Promessa brasileira foge do tênis e ‘ganha asas’ na Áustria: do idioma à nova posição



Do futsal de Osasco campeão estadual à base do São Paulo, depois ao Santos, ao Grêmio, ao Red Bull Brasil e, desde julho, à Europa. Apesar de curta, a trajetória do atacante Vítor Araújo, mais conhecido como Vitinho, é movimentada. O desafio atual, por exemplo, é pelo FC Liefering, uma equipe da Áustria que trabalha como time B do já tradicional e heptacampeão nacional Red Bull Salzburg. A promessa brasileira nascida em janeiro de 1998 está no clube há pouco mais de um mês e já está sofrendo. Ou melhor, “leiden” (em alemão).

– A cidade aqui é boa demais, bem tranquila de morar. O perrengue é a língua, né? O alemão. Fazia aula de inglês no Red Bull, mas poucas pessoas falam. Agora estou fazendo o alemão duas vezes por semana, mas quando não vem o tradutor eu acabo entendendo bem pouca coisa. Às vezes o pessoal tira onda quando eu falo uma palavra meio errado, mas está tranquilo (risos). Já estou conseguindo pegar ônibus, táxis, estou saindo… Outro dia fui para Munique e me virei bem – orgulha-se o jogador brasileiro.

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Vitinho parou no Liefering para ser observado de perto pelo Red Bull Salzburg, o time mais vencedor vinculado à marca de energéticos no mundo. Ele foi destaque em competições na Europa quando ainda atuava pelo Red Bull Brasil e foi avaliado por uma semana. Depois deste período os austríacos mostraram interesse e contrataram a promessa por empréstimo de um ano, até o meio de 2018, junto com o também brasileiro Rodrigo Angelotti. Neste período, a dupla tem possibilidade de ir para Salzburgo ou até mesmo Leipzig, na Alemanha, onde o Red Bull disputa a elite nacional e a Liga dos Campeões da Europa.

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Foi justamente a possibilidade de atuar no futebol europeu que despertou o interesse de Vitinho em defender o Red Bull Brasil ainda na categoria sub-20. Antes disso ele havia treinado por quatro anos na base do São Paulo e depois disso jogou entre o sub-13 e o sub-16 no Santos antes de ir para o Grêmio, onde esteve na categoria sub-17 e saiu pouco antes da assinatura do primeiro contrato profissional. Apesar de um convite do Corinthians que causou litígio no Grêmio, ele foi convencido a fechar com o Red Bull pelo convite de um ex-técnico do Santos. Em idade de juvenil ele já chegou entre os juniores e rapidamente se destacou.

A movimentada trajetória no futebol que encontra seus capítulos atuais na Europa por pouco não aconteceu em outro esporte…

– Meu pai é professor de tênis. O nome dele é Lourival, mas todos chamam de Terra. Ele chegou a jogar e depois virou professor. Meu irmão mais velho também esteve em campeonatos e tudo, mas eu nunca tentei. Sei jogar, já brinquei, mas meu negócio sempre foi futebol mesmo – contra Vítor, que ainda viu o irmão Caio desistir do tênis (e do futebol) para cursar Engenharia Civil e a mãe sofrer de saudade em casa.

– A primeira vez em que saí de casa foi com 13 anos, mas foi para Santos. Eu ficava com a família de um menino que jogava lá até aparecerem empresários que começaram a ajudar pagando o aluguel para minha mãe. Mas até então era perto, 1h30 estava em casa. Quando fui para o Grêmio foi um pouco mais difícil, cheguei a ficar dez meses sem ir para casa. Mas agora não tem como mesmo. Minha mãe chorou demais quando ficou sabendo que eu viria para a Europa. Ela chorou todas as vezes, né? Mas dessa vez ela chorou mais. Dona Iraneide é quem me levava para as escolinhas, criou super bem a mim e ao meu irmão e agora estou no caminho para dar orgulho a ela.

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Vitinho quer fazer carreira no futebol europeu. Ele não abandona totalmente o sonho de atuar em grandes clubes do Brasil, mas o plano atual é de se firmar fora do país e construir uma carreira firme no futebol profissional. Um dos processos que faz parte desse objetivo é evoluir tecnicamente, como jogador mesmo. E ele não foge das responsabilidades.

– Red Bull, Grêmio e Santos joguei só de atacante e sempre me destaquei pela velocidade e também pela técnica, que trago do futsal. Mas aqui tenho jogado de ponta e também de lateral-esquerdo, pediram para eu aprender essa posição porque iria me ajudar. Estou me esforçando. Será importante essa versatilidade. Igual o idioma.



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