‘Carrego o sonho da família’: a história de uma promessa, suas dores e seu destino



Kassio Micheli, o Kassinho, é uma das apostas do América-MG para o futuro. Aos 16 anos, ele acumula quatro convocações para a Seleção Brasileira de base e foi camisa 10 e capitão na campanha da Taça BH sub-17, disputada neste mês de julho. O jogador nascido em Juiz de Fora está no Coelho desde 2014, já tem contrato profissional e deve estar na próxima edição da Copa São Paulo de Juniores, quando terá apenas 17 anos.

Um talento precoce, que não fugiu de um destino traçado talvez antes mesmo de ele nascer, em outubro de 2000…

– Eu carrego um sonho de toda a minha família – explica ao blog o jovem jogador.

2

A história familiar da promessa do Coelho é inusitada: na falta de um só, ele cointa com dois ex-jogadores de futebol em casa. Seu pai, Kilver, e sua mãe, Ana, foram atletas na juventude, mas desistiram da carreira em razão das dificuldades e depositam em Kassinho as esperanças de consagrar o sobrenome no futebol profissional.

3

Kilver jogou na base do Flamengo, clube da cidade apenas 180 km distante de Juiz de Fora, mas no esporte profissional atuou apenas em clubes de menor expressão, como Campo Grande-RJ e Tupi-MG. Ainda na idade, desistiu e hoje trabalha com transportes. Ana também era reconhecidamente boa jogadora na várzea da cidade e integrou até mesmo o time feminino do Palmeiras. Ela conta ao filho lembranças de jogos contra Marta e Formiga, mas também não foi adiante e hoje investe em uma empresa que organiza festas. O futebol ficou para Kassinho.

– O povo fala comigo que eu estou feito se jogar metade do que meu pai jogava, porque ele era um meia canhoto, muito habilidoso. E minha mãe também jogava, amigos dela que me encontram na rua até hoje falam que eu não tenho como não virar jogador, porque minha mãe e meu pai jogavam muito. Está no sangue da família – diz.

‘No dia em que eu saí de casa…’

Com sangue boleiro nas veias, Kassinho começou a treinar futebol aos cinco anos no Sport Club, de Juiz de Fora. Quando o talento começou a aflorar, apareceu a chance de defender o Centro Esportivo Ubaense (CEU), da cidade de Ubá. O local é uma referência regional de formação e lapidação de jogadores, mas havia um problema: aos dez anos, o menino teria que se mudar de cidade para ser alojado e iniciar as atividades no futebol a mais de 100 km de casa.

1

– Foi naquele momento que eu vi mesmo que queria ser jogador de futebol, porque ficar longe da família sendo uma criança ainda, todo dia chorando, ligava para meus pais chorando, é complicado… mas nunca com vontade de ir embora. Queria ficar lá jogando futebol, fazendo o que eu amo para se Deus quiser chegar ao profissional, como estou trabalhando até hoje. Isso durou uns seis meses, mas depois eu passei a usar tudo como força.

Depois de Ubá, Kassinho teve uma passagem rápida pelo Fluminense. De lá, voltou a Minas Gerais para defender o Cruzeiro, em que passou pouco mais de um ano até ser dispensado. Abalado? Nada disso. Duas semanas depois ele já estava no América-MG, clube pelo qual foi convocado quatro vezes para a Seleção Brasileira sub-17, sendo uma delas impossibilitada por um corte em razão de lesão na coluna. Ele aguarda novas chances.

4

– Estou em um clube grande, de estrutura, onde já passaram vários jogadores importantes na base. Quando cheguei já me senti bem por causa do trabalho que existe aqui, funcionários e comissão técnica, então eu tenho evoluído muito meu futebol. Tenho deficiências ainda, mas sempre trabalhando e cada dia treinando mais e me dedicando mais para cumprir meu trabalho e também voltar à Seleção, que foi uma experiência bacana, um sonho, fruto do meu trabalho. Foi uma evolução muito grande por estar do lado de atletas de outros times grandes do Brasil, de times de fora. Então foi uma evolução cognitiva, técnica, só valeu para somar em toda a minha carreira – diz Kassinho, que também faz planos em curto prazo, que não envolvem necessariamente novas convocações.

– Estou na categoria sub-17, disputando o Mineiro e pela frente vem a Copa do Brasil. Depois destes dois campeonatos eu vou fazer a transição para o júnior, porque tem a Taça São Paulo de 2018. Já tenho contrato profissional, então quero fazer esses campeonatos agora e cogitar subir para o profissional o mais rápido possível.

Enquanto Kassinho tenta honrar as origens e realizar o sonho da família, os pais Kilver e Ana prometem novas revelações para os próximos anos: Walter, irmão mais novo da joia do América-MG, já anda treinando no Sport Club Juiz de Fora. A fábrica segue em atividade…

5



MaisRecentes

Destaque na base do Vitória vira exemplo: da superação familiar ao ensino superior



Continue Lendo

Além de dupla Ba-Vi, Bahia oficializa outros dois representantes na Copa São Paulo



Continue Lendo

Vai um veda-porta aí? Não peça ao Mateus Pitbull, pois agora ele joga pelo Atlético-GO



Continue Lendo