Com equilíbrio, a base evoluiu. E agora?



Peça fundamental da reestruturação das categorias de base do Palmeiras, Erasmo Damiani foi escolhido como coordenador da base da Seleção Brasileira em fevereiro de 2015. Nesta terça-feira, perdeu o cargo na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) após dois anos – a demissão foi motivada, essencialmente, pelo vexame da Seleção no Sul-americano sub-20 disputado no Equador, e que o Brasil terminou em quinto lugar entre seis seleções e, portanto, sem classificação para o Mundial da categoria. Um resultado. Vexatório, claro, mas um mero resultado causou a demissão do profissional que realizava um trabalho cheio de ideias e ações na CBF.

Com equilíbrio, o comando da base da CBF avançou em diversos cenários nesses últimos dois anos. O mais importante deles talvez tenha sido a integração com os clubes. Em outras palavras: a CBF, diferentemente do expediente adotado no passado, passou a criar condições para os clubes melhorarem sua base.

Houve avanços na busca por um calendário unificado (o Campeonato Brasileiro sub-20 é o maior exemplo deste processo), troca de informações (comportamentais, físicas, táticas e técnicas entre clube e seleção), intercâmbio de treinadores (comandantes de clubes participaram de trabalhos na Seleção), criação de banco de dados de atletas, contratação de equipe de observadores e analistas, integração de jogadores das Seleções de base e principal, contato com jogadores brasileiros que atuam fora do país, entre outros fatores.

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O comando da CBF foi profissionalizado, e Damiani deu os passos mais decisivos neste sentido. Isso também passa pela contratação de treinadores com trabalhos de excelência nos clubes, como Rogério Micale (sub-20), Carlos Amadeu (sub-17) e Carlos Guilherme Dalla Dea (sub-15).

O problema é que não temos política de futuro. Ou melhor, a CBF não tem. Enquanto toda a análise for baseada em resultados e paixões, perderemos a possibilidade de evoluir ainda mais a nossa visão e principalmente as nossas ideias de futebol. Ao contrário do ditado, demos um passo à frente para agora dar dois para trás. E agora? Quem assume o comando da base da CBF? As boas ideias serão mantidas? O próximo profissional será avaliado meramente por um resultado? É melhor aguardar.



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