Família boleira e retomada após lesões: as inspirações de um brasileiro em Portugal



O tradicional Sporting Clube Farense, fundado em 1910, contará com um reforço brasileiro na próxima temporada européia: Pedro Vittori, zagueiro de 21 anos que pouco atuou profissionalmente no país. A equipe portuguesa não será o primeiro desafio do jovem jogador na Europa, pois ele já defendeu o Louletano no mesmo país e ainda teve passagens breves por Brescia e Pescara, da Itália.

A missão de triunfar na Europa partindo de clubes de menor expressão é grande, mas certamente não é a mais difícil da trajetória de Pedro. Irmão e cunhado de jogadores de futebol e criado desde a infância neste ambiente boleiro e competitivo, o garoto chegou perto de abandonar o sonho há alguns anos em razão de problemas físicos. A paciência e a fé, como ele costuma ressaltar, é que salvaram a carreira.

– Me arrepio e emociono até hoje, porque é um momento que vai ficar marcado pelo resto da minha vida – resume, em entrevista ao blog, o jovem jogador.

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A história de superações de Pedro Vittori começa no Paraná, onde nasceu em 1995. Quando o menino passou a entender o mundo, o futebol já fazia parte da rotina: seu irmão Sérgio era goleiro profissional, e defendeu o Londrina por oito temporadas. Além disso, sua irmã Isabelle era casada com Rodrigo, que também jogou no clube paranaense em início de carreira. Olhando de perto as trajetórias de dois jogadores, Pedro não fugiu do destino.

– Sempre acompanhei os dois desde pequeno, ia nos treinamentos junto, estava no meio e sempre pensei em fazer parte. Não podia dar outra coisa, segui o exemplo deles. Meu irmão jogou quase dez anos no Londrina, jogou na base do Atlético-PR, na Itália, no Chipre, inúmeros times de, São Paulo, Paraná e Brasília. Meu cunhado jogou no Figueirense, Atlético-PR, Londrina, no Vietnam, nos Emirados Árabes, no Chipre também, junto com meu irmão, na Itália, acho que é o maior artilheiro da história do Guaratinguetá. Os dois tiveram histórias muito bonitas – conta Pedro, sobre os já aposentados goleiro Serginho e atacante Rodrigo Silva.

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Pedro virou zagueiro. O início foi no PSTC, de Londrina, clube em que foram revelados jogadores como Fernandinho, Jadson e Dagoberto, aos dez anos. Ele permaneceu cinco temporadas nas categorias de formação do clube paraense, até que os problemas começaram a aparecer…

Uma lesão no joelho que antes parecia algo simples obrigou a realização de uma cirurgia para correção de problema no ligamento cruzado anterior. Aos 15 anos, a primeira operação. Repouso, tratamento, tempo perdido, transição, campo e… Pedro explica melhor.

– No meu primeiro jogo depois de voltar tive outra lesão no joelho, da mesma gravidade. Aí acabou, achei que não fosse voltar a jogar futebol mais. Isso me desiludiu do meu sonho, era um impacto muito grande.  Era muita coisa para um menino de 15 anos, entendeu? Eu já não tinha mais cabeça para pensar em nada – desabafa, antes de completar a história de sua superação.

– Meu irmão, minha irmã, meu cunhado, meus pais, ninguém nunca deixou de me apoiar. Foi nisso que tive forças para voltar, fazer a outra cirurgia e seguir no futebol. Mas tem um porém: quando eu me recuperei da segunda cirurgia estava indo para dois anos parado e precisava fazer um último exame para o médico liberar. Fiz a ressonância e deu que o ligamento ainda estava rompido, não tinha sarado direito. Ali eu não sabia mais o que faria da vida, foi quando coloquei meu joelho no chão e conversei com Deus, pedi que se fosse da vontade dele e o melhor para mim, se fosse para dar certo, que se eu fizesse outro exame não daria nada e eu poderia voltar a jogar. Foi quando minha mãe pediu ao médico refazer a ressonância, o médico viu e falou que não tinha mais nada, que estava tudo certo. Assim eu pude voltar a jogar futebol. Essa história me emociona demais até hoje.

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Já fora do PSTC, Pedro Vittori começou a rodar em busca de novas oportunidades. Permaneceu cinco meses no Cruzeiro, mas trocou a falta de garantias pelo acordo com um empresário que o levou à Itália, onde passou por três clubes sem jogar. De volta ao Brasil, parou no júnior do Volta Redonda e disputou o Campeonato Carioca antes de voltar ao Paraná para defender o Paranavaí. Por lá ele disputou a Taça FPF, em que a equipe caiu nas quartas de final para o sub-23 do Atlético-PR.

O jovem zagueiro permaneceu para a Segunda Divisão do Campeonato Paranaense e conseguiu o acesso com o Paranavaí. Até que no meio do ano passado um empresário que observou seu desempenho no interior do Estado propôs o início da aventura europeia: Louletano em 2016/2017 e agora o Farense a partir do início do mês.

O trabalho começou no último dia 10 com o objetivo de subir para a Segunda Divisão do Campeonato Português e traçar um caminho de conquistas e reconhecimento. Inspirações não faltam.

Serginho, Rodrigo Silva e Pedro: a família boleira do Paraná (Foto: Reprodução)

Serginho, Rodrigo Silva e Pedro: a família boleira do futebol do Paraná (Foto: Reprodução)



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