Garoto recusou gigantes por confiança em projeto do Red Bull. E não para de crescer!



Escolinha, futebol de várzea, time do interior, time grande, Europa, Seleção, estrelato. O caminho parece até natural. A questão é que muita gente pode não ter nem percebido, mas o futebol mudou e essa trajetória aí é cada vez mais difícil de se concretizar. Gabriel Bocchio é exemplo. Aos 16 anos, o garoto é um dos principais destaques do futebol de base de São Paulo nos últimos anos, com convocações para a Seleção Brasileira e monitoramento de gigantes europeus. E sabe o que é curioso? Ele não joga em time grande.

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Gabriel está no Red Bull Brasil desde 2013 e carrega números impressionantes. No Paulistão sub-15 de 2014, aos 14 anos, marcou dez gols. No Paulistão sub-15 de 2015, aos 15 anos, foram 26 e ele terminou como principal artilheiro do Estado. No Paulistão sub-15 de 2016, aos 16 anos… ele nem jogou. Promovido ao time juvenil um ano antes do que é comum, o garoto já soma 12 gols marcados no Paulistão sub-17. Isso sem contar os dois que já marcou pelo time sub-20. Isso mesmo, aos 16 anos.

– Quando cheguei, em 2013, já fui para o sub-15, sendo que eu tinha dois anos a menos. Jogar com os mais velhos tem sido normal para mim, sou sempre o único ou eu e mais um que jogam numa categoria acima. Na parte física pega um pouco você jogar com caras mais fortes e tal. Mas aí você precisa entender o jogo e usar a técnica, e eu tenho conseguido – diz Gabriel Bocchio, o atacante de todas as categorias.

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Nascido em Piracicaba, interior de São Paulo, Gabriel começou no futebol aos seis anos, na escolinha Asas da Liberdade. Nos anos seguintes fez testes no São Paulo e no Internacional, mas era jovem demais para entrar nas categorias existentes. Tudo começou a mudar em 2011, quando passou por uma peneira da escolinha Meninos da Vila em São Pedro e foi aprovado. Avaliado em Botucatu, aprovado de novo. Na terceira fase da seleção, o Santos decidiu apostar no potencial do menino para suas categorias de base e também o futsal, que é integrado ao campo para os menores.

No futsal, Gabriel era titular, capitão e artilheiro. No campo, ele jogava pouco e não rendia, o que causou sua dispensa da Vila Belmiro em 2012.

– Claro que eu senti, a família sentiu na hora. Mas hoje penso que às vezes foi até um alívio sair do Santos, porque eu não jogava, ficava parado, curtindo a praia. Prefiro bem mais o campo – brinca o garoto.

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Livre após dois anos de Santos, Gabriel Bocchio foi avaliado por Corinthians, Cruzeiro e Red Bull. Os três times aprovaram o menino e fizeram proposta para que ele fosse integrado às categorias de base. Agora você deve estar se perguntando: e por que esse moleque escolheu o Red Bull? Não foi muito bem ele quem escolheu…

– Eu queria ter ido para o Corinthians, mas meu pai conversou no Red Bull e entendeu que seria melhor aqui. Depois ele me disse que em dois anos de Santos ele viu muita coisa extra-campo que atrapalhava bastante. Coisa de time grande. E trocar o Santos pelo Corinthians seria a mesma coisa. Isso pesou um pouco. Hoje vejo que foi um baita de um acerto. Tanto que eu decidi ficar no Red Bull agora de novo, com outras propostas – comemora.

Artilheiro do Paulistão sub-15 do ano passado, Gabriel Bocchio chamou atenção e recebeu assédio de outros tês gigantes do futebol nacional: Palmeiras, Internacional e, novamente, o Corinthians. De novo, ele, familiares e a empresa que gerencia sua carreira (Un1que Football) recusaram todas as ofertas em nome de um contrato profissional com o Red Bull até fevereiro de 2019. O garoto ganhou contrato até com uma gigante de material esportivo.

Se em 2013 foi o temor pela desorganização e os esquemas de um time grande que levaram Gabriel Bocchio ao Red Bull, em 2016 foi a aceitação de um “projeto internacional de carreira”. Ele mesmo explica.

– O Red Bull me ofereceu que se eu ficasse teria um projeto de ir frequentemente para a Europa, no Red Bull Salzburg. Eu fiquei feliz, porque o mercado europeu está crescendo, pode ser minha chance. Vou de três em três meses, sempre que precisa. Aí viajo com um diretor aqui do Brasil, eles me buscam no aeroporto, entregam os materiais e fico lá como jogador do Salzburg – diz o menino de Piracicaba, que costuma se comunicar em inglês com os outros meninos da Áustria.

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O Red Bull tem franquias na Áustria, na Alemanha e nos Estados Unidos. O tal projeto internacional de carreira é um modo de atrair os garotos para o time brasileiro. Recentemente, Gabriel Bocchio participou pelo Red Bull Salzburg da Copa Internacional Al Kass, no Qatar. O torneio é tipo um Mundial de clubes da categoria, visto e jogado pelas grandes forças mundiais. Resumindo: não há vitrine maior para um talento brasileiro.

– Meu sonho é jogar no exterior, principalmente depois dessa oportunidade de estar no Salzburg de vez em quando. É meio caminho andado. O resto deixa comigo.

Pelo visto a Dona Adriana, mãe do Gabriel, vai começar a sofrer em inglês ou alemão daqui a pouco.

– Ela é corneteira, viu? Sempre que perco um gol ela fala na lata, joga a verdade mesmo. Não tinha mão na cabeça, só bronca (risos). Quando fiquei maiorzinho ela nem vê jogo direito, fica só andando, lá longe, nervosa. Fica mais nervosa que eu.



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