Goleiro que é destaque na base em São Paulo teve carreira salva por ‘pai-cobra’



Aos 17 anos, Léo Solano é titular do Guarani no Campeonato Paulista sub-17 (Foto: Israel Oliveira)

Aos 17 anos, Léo Solano é titular do Guarani no Paulista sub-17 (Foto: Israel Oliveira)

Vice-líder do Grupo 7 do Campeonato Paulista sub-17 após 12 rodadas, o Guarani tem a defesa como um de seus pontos fortes. O goleiro Léo Solano, que atuou em todos os jogos até o momento, personifica a boa fase: ele já não sofre gols há três partidas seguidas e é parte importante do crescimento do Bugre na competição – a distância para o líder Corinthians é de apenas cinco pontos no momento.

Paulista da cidade de Ribeirão Preto, o jogador nascido em 2000 está em sua primeira temporada pelo Guarani e já chama atenção do mercado. No início do ano, ele foi o segundo goleiro menos vazado da Copa Ouro e segue monitorado pelos grandes clubes do Estado. Um deles é o Palmeiras, onde Léo Solano já atuou por um ano nas categorias menores.

Com experiência em Copa São Paulo de Juniores e passagem também pelo Paulista de Jundiaí, o jovem goleiro tem contrato de formação com o Guarani válido até 2019 e carreira promissora, segundo observadores e analistas. A questão é que nada disso aconteceria não fosse a influência de Edimilson Penteado, também conhecido como pai de Léo Solano. Ou “goleiro-cobra”, se preferir.

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Sem desânimo, gordinho!

O começo de Léo no futebol foi numa escolinha da cidade de Sertãozinho, distante 20 km de Ribeirão Preto. De treinos em treinos, se fixou como zagueiro e permaneceu assim por um bom tempo. Até que a falta de um goleiro num joguinho do time da escolinha mudou a história.

– O bichão era meio fortinho, meio gordinho, não gostava muito de correr, não. Aí certa vez faltou o menino que era goleiro no jogo, ele foi para o gol e gostou. Ele sempre foi alto também, então isso ajudou. Foi onde começou nossa história – conta o pai.

Com boas atuações, Léo Solano foi crescendo, emagrecendo e tomando gosto pela posição de goleiro. Quando o filho resolveu que queria tentar a carreira naquilo, Edimilson buscou treinamentos específicos para jogadores do setor, já que as escolinhas não davam tanta base. O menino teve diversos treinadores de goleiro, em especial Aguinaldo, que jogou profissionalmente pelo Sertãozinho. A partir de então, deslanchou. Mas não fosse pelo pai…

– Quando ele estava treinando com o Aguinaldo tinha mais meninos junto. Eram treinos específicos, mas era uma turma. Aí saiu um, saiu outro, a aula estava ficando vazia, vazia. Eu não queria deixar o Léo desanimar ou querer parar de treinar também, então disse para ele que iria treinar junto. Foi o jeito que eu dei. Então fui na loja de esportes, comprei roupa e passei a ir aos treinos. Tinha sido goleiro quando era criança, então fui junto para ele se sentir mais empolgado – relembra Edimilson, que ganhou do próprio filho o apelido de “goleiro-cobra”.

– Eu tinha hérnia, 100 kg, mas entrei na onda, mesmo com dor aqui, com dor ali. Fomos batalhando. Ele treinando, crescendo, e eu me quebrando por causa do peso e da falta de agilidade. Eu conseguia fazer a maioria dos exercícios, mas tinha alguns que não, e aí ele tirava sarro, falava que eu era o goleiro-cobra. Sabe o que é isso? É que em vez de pular eu me arrastava (risos). Vê se pode!

Brincadeiras à parte, Léo Solano saiu das aulinhas específicas com o pai para novos desafios. E grandes.

A hora da verdade

Por meio de um anúncio na internet, Edimílson descobriu a abertura de peneiras nas categorias de base do Palmeiras, seu clube de coração. Ele inscreveu Léo na seleção mesmo sem acreditar muito no sucesso da empreitada e foi a São Paulo de ônibus tentar a sorte. Surpreendentemente, deu certo. Aos 13 anos, o jovem goleiro passou uma temporada inteira treinando regularmente nas divisões de base do Verdão. Como morava longe e alojamento é proibido nesta idade, Léo Solano vinha a São Paulo uma semana sim e outra não, porque assim podia manter o monitoramento no Palmeiras e também os estudos no interior.

É desta época uma das memórias mais curiosas, digamos assim, da dupla.

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– Na semana em que ele vinha treinar nós ficávamos num hotel, mas era caro. Aí um dia conversei com o pessoal de um motel ali na entrada de Guarulhos, perto do CT, expliquei a situação e permitiram que a gente pegasse um quarto. Passamos uns apuros lá… era eu e o menino tentando focar nos treinos, na carreira dele, e no quarto do lado o casal trabalhando lá… Complicado (risos). Teve um dia que o barulho estava tão alto que pedi para ficar num quarto mais longe, mas aí o Léo perdeu a conexão do Wi-Fi, porque o sinal era bom só perto de onde acontecia os crimes, rapaz. Foi um tempo estranho – se diverte Edimílson, anos depois.

Em 2015, antes da reapresentação para a temporada, Léo Solano recebeu uma das piores notícias da vida, que foi a dispensa do Palmeiras por conta de uma série de lesões e a falta de sequência de jogos. Ele não ficou muito tempo parado, logo fechou com o Paulista de Jundiaí após alguns testes. Disputou o Campeonato Paulista sub-15 daquele ano, esteve em uma competição internacional, jogou o Paulista sub-17 e até a Copa São Paulo de Juniores no ano seguinte, aos 16.

Uma mudança na diretoria do Paulista, porém, interrompeu a trajetória do jovem goleiro, que seguiu em busca de novos rumos. Foram duas semanas de avaliação no Corinthians, três no Palmeiras, mas nenhum vínculo. Até que surgiu o Guarani.

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Avante, avante meu Bugre

Depois de quase dois meses sem clube, mas treinando regularmente em sua cidade, Léo Solano participou de uma peneira em Ribeirão Preto e foi bem avaliado por observadores ligados ao Grêmio. A diretoria não teve interesse por já possuir jogadores da posição na idade, mas as portas estão abertas até hoje. Foi Guido, ex-jogador do São Paulo, o responsável pela indicação do jovem goleiro à diretoria do Guarani. Depois de alguns testes, a aprovação, a assinatura do contrato, a disputa da Copa Ouro e agora o destaque no Paulistão sub-17 e até treinos nas categorias maiores.

Ah, acho que a hérnia do Seu Edimílson vai bem também. Pelo menos ele não reclamou.



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