‘Parceria monstra’: unida na Série D, dupla ex-Santos conta história: Itália, operação…



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Um é meia, o outro é lateral. Um é de Barra Bonita, o outro é de São Carlos. Um nasceu em fevereiro, o outro em novembro. Um ainda não tem família formada, o outro já é pai de família. É possível dizer que não há muito mais diferenças entre os dois… Até o nome é o mesmo! Rafael Oller e Rafael Compri são jovens jogadores profissionais de futebol que caminham lado a lado desde 2013: São Carlos, Santos e atualmente URT-MG, que briga pelo acesso na Série D do Campeonato Brasileiro.

Neste domingo, a URT visita o Villa Nova no estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima-MG, às 16h. Depois do empate sem gols em Patos de Minas, o time da dupla de Rafaéis busca a vitória para passar às quartas de final e manter vivo o sonho de acesso à Terceira Divisão do futebol nacional. Além dos objetivos da equipe, Oller e Compri também brigam dia a dia pelo almejado lugar ao sol de cada um. Ou dos dois.

– Você tem que se doar muito mais para conquistar as coisas em uma Série D. Temos que aprender e adquirir experiência, é a única saída. Eu acredito no meu potencial e no potencial do Oller e sei que algum de nós vai chegar longe ainda. Ou pode ser os dois também, tem que trabalhar – conta Rafael Compri, lateral, alguns meses mais jovem do que o parceiro.

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A parceria começou em 2013, no sub-20 do São Carlos, clube do interior de São Paulo. Os dois foram promovidos juntos e estrearam profissionalmente na mesma partida da Copa Paulista, contra a Inter de Limeira. Daí nasceu a amizade, que só teve uma breve interrupção em 2014, quando Oller teve uma experiência fora do país. Quando voltou, assinou contrato com o Santos. E sabe quem já estava lá? O Compri, claro.

Ambos finalizaram a formação na base do Peixe, atuaram juntos no recém-criado Santos B e também retornaram juntos ao São Carlos no fim do ano passado. Lado a lado, também, foram emprestados à URT em 2017 e hoje tentam a sorte na Série D. Ao fim do campeonato ninguém sabe o que vai acontecer, mas é quase certo que a dupla se manterá unida.

– Alguns treinadores veem os meus vídeos ou os vídeos dele para contratar e acabam vendo e gostando do outro também, porque várias jogadas são conosco fazendo um, dois. Jogamos muito melhor juntos, o entrosamento é bom dentro e fora de campo – diz Oller, que ainda completa:

– Somos tipo irmãos, a gente sempre se ajudou no futebol. Porque não é fácil morar em alojamentos, às vezes até mesmo a alimentação não é das melhores, então como ele morava em São Carlos eu sempre ia para a casa dele, os pais dele também sempre me tiveram como filho… Estamos aí nessa parceria até hoje.

Histórias, nossas histórias…

Rafael Oller começou no futebol na cidade de Barra Bonita, onde nasceu em 1995. Nos jogos regionais, enfrentou o time de São Carlos, arrebentou e foi chamado para testes. Depois de duas semanas, foi aprovado e contratado para as categorias de base. Foram dois anos no sub-20 até a estreia profissional na Copa Paulista de 2013. Depois, atuou na Copa São Paulo de Juniores de 2014 e em seguida na Série A3 do Paulistão.

O bom rendimento chamou atenção de analistas e observadores de todo o mundo. Literalmente. Em setembro de 2014, Rafael Oller teve anunciado seu empréstimo ao Hellas Verona, da Itália. Foi apenas uma temporada na Europa e nenhum jogo disputado, mas o suficiente para proporcionar experiências inesquecíveis.

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– Infelizmente teve um problema de documentação, que fez eu não permanecer depois, mas a experiência foi muito boa. Eu aprendi muito taticamente, cresci como pessoa, conheci uma nova cultura… Foi muito especial.

Na volta ao Brasil, Rafael Oller acertou por dois anos com o Santos, novamente emprestado pelo São Carlos. Lá, reencontrou o parceiro Rafael Compri em um ano pelo sub-20 e mais um ano pelo time B. Após o fim do empréstimo, o Peixe não teve dinheiro para comprar os direitos econômicos da dupla, que voltou ao interior e foi repassada ao URT para disputar um torneio nacional. A frustração pelo fim da passagem pelo Santos virou esperança de triunfar por baixo.

Rafael Compri começou no futebol aos 13 anos, em uma escolinha de São Carlos. Aos 15, entrou no clube da cidade para iniciar a trajetória nas categorias de base. Ele jogou o Paulista sub-15 de 2010, teve o rendimento bem avaliado, e logo depois passou pela maior provação da curta carreira.

– Antes de começar os campeonatos você sempre faz os exames, e em 2011 fiz e fui pego com um problema no coração. Ou seja, eu joguei o sub-15 com risco de vida, porque foi só depois que apareceu esse negócio, que era parecido com arritmia. Pensei em parar na hora, porque podia ser um risco, eu não poderia praticar esporte mais. Eu chorei demais, mas queria dar um jeito de continuar jogando – diz Compri, que completa a própria história de superação.

– O médico me deu um ultimato: disse que eu poderia viver uma vida normal sem praticar esportes que exigiam muito esforço físico, eu viveria tranquilo, mas que se eu quisesse realmente jogar bola teria que fazer uma operação de risco. Eu era uma criança, só 14 anos, mas respondi na lata que queria. Meu pai e minha mãe me abraçaram e concordaram. Eu amo futebol, eu queria isso na minha vida. E corri um risco pelo futebol. Mas foi uma escolha e tanto, né? – diverte-se ao relembrar, anos depois.

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O jovem lateral do São Carlos perdeu um ano no futebol, mas voltou em 2012. Precoce e fortalecido, despontou no clube e chegou ao profissional com apenas 16 anos. Em 2013 fez a estreia profissional, em 2014 foi destaque na Copa São Paulo de Juniores na campanha em que o São Carlos chegou às oitavas de final, e em 2015 marcou história no clube: fez o primeiro gol internacional da história do São Carlos durante uma excursão à Turquia.

A seguir, o empréstimo ao Santos, primeiro grande clube da carreira, o orgulho dos pais, uma final de Paulista sub-20… Depois o Santos B, a volta ao São Carlos e enfim o empréstimo à URT. Nada mau para quem encerraria a carreira aos 15 anos…

– Metade do meu sonho eu já conquistei, que é virar um profissional no meio do futebol. Agora tenho que chegar ainda mais longe e garanto que vou colocar todas as minhas forças nisso. Em janeiro nasceu o Lucca Henrico, meu filho, e me deu ainda mais forças para continuar. Hoje eu corro pelo meu filho, pelos meus pais e como não tenho irmãos, corro pelo Oller também. Temos uma parceria monstra.



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