pouco antes de começar a treinar no time profissional, do técnico Cristian de Souza. Nestes anos, teve tempo de ser eleito como destaque do futsal local em cinco temporadas difrentes. Tanta insistência no futsal é explicada por alguns nomes: Tcheco, Ricardinho, Marcelo Lipatin, Giuliano, Kelvin… todos com passagens robustas pelo futsal do Paraná antes da profissionalização.

Ao lado de Luiz Gustavo "Tata", filho de Mazola, irmão de criação (Foto: Reprodução/Instagram)

Ao lado de Luiz Gustavo “Tata”, filho de Mazola, irmão de criação (Foto: Reprodução/Instagram)

Futuro já começou

O garoto de 17 anos ainda não estreou profissionalmente pelo Paraná, mas treina com o elenco principal à espera de uma brecha. Além dos treinamentos do dia a dia, ele faz trabalhos à parte em um campo do bairro do Capão Raso, em Curitiba. Com preparadores particulares, aprimora cabeceios, finalização e cobranças de falta e escanteio. Os fundamentos que já eram elogiados nas categorias de base estão ainda mais no foco. O objetivo? Não decepcionar.

– Sempre foi meu sonho jogar pelo Paraná e estou vivendo isso agora. Não sei se vai ser esse ano, mas estou trabalhando para isso, esperando uma chance, amadurecendo. Comecei os treinos há duas semanas, estou sentindo um pouco de dificuldade, mas é normal, estava preparado para isso. As pessoas me falam para manter a tranquilidade, não ter pressa, não me empolgar muito, porque é transição – explica o garoto.

Nestas últimas semanas, Tcheco passou de ídolo a conselheiro e tem acompanhado e feito avaliações com a promessa, que frequentemente é utilizado em jogos pelo time sub-19 – inclusive nesta sexta-feira, contra o Atlético-PR, no Estadual da categoria.

Hoje, Jhonny Lucas ainda é patrocinado por uma grande empresa fornecedora de materiais esportivos. O contrato não prevê nenhuma quantia em dinheiro, mas somente entrega de kits de materiais, como chuteiras, tênis e camisetas. O dinheiro ainda não chegou, mas a atenção das pessoas do meio do futebol já é uma realidade para a promessa do Paraná, que mantém os pés no chão.

– Eu fico feliz de escutar coisas boas, ver tudo isso acontecer, mas tenho a cabeça boa e quem cuide disso para mim. Procuro só jogar bola mesmo. Sem pressa.



  • Joao Dos Reis

    esses empresários estão acabando com o futebol no brasil cambadas de urubú juntos com dirigentes desonestos só pensam em si e não nos times em santos aqui no meu peixão eles fazem filas atrás de revelações

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