Ex-auxiliar da Seleção inicia ‘carreira solo’ após estágios e quer ajudar a Lusa a formar de novo



Após dois anos como auxiliar do técnico Alexandre Gallo na Seleção Brasileira olímpica e também na sub-20, o ex-zagueiro Mauricio Copertino decidiu iniciar “carreira solo” assim que a cúpula da CBF trocou o comando das equipes, em maio deste ano. Aos 45, o experiente profissional do futebol encara um desafio grande pela frente: coordenar as categorias de base e dirigir os juniores da Portuguesa, tradicional clube paulistano que tenta reviver seus melhores dias enquanto busca a fuga da Série C do Brasileirão entre os profissionais.

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A base que já revelou Enéas, Ivair, Dener, Rodrigo Fabri, Leandro Amaral, Zé Roberto e Ricardo Oliveira anda esquecida. Não que as promessas tenham minguado, mas a estrutura oferecida não é adequada, as condições de trabalho são ruins e o aproveitamento no profissional é baixo. Com a missão de profissionalizar o trabalho da base da Lusa e evitar perdas de jogadores promissores (Bruno Ferreira, Carlos e Luan Viana são só alguns exemplos, hoje no Vasco, no São Paulo e no Grêmio são só alguns exemplos), Copertino iniciou o trabalho no Canindé no início de agosto.

– A estrutura física da Portuguesa é boa, ali no Parque Ecológico. O problema é que há uma grande necessidade de melhorias na parte física, fisioterapia, tratamento aos garotos… Encontrei uma Portuguesa em situação muito ruim com suas categorias de base, muitas situações que jamais achava que iria ver, pontos que a Portuguesa não pode deixar chegar nesse nível. Mas estamos tentando organizar as estruturas para voltar a formar jogadores. Porque a qualidade dos jogadores é inegável – aponta Mauricio Copertino, ao blog.

Atletas de base que hoje estão no profissional da Portuguesa chegaram a ficar oito meses sem receber salários. Por isso, a debandada dos nascidos em 1994, 1995 e 1996, já com certa projeção, foi inevitável. Foram raros os casos de jogadores como o zagueiro Luan Peres ou o meia Caíque que permaneceram no clube apesar dos constantes (quase permanentes) atrasos salariais.

– O que me atraiu foi pegar um clube zerado nas categorias de base, porque já trouxe algum conhecimento para fazer o que tem que ser feito em relação à fisiologia, nutricionismo, tecnologia do esporte, entre outras coisas. Um exemplo: hoje o processo de captação da Portuguesa é inexistente. Sem contar que o clube quase não participa de torneios nacionais, muito menos internacionais. Essa é uma das minhas ideias, e coisas que já trouxemos para dentro do clube. Quando a Portuguesa me procurou, foi para buscar dentro da realidade do futebol brasileiro um know how que permita ao clube reestruturar suas categorias de base. Então, propus a integração com o profissional e até já subimos dois jogadores – diz Copertino, antes de revelar o que também faz parte dos seus planos:

– Pelo projeto apresentado, se a Portuguesa conseguir essa reorganização, em três ou quatro anos terá de 20 a 25% de jogadores da base no profissional e nesse mesmo período poderá estar de volta à elite para ficar. Mas tudo depende de o clube ser profissional e se modernizar neste momento – completa.

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Em dois anos na CBF, o ex-auxiliar participou das conquistas de seis títulos (Valais Youth Cup, Panda Cup, Cotif, Wuhan e Toulon, duas vezes), mas viveu experiências mais significativas: viagens de observação de atletas pelo Brasil e de acompanhamento do trabalho das categorias de base em outros países. Graças aos contatos adquiridos nesta época, Copertino realizou estágios na Inter de Milão e no Milan, dois dos maiores clubes do mundo, durante o período sabático pós-saída da Seleção.

Além dos resultados e da formação de jogadores na Portuguesa, Copertino assumiu uma responsabilidade maior no cenário nacional, tudo baseado em suas observações nos últimos anos: impulsionar a base brasileira.

– Temos 703 clubes no Brasil, e eu adoraria que 50% tivessem uma categoria de base aceitável, seria maravilhoso para o futebol. Mas falta apoio. A base é tratada como custo, poucos se preocupam com qualidade. Você no Brasil pega uma jóia bruta e não lapida, sendo que se a base for forte, a jóia bem lapidada, o clube profissional fica mais forte. Estamos falando de Brasil, o país em que se você montar uma peneira em qualquer lugar encontra no mínimo um jogador interessante. É tão simples de fazer que as pessoas inventam de complicar.



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