Das ‘ruas de terras’ à ‘caminhada nessa estrada’: as histórias e sonhos de James



“A inocência se perde no passar do tempo”. Disso, James Santos das Neves sabe muito bem. Aos 21 anos, ele já acumula oito clubes na carreira como jogador de futebol. E olha que eu nem estou falando de tempos muito antigos, como aqueles em que ele treinava atletismo no São Paulo… Do início na Portuguesa ao momento atual, contratado pelo Inter de Lages-SC e com propostas em mãos para 2017, o jovem lateral-esquerdo sabe que a “caminhada nessa estrada” não é fácil.

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Como num trecho de “Estrada das fadas”, dos Detentos do Rap, James sabe que “a vida não vale o que vale se não seguir o coração”. Aos 13 anos, ele largou o atletismo para jogar bola. Nascido em São Paulo, começou na Portuguesa, mas durou só seis meses por lá antes de seguir para o Taboão da Serra, onde jogou até uma Segunda Divisão. Em seguida, fez um teste no Bahia que não deu muito certo e manteve o sonho vivo em um projeto da Lençoense na capital. Foi naquele momento que a vida tomou um rumo inesperado.

– Um dia eu estava treinando, aí chegou um empresário alemão e um português querendo me levar para a Alemanha. Avisei para o meu pai, ele autorizou, aí fizeram esse corre todo de passaporte e logo que deu eu fui para lá. Joguei um torneio para nascidos em 1992 e 1993 mesmo sendo de 1995 e me destaquei. Foi uma experiência muito boa, fiquei super feliz, espantado com as coisas. Foi passando um mês, dois meses, e de repente eu vi que queria ficar lá, estava empolgadão – lembra James.

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O garoto de São Paulo foi para a Alemanha disputar uma competição pelo próprio Lençoense, que fez uma espécie de catadão dos seus melhores meninos e levou para a Europa. Foram seis meses em Frankfurt. Mas… nem sempre é o “aluno das ruas que dita seus mandamentos”.

– Um pessoal de um time da Bélgica veio atrás de mim, tinham gostado de mim, mas me machuquei nos últimos jogos na Alemanha. Foi uma hérnia de disco. Joguei até um jogo a mais para ver se conseguia, mas dei dois trotes, senti e disseram que eu teria que voltar pro Brasil. Foi difícil, viu? – diz o garoto, frustrado com a chance perdida.

– Chorei muito mesmo, pensei em desistir, fiquei para baixo. Eu não entendia de jeito nenhum o que estava acontecendo, fiquei nervoso. Foi um tempo difícil.

Com calma, ele aos poucos foi vendo “os outros degraus da escada”. Recuperou-se, ficou um tempo sem clube e voltou à ativa com a camisa do Grêmio Osasco, ainda nas categorias de base. Foram dois anos no clube, mas um problema contratual impediu a permanência: na hora do contrato profissional, o clube quis 90% dos direitos econômicos e seus representantes não aceitaram. De lá ele seguiu para o Inter de Lages, onde foi destaque do Catarinense sub-20 e promovido ao elenco profissional. Finalmente.

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– Carreira de jogador é assim, uma hora na alta, uma hora na baixa. Com o tempo a gente vai aceitando as coisas que dão errado e a ficha vai caindo. Estou até hoje nessa jornada – diz o garoto, que sentiu “mil dores para cada alegria” e apostou no futebol por simples falta de talento para a música.

James é filho de Maurício DTS, dos Detentos do Rap, compositor de “Estrada das fadas” e “Ruas de terras”, as músicas que tiveram trechos citados nesta matéria. São as duas preferidas do filho jogador.



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