Projeto social de Osasco usa esporte contra drogas e quer formar jogadores de Seleção



O projeto “Tolentino Esportes”, comandado pelo ex-goleiro José Silva Tolentino, existe há 15 anos e atende cerca de 110 jovens até 17 anos em Osasco, importante cidade de mais de 600 mil habitantes da região da Grande São Paulo. Os garotos treinam futebol de segunda a sexta-feira, das 8h, às 11h, às vezes à tarde também,  com orientação esportiva constante e estrutura na área pedagógica, com a finalidade de inclusão social a partir do esporte.
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Nos últimos anos, o projeto bancado por doações e parcerias com comerciantes da região e ex-jogadores, tem começado a ver resultados espalhados pelos campos do Brasil. Há poucas semanas, cinco garotos foram aprovados no Desportivo Brasil, clube empresa da cidade de Porto Feliz. Além deles, já passaram por lá nomes como Dener, hoje no Figueirense, Rodinei, Paulo Jefferson, Petric e Kauê, jovens destaques da Ponte Preta, e Alef, zagueiro do Joinville.No projeto de Osasco, os adolescentes precisam incorporar uma filosofia de trabalho baseada nas regras de disciplina militares, e não só por uma opção do coordenador, mas sim porque o campo de treino funciona dentro de um quartel do Exército Brasileiro. Na Vila de Quitaúna, dentro do prédio do Aquartelamento Duque de Caxias, sob os olhares do grupo do 4° Batalhão de Infantaria Leve, é que os 110 garotos desenvolvem suas habilidades com horários rigorosos, quase nenhuma divulgação e amistosos combinados de vez em quando contra forças emergentes do Estado.

– Quando montei a escolinha eu tinha uns 400 alunos que pagavam mensalidade, mas era muito moleque sem condição de virar atleta. E meu objetivo sempre foi formar atletas com nível de clube. Por isso, na época, reuni 250 e disse que eles não continuariam. Alguns pais ficaram bravos comigo, outros entenderam, mas fiquei com uns 150 e fui diminuindo. Meu trabalho hoje é pegar os meninos, selecionar e dar trabalho de clube para eles pelo menos não passarem vergonha quando forem fazer testes, por exemplo. Está dando certo – diz Tolentino, que ainda assegura cobrar mensalidade só de quem pode pagar.

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Um dos destaques do Tolentino Esportes nas últimas semanas tem sido o garoto que aqui chamaremos de Bento, de 16 anos. Ele é nascido na própria Osasco e joga futebol de bairro desde criança. Mais um desses sonhadores da bola.Ano passado, no entanto, aproveitou o tempo livre de outra forma. Nas drogas. Caiu na conversa dos outros, como em quase toda história com fim triste. No humilde bairro da Padroeira, a dependência logo virou negócio. No fim de março deste ano, Bento foi flagrado em uma revista policial com pequenas porções de drogas, segundo ele para uso próprio, e mais algumas notas de real amassadas no bolso, provável fruto de “aviãozinho”.

Ali, Bento não tinha futuro. Se jogou no crime sem razão, ou porque não tivesse razão para fazer outra coisa. Escondia o rosto da polícia, dos amigos, dos desconhecidos, de qualquer um. Bento traçava uma linha de vida perigosa, levado pelas drogas à criminalidade. Uma história que certamente envolveria muito sofrimento e perdas. Mas toda história pode mudar.

No meio do caminho, Bento descobriu o projeto social de Osasco. Passado o medo inicial de jogar bola num quartel de soldados, o garoto de 16 anos começou a rotina de treinos e se surpreendeu por não ter que pagar nada. O único preço é disciplina. Agradou, ganhou uniforme e ficou. Disputou um amistoso contra o Desportivo Brasil e recebeu olhares interessados da comissão técnica do clube-empresa. Agora, Zé Silva Tolentino diz que até o Corinthians está observando.- Já tive muitos moleques envolvidos com droga e consegui tirá-los trazendo para treinar, ocupando o tempo deles e levando para clube. Aos poucos, o garoto vai parando de ouvir as influências ruins… No caso do ‘Bento’ ele tem feito trabalhos comunitários, assina documento de presença todo dia no fórum, mas todo mundo já sabe que ele mudou. O Fininho, ex-jogador do Corinthians, e o Coelho, que está trabalhando lá no sub-20, vieram aqui, se interessaram e ficaram de encaminhar. Estamos aguardando – diz.

Mais amistosos estão marcados e o sonho de ser jogador não está longe de virar realidade. Não tão longe quanto já esteve.

– Eu tenho certeza que o esporte é a maior ferramenta de combate à criminalidade, às drogas e ao banditismo que tem por aí. Todo garoto tem algum talento, basta ser incentivado. Os meninos precisam ter oportunidade, e esse é o único jeito do nosso país caminhar para frente. Eu faço o que dá para tentar ajudar… – reflete o “general” Tolentino.

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