Distância, abandono e choro: no Ituano, ‘Diabo Loiro’ do Piauí sonha com êxito na Copinha



A Copa São Paulo de Futebol Júnior coloca um número sem fim de sonhos em jogo anualmente. Nesta sexta-feira, às 19h, não será diferente no embate entre Ituano e Ponte Preta, no estádio Novelli Júnior, pela segunda fase da edição de 2016 do maior torneio de base do futebol brasileiro. Nailton Monteiro de Oliveira é um desses sonhadores. Nascido em 1996, vive seu último ano da categoria sub-20 sonhando em se destacar e escrever uma história de sucesso no futebol. A meta, obviamente, não é fácil. Mas Nailton não tem o costume de encar desafios tão fáceis, não…

IMG-20160104-WA0026

Ele é de Pedro II, no Piauí, mas saiu de casa cedo, aos oito anos. A mãe veio para São Paulo atrás de uma vida melhor e trouxe o garotinho à tiracolo. Eram só eles no mundão, mais ninguém.

– Desde que eu nasci meu pai optou por não viver com a minha mãe. Respeito isso, mas até hoje nunca tive uma ligação perguntando onde estou jogando, ou como estou. Fico até sentido em falar disso, porque não tenho contato com ele. Sempre via pais de amigos todo dia na beira do campo, incentivando. E comigo não foi assim – lamenta o atual lateral-direito do sub-20 do Ituano, e dono do apelido de Paulo Nunes por causa da semelhança física com o “Diabo Loiro”.

Quando ainda era “diabinho”, Nailton começou a encher a paciência da mãe pra ser jogador de futebol, o que algum dia sonhou todo garoto. Dona Eva não deu muita atenção, mas tudo mudou quando o menino foi recusado em uma peneira. O choro compulsivo ao chegar em casa fez a mãe ter certeza de que era aquilo que ele queria da vida, e todo sonho tem que ter uma chance de realização.

940841_10205699419908983_7387656934898740002_n

Em 2008, depois de mais algumas tentativas frustradas, Nailton finalmente foi aprovado na avaliação de uma escolinha do São Caetano em Cotia, na Grande São Paulo. Três dias bastaram para que ele agradasse os professores e conseguisse a vaga. Não só a vaga…

– Ganhei bolsa integral lá. E foi a melhor coisa que podia acontecer, porque meu padrasto não ia ter condições financeiras de pagar a escolinha para eu jogar. Ainda bem que as coisas aconteceram – relembra.

Se a mãe não gostou muito de Nailton querer ser jogador de futebol, imagina quando ele recebeu um convite do Corinthians Alagoano e decidiu se mandar para Maceió, em uma das principais divisões de base do Brasil. Sofrimento puro para os dois durante os oito meses desta aventura. Pelo menos foram só oito meses, tempo suficiente para o garoto perder um ano de escola. Voltou. Mas quem disse que as dificuldades tinham acabado?

– Quando voltei para São Paulo fui fazer avaliação no Diadema e tinha que acordar 5h da manhã para treinar às 11h. Chegava em casa 17h só para me arrumar e ir para escola. E no dia seguinte acordava exausto pra fazer tudo de novo. Depois consegui uma vaga no São Carlos, até fiquei alojado. Mas as condições eram péssimas. Tinha que tirar dinheiro do meu bolso para não passar fome – cita o garoto.

Aí apareceu o Ituano. Um teste, um sim, um sonho pronto para ser revisitado, um inédito contrato profissional, uma Copinha pelo caminho. Hoje é a Ponte Preta, mas muitos outros desafios já ficaram para trás.



MaisRecentes

Primeiro contrato, treinos no profissional e… gols, claro: a semana de John Kléber



Continue Lendo

Goleiro que é destaque na base em São Paulo teve carreira salva por ‘pai-cobra’



Continue Lendo

Como intercâmbios esportivos viraram alternativas viáveis para jovens jogadores



Continue Lendo