‘Felizão’ por monitoramento europeu, goleador da Ponte brinca: ‘Alto, não grosso’



O nome de John Kleber já apareceu neste blog. Durante um torneio amistoso preparatório para o Campeonato Paulista sub-17, o camisa 9 da Ponte Preta marcou cinco gols numa goleada por 6 a 0 diante do Desportivo Brasil, dando indícios de uma temporada promissora.

E é exatamente o que está acontecendo.

Com seis jogos passados do Estadual de sua categoria, o menino de 17 anos já tem 11 gols marcados. Sim, uma média de quase dois por jogo. O bom desempenho já observado pelas categorias sub-20 e profissional da Macaca não se restringe ao futebol brasileiro. Na última semana, alguns clubes europeus iniciaram processo de monitoramento do jogador, que tem contrato de formação com a Ponte até março de 2019. As equipes buscam imagens, acionam observadores, colhem números e mantêm atenção à possibilidades de negócio. John já sabe disso, e viu seu nome até em portais que tratam de negociação de jogadores.

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– Fiquei sabendo dessa coisa de Europa, fiquei felizão, não estava nem esperando. É muito legal ver isso depois de tudo que passei nesses três anos, de batalha, de persistência, de gente querendo te derrubar, de você não saber quem estava perto por interesse ou quem é amigo. A gente tem que criar uma maturidade para saber lidar com esses momentos. Se for verdade tudo isso é bom demais, dá uma visibilidade – diz o garoto, antes de fazer um alerta na tentativa de controlar a própria empolgação.

– Eu não posso ficar pensando muito no que pode acontecer. Tudo tem seu momento certo, e eu preciso manter os pés no chão, trabalhar com a mesma humildade e fazer gol também.

De Campo Mourão a Campinas

John Kleber Oliveira da Silva é paranaense de Campo Mourão, cidade do norte do Paraná distante quase 500 km de Curitiba. Gostava de futebol desde cedo e começou a fazer aulas e testes ainda criança. Aos nove anos, foi avaliado na cidade de Flórida, aprovado e chamado para uma espécie de pré-temporada em Roncador. Mesmo nascido em 2000, ele foi testado entre os de 1996 e 1997 e não decepcionou.

Depois desta experiência, o menino se mandou para Santos fazer avaliações nas categorias de base. Foram três semanas de testes até o esperado “sim” do clube para receber o menino no sub-11. John voltou ao Paraná para organizar a vida antes da mudança definitiva, mas no retorno a São Paulo seus representantes seguiram outro destino: Limeira.

– Eu passei, mas não joguei pelo Santos. Na época o pessoal que tomava conta da minha carreira achou que fosse melhor eu começar no Independente de Limeira. Foi legal, eu era muito novo. Ficava em casa, não em alojamento, tinha uma vida mais de criança, consegui crescer com mais tranquilidade – relembra.

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No Independente, John disputou o Campeonato Paulista sub-13 de 2013 e chegou até a semifinal, quando o time acabou eliminado pelo Corinthians. Nem precisava ter chegado à decisão… No meio do torneio, o Independente venceu a Ponte Preta duas vezes, e a Macaca abriu os olhos para aquele camisa 10. Foram 24 gols em 56 jogos pelo time de Limeira até que a Ponte acertou a contratação de John Kleber.

Lesão atrapalha arrancada

John começou bem no sub-14 da Ponte Preta, sendo vice-artilheiro de campeonato e mostrando bom potencial. Na transição para o sub-15, um problema físico atrapalhou o início da passagem do menino pelo Moisés Lucarelli.

– Fiquei sete meses no departamento médico porque machucava o quadril direto. Era para ter jogado a Copa Nike, mas não joguei, e fiquei bem desanimado naquela época. Fiz um tratamento, ressonância e tudo, daí parou, nunca mais tive nenhuma lesão séria. Tomara que continue assim.

Sem lesão, John deslanchou. Fez um jogo pelo Campeonato Paulista sub-17 ainda um ano abaixo, foi artilheiro de uma competição sub-16 no interior com nove gols em oito jogos, foi inscrito em um torneio internacional acima de sua categoria e rendeu bem quando utilizado e aí… chegou o torneio preparatório, o Paulistão sub-17 de 2017 e aqui estamos nós.

– Estou fazendo uma pequena parte, porque sou um dos caras que menos pega na bola, então tenho que tratar essa relação na área como um detalhe, as bolas que sobram eu preciso saber finalizar. Eu jogava como meia quando cheguei na Ponte, então acho que tenho uma técnica melhor, controle de bola e tal. Tenho me adaptado, fazendo mais paredes, tentando girar. O que me ajuda é minha altura – diz o jogador.

John Kleber chegou à Ponte Preta aos 14 anos medindo 1,73m, e hoje, aos 17, mede 1,90m. A altura ajuda, mas também é motivação para o jovem atacante.

– O treinador cobra que eu dê mais toques na bola, drible, não fique parado na área. Tem que aparecer para o jogo, tentar o improviso, fazer a jogada que o zagueiro não espera. Por a gente ser alto vão pensar que a gente é grosso, duro, mas surpreendemos. Sou alto, não grosso – diz John, que marcou sete gols de cabeça no Paulistão sub-17 e se diz inspirado por William Pottker no futebol nacional e Ibrahimovic em cenário internacional.

Tá bom, vou falar sobre o nome dele…

John Kleber podia ser homônimo do apresentador de TV. A ideia da mãe era colocar João Kleber, mas o pai decidiu mudar em cima da hora para “dar uma internacionalizada”. Na época do nascimento do hoje jogador da Ponte Preta, o apresentador fazia sucesso com o Eu vi na tv e seu Teste de fidelidade na RedeTV!. Inspiração? O garoto não sabe responder.

– Não sei se eles conheciam o apresentador, mas hoje todo mundo brinca.

Daqui pra frente não tem essa de “Para! Para! Para!”, como exclamaria o apresentador. Para o jogador da Macaca, a ordem é seguir, seguir e seguir.

– Sou centroavante, vivo dos meus gols. Se não fosse assim a gente talvez não estaria nem se falando. Quero subir pro profissional esse ano ainda, e isso depende de mim. O começo está sendo bom, mas amanhã ou depois posso estar não fazendo muito gol, e tudo depende de agora.



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