Antes do sucesso, Biel se arriscou no futebol: ‘Queria ser jogador, a música foi acidente’



Demorô, Boquinha, Pimenta, Tô Tirando Onda e agora Química, que em apenas uma semana de publicação no Youtube já conta com mais de 4 milhões de visualizações. Você pode até não conhecer, mas o cantor Biel é um fenômeno nacional, e já marcou território no universo adolescente. O que ainda menos gente sabe é que Gabriel Marins Araújo Rodrigues, de 19 anos, poderia hoje não ser uma referência do funk, e sim a esperança das categorias de base de algum clube paulista. Há quatro anos, antes de conhecer o sucesso, o garoto se arriscou na base do Manthiqueira, clube fundado em 2005 na cidade de Guaratinguetá. Pelas dificuldades e indefinições, desistiu.

Biel em jogo beneficente na Vila Belmiro (Foto: Bryan Santos/BS)

Biel durante jogo beneficente realizado na última quarta-feira, no estádio da Vila Belmiro (Foto: Bryan Santos/BS)

– Todo homem é meio frustrado por não ter sido jogador de futebol, isso é meio que da cultura masculina. Eu mais do que qualquer outro, porque provei do gostinho de jogar – relembra Biel, com uma ponta de ressentimento, em entrevista ao blog.

Um dos avôs de Biel, Eli, foi jogador de futebol amador no Esporte Clube Estrela, de Piquete. Como conciliava o esporte com um bom cargo numa empresa de explosivos da região, desistiu do sonho de se profissionalizar. Já o outro avô chegou a ser treinador do São José do Barreiro, outro clube amador da região. Com tanta influência do futebol na infância, o garoto nascido em Lorena tentou realizar o sonho e defendeu por um semestre o Manthiqueira.

– Joguei na categoria de base, no sub-17 do Manthiqueira, de Guaratinguetá, uma cidade vizinha de Lorena. Meu avô Eli era amigo do técnico, me indicou e joguei por um tempo. Acredito que tenha treinado três meses, ou um pouco mais, e tive que parar porque estava corrido demais. Meu pai não podia me levar, então tinha que pegar muito busão. Aí pensei assim: quer saber, deixa eu estudar. Eu não tinha cabeça para continuar, era moleque. Talvez hoje fosse diferente – relembra Biel, antes de explicar as razões de seu arrependimento por não ter dado sequência no sonho

– O calo apertou nos meus anos de Ensino Médio, porque comecei a ver que o sonho tinha que virar realidade. E naquela pressão de vestibular não consegui levar o futebol a sério. Desisti para estudar para entrar numa boa faculdade de Medicina, que era o sonho dos meus pais. Logo depois que eu decidi que futebol seria um hobby vi alguns meninos que treinaram comigo fechando com times grandes, sendo aprovados em peneiras. Então trouxe um arrependimento – explica.

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O arrependimento de Biel, porém, é relativo. Quatro anos depois de desistir do futebol para estudar para o vestibular e ser surpreendido pelo sucesso na música, a reflexão do garoto é que ter aberto mão de ser jogador foi importante em sua batalha para dar certo como cantor de funk.

– Não consigo imaginar como seria se eu tivesse insistido. Mas música é tão difícil quanto o futebol e eu estou meio que dando certo na música. Se tivesse dado a garra que dei na música chegaria em algum lugar no futebol também. Faltou mesmo força de vontade, porque amor não faltou. Me arrependo de não ter lutado mais. Mas esse fato me fez, a partir do momento em que comecei na música, mergulhar de cabeça. O arrependimento trouxe mais foco – diz Biel.

Biel descobriu a música em uma festa, uma reunião com amigos. Nunca tinha sonhado com nada relativo a isso, mas no meio da resenha saiu um versinho, que virou uma música. Com a letra debaixo do braço, foi ao estúdio de um produtor de funk e gravou “Tá Tendo”, que hoje até mandou tirar da internet pela precariedade da gravação. Daí nasceu o fenômeno que hoje agita rádios e festas pelo país. O futebol ficou no passado. E na torcida fanática pelo seu São Paulo.

– No Morumbi eu batia carteira toda quarta e domingo, era bom demans. Os shows eram tarde, aí eu via os jogos e ia cantar. Agora estou morando no Rio, está complicado ver, mas fico na torcida. Esse ano de 2015 foi complicado, mas aí que você vê o que é time grande: ano horrível de time grande é G4. E ano que vem vai ser melhor, começando pelo Lugano. Ele precisa vir logo. E depois o Milton Cruz virar o técnico de uma vez. E aí mais tarde o Rogério assumir a presidência.



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