Diogo Vitor e o dilema da segunda chance



Não são apenas critérios técnicos que definem o sucesso da transição de um jogador da categoria de base até os profissionais de seu clube. Há aspectos físicos, táticos, psicológicos e comportamentais que também influem decisivamente neste processo. Como exemplo, dá para dizer que é rotina ver ótimos jogadores – tecnicamente falando – que naufragam por indisciplina. Do mesmo modo, há jogadores mais ou menos que surpreendem fisicamente, andam na linha e têm as chances que os geniozinhos sem caráter jamais terão no esporte de alto nível.

Boa parte dos atos de indisciplina de garotos em formação são bem escondidos pelos clubes, que na maioria das vezes lutam até o fim pela recuperação se o menino é realmente bom de bola.

O Santos, referência em aproveitamento de base no Brasil, faz o máximo para esconder o mau comportamento de algumas de suas joias. O caso mais emblemático foi o de Diogo Vitor, meia-atacante de 19 anos que jamais foi exemplo de conduta nas categorias de base, mas sempre demonstrou enorme talento. Diogo enganou dirigentes, treinadores, companheiros de time e até familiares e se envolveu em confusões sempre abafadas pelo Peixe. Comprometimento zero com o clube que tentou formá-lo como jogador.

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Em 2015, Diogo foi relacionado pelo técnico Marcelo Fernandes em jogos profissionais do Santos para acelerar a transição. Neste ano, nova interrupção na evolução: não se apresentou na data estipulada para jogar a Copa São Paulo e foi cortado da lista. Seguiu faltando aos treinos, foi rebaixado para o time B, mas… pelas mãos de Dorival Júnior, foi novamente promovido ao time principal e até estreou na vitória por 3 a 0 contra o Botafogo. A razão, explica o repórter Léo Saueia, aqui do LANCE!, foi a seguinte: “Balançado com sua notável qualidade técnica, o clube hesitou e decidiu realocar o atacante”.

Na prática, o Santos “premiou” um garoto que passou os últimos anos sendo pouco profissional, mostrando quase nada de compromisso e sendo blindado por seus erros. Se Diogo Vitor não tivesse potencial para ser craque, acedito que o clube jamais daria uma segunda chance como ocorre neste momento… E outra: como fica a cabeça de quem segue a cartilha de comportamento das categorias de base vendo o menino-problema ser o primeiro a receber oportunidades no time profissional?

Há outras leituras possíveis, claro. Diogo Vitor foi realocado primeiro no sub-23 e no sub-20, sendo que ano passado já havia treinado como profissional. Ele teve acompanhamento próximo de Kleiton Lima, técnico do Santos B, e todo o suporte para evitar novos deslizes. Talvez ele tenha, de fato, se recuperado como homem e atleta, e o clube abriu as portas para este crescimento. O que é um ato nobre, sem dúvida.

Diante deste dilema da segunda chance parece haver um único fato: agora só depende do Diogo provar qual dos lados está certo.



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