Do gol de falta com a chuteira furada aos títulos no São Paulo: a história de Helinho



Quem acompanha futebol de base com mínima frequência certamente já ouviu falar sobre a “geração 2000” do São Paulo. Atual bicampeão da Taça BH, que é o maior torneio nacional da categoria sub-17, o Tricolor trabalha uma série de promessas no Centro de Formação de Atletas de Cotia, como Brenner, Anthony, Rodrigo Nestor e Helinho. Hoje, o blog conta uma parte da história do último nome desta lista, um promissor segundo volante de boa marcação e saída de bola. E muitas outras credenciais…

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A história toda do menino que hoje é destaque na base do São Paulo e frequente na Seleção Brasileira começou aos cinco anos, na cidade paulista de Sertãozinho. De família humilde, o garoto treinava em escolinhas primeiramente no salão, e no campo só a partir dos sete anos. Da infância, Hélio Junio carrega uma das histórias que mais o emocionam até hoje, ocorrida numa decisão de campeonato.

– Foi uma final do campeonato do Docão (um torneio de futsal de Sertãozinho realizado no ginásio Pedro Ferreira dos Reis) e eu fui jogar com uma chuteira que já não estava muito boa (risos). Dava para ver os meus dedos dos pés, na verdade. Mas eu, como era moleque, não estava nem aí, enrolei uma fita e fui para o jogo. E nós ganhamos aquela final com um gol meu, de falta, chutando de dedão, que decidiu o jogo. Fomos campeões – orgulha-se hoje em dia a promessa tricolor.

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Helinho seguiu nas escolinhas da região do interior de São Paulo à espera de oportunidades. E elas surgiram pelas mãos de Agnello de Souza por meio da entidade Camisa 10, de Sertãozinho – a mesma onde Éder Militão, hoje no elenco profissional do Tricolor, foi descoberto. Aos 12 anos, a promessa do interior foi fazer o primeiro teste no São Paulo e teve o rendimento bem avaliado, permanecendo uma semana alojado no CT.

Liberado em seguida por conta da proibição de alojamento para garotos com menos de 14 anos, Helinho permaneceu dois anos indo e vindo do São Paulo, realizando testes e avaliações até completar a idade e enfim ser vinculado ao clube de vez, o que de fato ocorreu. Reserva no início da passagem pelo primeiro clube da carreira, o garoto ganhou espaço, mostrou potencial e aos 15 anos foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. Não que isso tenha tido um efeito tão positivo assim… Ele próprio explica.

– Depois de um certo tempo eu não sabia o que estava acontecendo comigo, parecia que eu estava ficando prepotente, não respeitava ninguém e então comecei a orar, a conversar com Deus. Aí foi que eu tirei todos esses pensamentos ruins da minha cabeça – diz o garoto, que por algum tempo teve a fama de “menino-problema” no São Paulo, mas algo logo depois superado com gols, títulos, novas convocações e, principalmente, bom comportamento.

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Aos 16 anos, Helinho assinou o primeiro contrato profissional, válido até novembro de 2020. Aos 17, virou novamente jogador da Seleção, desta vez na categoria sub-17, em que sonha com uma chance no Mundial da Índia, que será realizado em outubro. Também conquistou a Taça BH ao lado de outros companheiros com grande potencial. O futuro do menino que decidiu um campeonato com a chuteira furada está sendo traçado.

– Eu creio em nome de Jesus, vou dar muito orgulho a minha família. Independentemente da situação, vou passar todas as barreiras, todas as dificuldades, e uma coisa vou levar pro resto da minha vida que é sempre querer mais, sempre aproveitar as oportunidades, as chances que Deus vem me dando todos os dias de poder fazer o que eu amo.



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