Derrota da Seleção sub-20 ou 11 vitórias seguidas da Seleção principal?



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Não lembro de quase nada da Seleção Brasileira antes de 2002. Mas na Copa do Mundo do Japão e da Coréia do Sul me contagiei com um espírito de torcedor maior do que tinha pelo meu time. Eram bandeirinhas penduradas pela casa, camisa nova, roupa amarela todo dia e madrugadas a fio completando as tabelas e o álbum de figurinhas até o título que eu nunca tinha visto. Seleção era demais.

Mas depois de 2002 a minha empolgação pela Seleção só fez diminuir. Provavelmente junto com a qualidade do futebol. O treinador que mais vi à frente da Seleção foi o Dunga, e talvez isso traduza a frustração: o futebol é burocrático, de busca por contra-ataque, de atraso tático, de falta de improviso. O time é frio demais. No comportamento, o que pode ser bom em jogos complicados (Dunga nunca tomaria 7 a 1, mesmo da Alemenha), e no futebol, o que tira a emoção dos jogos e afasta o torcedor.

Na madrugada deste sábado muita gente chegou à conclusão que é melhor ver uma derrota da Seleção sub-20 do que 11 vitórias seguidas da Seleção de Dunga.

Apesar da campanha brilhante no Mundial sub-20, o Brasil perdeu o título para o competente time da Sérvia, que venceu por 2 a 1, já na prorrogação, e superou o domínio absoluto da equipe canarinho até aquele momento. O resultado decepcionou o bom número de torcedores que trocou o sono das madrugadas pelo futebol dos meninos, mas mostrou que o trabalho realizado pelo técnico Rogério Micale e sua filosofia de jogo ofensivista precisa ser exemplo. Não só na base brasileira, mas no futebol brasileiro.

Sorte que deu tempo da cúpula da CBF trocar Alexandre Gallo, técnico do patético quarto lugar no Sul-Americano sub-20, pelo valente Micale, que já tinha trabalhos sólidos em clubes de base há várias temporadas, e ganhou a chance de imprimir seu estilo de jogo na Seleção: marcação alta, coragem de subir as linhas, intensidade pelos lados e até um certo descuido defensivo. Mas e daí? “É melhor ser alegre que ser triste…”. Ou, trocando de Vinicius de Moraes para Vanderlei Luxemburgo: “O medo de perder nos tira a vontade de ganhar”.

Uma Seleção que ataca parece boa demais para ser verdade. Parece tão boa que nem parece Seleção. Mas devia ser assim sempre… Ofensividade, volúpia, interesse, vontade. “A vida é pra valer. E não se engane não, tem uma só”.



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