Destaque na base do Vitória vira exemplo: da superação familiar ao ensino superior



Atrás somente de Rafaelson, o atacante Caique terminou o Campeonato Baiano sub-20 como vice-artilheiro pelo Vitória. O curioso é que a jovem promessa do futebol nordestino havia acabado de ser promovida da categoria sub-17, pois nasceu em 1999, e mesmo assim já mostrou serviço. A poucos meses de embarcar para a primeira Copa São Paulo de Juniores da carreira, o jogador nascido em Santo Antônio de Jesus, cidade a três horas de Salvador, já é considerado como uma aposta para o futuro no Barradão.

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O desafio de enfrentar garotos até dois anos mais velhos é grande, mas não está perto de ser o maior que o jovem jogador já enfrentou em sua trajetória de vida. Apesar de ter passado em testes no Vitória aos 11 anos, Caique só foi integrado de vez às categorias de base do clube há três anos, quando já tinha 15. O motivo é singelo, mas esconde um grande drama familiar: ele queria ficar perto da mãe.

– Meu pai faleceu quando eu estava na barriga da minha mãe, então sempre tive um apego a mais com ela. No dia em que eu saí de casa para vir jogar no Vitória foi o mesmo dia em que meu irmão, Kauê, nasceu. Então a partir daquele momento ela tinha algo para ocupar a mente. Tanto que hoje em dia não está nem aí para mim mais – brinca Caique, antes de explicar mais detalhadamente a superação do passado.

– Quando você conhece seu pai e ele morre é uma questão muito difícil de lidar, porque tem a perda, você sente mais falta. Mas eu não cheguei a conhecer, minha mãe e meus avós me deram educação e carinho e nunca senti essa falta. Claro que eu via as outras crianças com pais e sentia, mas minha mãe sempre foi pai e mãe.

O pai de Caique foi vítima de latrocínio em Santo Antônio de Jesus. Paulista, ele havia se mudado para o interior da Bahia por razões profissionais e foi morto durante o roubo de sua moto. A tragédia abalou a família, mas fez com que a criança que simboliza seu renascimento crescesse com outro tipo de cabeça.

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– Eu fui criado com uma consciência diferente. De valorizar muito as pessoas e as oportunidades. Minha mãe sempre foi muito próxima e colocou os estudos na minha cabeça, então nunca abandonei. Hoje sou o único jogador da base do Vitória que faz faculdade – conta.

Caique está no segundo semestre do curso de Fisioterapia da FTC (Faculdade de Tecnologia e Ciências), na Bahia. Ele concluiu sete matérias no primeiro semestre e agora está cursando outras três. As dificuldades criadas pelas constantes viagens e impossibilidades de horários são evidentes, mas não atrapalham os planos do garoto. E nem de sua mãe, Karina.

– Minha mãe nunca quis que eu jogasse bola pela distância e por saber como é o mundo do futebol. Então conciliei os estudos por uma promessa e uma forma de retribuir o carinho dela por mim, dar uma alegria a mais a ela. Faço muito mais por ela, de manter os estudos como um plano B, porque futebol é muito incerto. Está dando para levar. Hoje as assistentes sociais aqui do Vitória me tiram de exemplo, elogiam. É muito legal. Mas meu primeiro plano é futebol, é o que sempre sonhei.

Vice-artilheiro do Campeonato Baiano sub-20, Caique também atuou no Brasileiro da categoria e agora espera por uma excursão à China e a Copinha, torneio de maior visibilidade do futebol brasileiro. Ainda bem que é nas férias da faculdade…



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