‘Ei você!’ O porquê dos filhos do técnico Doriva terem trocado o futebol pelo sertanejo



“Faz tempo que eu tento te falar
Que eu já me perdi no seu olhar
Desculpa viciei no seu sorriso…”

O verso composto por Marcel Sinhorini Ghidoni tem potencial para embalar milhares de corações apaixonados, como hoje fazem os de Luan Santana, Jorge & Mateus, Henrique e Juliano e vários outros sucessos da música sertaneja. Apesar de ter só 17 anos, o garoto já sabe que mexer com os sentimentos dos outros é seu destino, missão, ideal ou coisa que o valha. Exatamente como fazia seu pai. Marcel é filho de Doriva, campeão de tudo pelo São Paulo, referência no futebol inglês, jogador da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1998 e hoje técnico do Bahia. Poucos embalaram tantos corações quanto Doriva.

palco

Mas Marcel também é irmão de Diego, com quem forma a dupla sertaneja Diego & Marcel, que lançou no último dia 21 sua primeira música autoral, chamada “Ei você”. Os garotos de 19 e 17 anos assinaram contrato há algumas semanas para serem produzidos pelo estúdio Midas, em São Paulo. Se na mitologia grega o Rei Midas transformava em ouro tudo o que tocava, na música essa missão é do produtor Rick Bonadio, o mesmo de Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr., Rouge, NX Zero e tantos outros.

Bonadio agora será responsável por produzir o primeiro EP da dupla Diego & Marcel, os dois filhos (não de Francisco) de Doriva. Em três meses, a dupla sertaneja teen deve estar com visual diferente, estilo definido e quatro músicas para lançar no mercado. Impossível dizer se vão realmente embalar os tais corações apaixonados, mas era esse o objetivo quando eles decidiram largar carreiras promissoras no futebol e lançar a dupla que até então só embalava as festas de família e reuniões de amigos.

Dupla ao lado do pai, o técnico Dorival, e Deuber, da dupla Deuber e Leandro

Dupla ao lado do pai, o técnico Dorival, e Deuber, da dupla Deuber e Leandro

– Sempre tive esse sonho de jogar futebol, inspirado no meu pai. Aos 10 anos entrei em uma escolinha em São José do Rio Preto e fui evoluindo. Depois passei em um teste no São Paulo e fiquei dois anos treinando em Cotia, aí vieram Ituano, Vasco… Mas aí as coisas de repente começaram a desenrolar na música, e eu precisei correr atrás também. O futebol parou de me deixar em paz, deixou de ser um sonho. Sempre tive uma afeição pela música, apaixonado mesmo, e depois de ver essa oportunidade de deixar a coisa mais profissional eu pensei e fui – explica Diego, que largou o futebol bem perto de se profissionalizar.

Diego-Sinhorini-Carlos-Gregorio-Jr

Diego Sinhorini jogou quatro anos na base do Ituano, tendo disputado o Campeonato Paulista sub-15 e sub-17, além de uma edição da Copa São Paulo de Juniores. Em 2015, por ocasião da contratação de seu pai para treinar o Vasco, ganhou a chance de fazer um teste na base do clube e foi aprovado. Apesar do contrato válido por duas temporadas, ele permaneceu no clube apenas sete meses e disputou oito partidas oficiais no sub-20. De volta ao Ituano em novembro do ano passado, Diego vinha se preparando para jogar mais uma Copinha em 2016, mas “de repente”, como ele mesmo diz, encontrou “tudo o que sempre quis”, como canta ao lado de Marcel na primeira música da dupla.

Por falar em Marcel, o futebol também foi uma possibilidade. Seu primeiro clube foi o São Paulo, justamente na época do irmão. Do Tricolor, partiu para o Ituano, onde atuou nas categorias sub-15 e sub-17, e depois para o Atlético de Sorocaba, onde teve vínculo até ano passado. Não era a dele.

– Eu me desiludi do futebol depois que nasceu essa paixão pela música, por compor, cantar. Decidimos seguir esse caminho e não foi uma coisa frustrante para a gente não ter ido para frente no futebol. Eu não desisti, eu parei e continuei em outra área em que me julgava melhor. A música que me envolvia, o futebol não era para mim. Fui bem decidido a mudar e agora entramos de cabeça para ver se funciona – explica Marcel.

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Na Inglaterra, onde morou durante as passagens do pai por Middlesbrough e Blackpool, Marcel fez aulas de violoncelo e violino, cantou na igreja e deu os primeiros passos na música sem nem perceber. Hoje é a primeira voz de uma dupla jovem que promete e espera pelo sucesso. Como no futebol, a consciência manda não se empolgar muito com as perspectivas e trabalhar duro pelas conquistas.

– Temos que ter muita tranquilidade. Nosso crescimento tem sido muito rápido, as coisas estão acontecendo muito rápido, a gente não imaginava. Mas é começo. As coisas precisam caminhar para, se um dia a dupla acontecer, ela não desaparecer. Queremos aparecer, subir, chegar no estágio que a gente sonha e se manter – reflete Marcel, enquanto o irmão completa.

– Futebol e música são profissões muito seletas, são poucas pessoas que atingem um nível top, que vale a pena. Exige talento e muito esforço, e a gente está correndo atrás – afirma Diego.

Ei você, não se surpreenda se eles chegarem lá. O DNA ajuda.



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