Goleiro da Seleção Brasileira de surdos sonha com chance na Copinha de 2016



Luciano Henrique Caetano da Silva, o Luciano Quati, já cansou de quebrar barreiras em nome de seu sonho de ser atleta profissional de futebol. Aos 19 anos, ele já acumula passagens por Seleção, clubes profissionais e até alguns títulos, mas acredita que tudo isso ainda seja pouco. A um mês do fim das inscrições para a disputa da Copa São Paulo de Juniores de 2016, o jovem goleiro de mecha loira no cabelo quer fazer o que ninguém ainda fez: ser o primeiro jogador deficiente auditivo da história do principal torneio de base do país.

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– Ele sempre é aprovado nos testes com bola rolando. Sempre. Nunca foi recusado, pelo talento que ele tem. Mas no fim preciso falar que ele é surdo, aí começam os questionamentos, as barreiras. Na Portuguesa ele ficou duas semanas e depois foi recusado quando souberam. No Paulista de Jundiaí o pessoal começou a rir dos gritos dele e eu perdi o controle, pedi para tirarem meu filho dali. O que eu não quero é que ninguém faça diferença entre o meu filho e os outros – explica Luis Henrique Caetano, o pai do goleiro.

Luciano teve meningite pouco antes de completar dois anos de idade, e ficou sem andar durante quatro meses. Melhorou, mas as sequelas foram inevitáveis. E o esporte foi a maneira encontrada para aplacar um pouco do sofrimento. Aos sete anos, o garoto iniciou nas escolinhas, sem grandes pretensões. De treino em treino, acabou parando em uma escola de goleiros no bairro da Ponte Grande, em Guarulhos (SP). Era o começo da história.

Ser diferente, no começo, não fez muita diferença para Luciano. Em campo, a expressão vinha por meio de gritos roucos para chamar atenção dos zagueiros mais desatentos. No dia a dia, a “linguagem do futebol” resolveu boa parte dos problemas. No Corinthians paralímpico, foi vice-campeão brasileiro em 2012, o que o credenciou a virar titular da Seleção Brasileira de futebol para surdos, com o apoio da Confederação Brasileira de Desportos dos Surdos (CBDS), campeã sul-americana e vice pan-americana. Mas Luciano queria mais. Não queria se diferenciar.

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Na categoria sub-15, ganhou a chance de disputar um Paulistão pelo Grêmio Mauaense, e poucos atacantes ficaram sabendo que o goleiro da equipe adversária era surdo. Isso não faria diferença. Algum tempo mais tarde, Luciano Quati disputou a Segunda Divisão do Campeonato Paulista pelo AD Guarulhos, mas o trabalho não teve sequência. Desde o fim de 2014, promessas, testes e pouca realidade.

– Eu tenho noção da barreira que estamos tentando quebrar, e tenho certeza que o preconceito fecha muitas portas. Muitos deficientes vêm me procurar perguntando se podem ser jogadores, se podem fazer isso ou aquilo. Eu respondo que eles podem tudo, é só haver esforço. Pode ser engenheiro, arquiteto, cirurgião, jogador, o que quiser. Então, não vamos desistir aqui – completa Luis Caetano.

Thiago, à esquerda

Thiago, à esquerda

A deficiência ainda é um tabu no esporte de alto rendimento no Brasil, e Luciano Quati está longe de ser o único exemplo. Em 2012, o lateral-direito Thiago, do União de Marechal Hermes, chamou atenção na disputa da Terceira Divisão do Campeonato Carioca. Thiago é surdo desde o nascimento, e tentou realizar seu sonho no futebol naquele ano. Logo após a passagem pelo União, o jogador defendeu o Nova Cidade e então nunca mais conseguiu um clube para seguir a carreira.

– Existe um preconceito muito grande por ele ser surdo. Estamos na luta, mas não dando sorte. Já conversei com várias pessoas ligadas a clube, e a resposta é sempre que não estão contratando. Uma semana depois você vê na mídia: ‘tal clube anuncia pacotão de reforços’. Esse preconceito é constrangedor, mas não desistimos, não – explica Kathya Canizio, mãe do sonhador Thiago.

Em nota, a Confederação Brasileira de Desportos dos Surdos informa que há registros de atletas de diferentes modalidades que chegaram à semi-profissionalização. Hoje, Luciano Quati é o único atleta profissional de futebol deficiente auditivo.

O caminho é muito difícil para todos. Um pouco mais para alguns.



  • SOU PAI DO LUCIANO “QUATI”, E SEI QUE O PRE CONCEITO É GRANDE, SÃO MAIS DE 3 MILHÕES DE DEFICIENTES AUDITIVOS NO BRASIL E O LUCIANO VEM LEVANTANDO A BANDEIRA E DIZENDO QUE “SIM PODEMOS, SOMOS IGUAIS EM NOSSAS DIFERENÇAS”, MUITAS VEZES OS DIRETORES NEM QUEREM VER ELE JOGANDO E JA DIZEM QUE O PLANTEL ESTA CHEIO, É UMA PENA VER QUE EM PLENO SECULO 21 AINDA EXCLUEM OS DEFICIENTES DE SEUS SISTEMAS CAPITALISTAS, COMO FOI NA GRECIA ANTIGA E NOS TEMPLOS JUDAICOS ONDE OS QUE TINHAM DEFEITOS FICAVAM DE FORA DA SOCIEDADE CHAMADA POLIS.
    SIM NÓS PODEMOS !!!! EM NOME DE JESUS.

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