Os perigos (e esperanças) da troca repentina. Sai Gallo, entra Micale. Dunga nas OIimpíadas!



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O trabalho de Alexandre Gallo rendeu elogios no início de sua passagem pela Seleção Brasileira de base, há 27 meses. Organizou, padronizou metodologias, fez boas convocações, ganhou torneios. Tudo lindo. Mas, aos poucos, quando os efeitos de suas mudanças foram realmente sentidos, deu pra ver que o futebol brasileiro estava ciscando para trás com um treinador que nunca passou pela base de um clube como treinador, teve dificuldades na gestão de um grupo jovem e pouco contribuiu para o desenvolvimento técnico das gerações que teve na mão. O patético quarto lugar no Sul-Americano sub-20 fez a CBF trocá-lo da coordenação da base por Erasmo Damiani, experiente profissional que estava no Palmeiras.

A saída do posto de técnico das Seleções sub-20 e sub-23 parecia óbvia, ainda mais quando Damiani trocou os comandos da sub-17 (Caio Zanardi por Carlos Amadeu) e sub-15 (Cláudio Caçapa por Carlos Guilherme Dalla Dea). Mas Gallo foi mantido após o fracasso do Sul-Americano e fez a convocação para o Mundial sub-20 no último dia 29, há exatos nove dias. Agora, o grupo se apresenta para período de treinos na segunda-feira e inicia participação para o torneio disputado na Nova Zelândia em 22 dias. E Gallo não será o treinador.

A CBF anunciou no fim da noite desta sexta-feira a demissão do técnico e também a contratação de Rogério Micale para o comando da Seleção sub-20 – ele ESTREIA na Copa do Mundo. A sub-23, que disputará as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, será comandada por Dunga. Quanto a Micale, é a segunda vez que substituiu Gallo em um trabalho. Em 2011, o treinador de 46 anos comandou o profissional do Grêmio Prudente em substituição a Gallo, mas durou menos de um mês na função.

Na base, Micale é referência. Ex-jogador de pouco destaque, rodou por clubes do Sul do país até assumir os juniores do Figueirense em 2004. Em um trabalho a longo prazo, alcançou o título da Copa São Paulo de 2008. No ano seguinte já estava na base do Atlético-MG, onde realizou um trabalho exemplar. Além dos resultados, como Taça BH, Campeonato Mineiro sub-20, semifinal de Copa São Paulo e vice da Copa do Brasil sub-20, ajudou na formação de muitos talentos. Estão nessa lista Bernard, Renan Ribeiro, Carlos…

Em entrevistas, é comum ouvir Micale mencionar sua teoria do “futebol de entendimento”. Ele acredita que mais do que desenvolver fundamentos, o atleta de base precisa diagnosticar como pode ajudar seu time a vencer uma partida. Assim, é necessário pensar, refletir. Ser inteligente! O rigor nesse conceito chega às vezes a ser até muito forte, mas Micale condena individualismos, e sua metodologia é claramente de coletivização. Mas ao contrário de Gallo, a princípio, isso não está associado a futebol defensivo.

Apesar do alto risco em se colocar um treinador à frente de um projeto e uma convocação que não são dele restando apenas 20 dias para o torneio mais importante do mundo na categoria, a experiência do novo comandante em trabalho de base pode fazer a diferença. Veremos o que acontece. Dunga, pelo menos, terá mais tempo para organizar o time de 2016, apesar de não ser do seu perfil conhecer atletas mais jovens e estudar a base. Logo ele, que nem consultava os técnicos da base da própria Seleção…



  • Benny Dio

    Tem que tirar Dunga e todos os demais: Limpeza geral, senão é melhor chamar Marin de volta!

    • Benny Dio

      Gallo saiu porque não concordou com o esquema!

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