O que dizer sobre o atual momento do NBB? - Café Belgrado

O que dizer sobre o atual momento do NBB?



Na semana passada, nós do Café Belgrado recebemos um convite muito carinhoso da Liga Nacional de Basquete: convite para o lançamento do NBB 11, na sede do atual campeão, o Paulistano. Assim, na segunda feira, 1º de Outubro , estive ao lado de grandes personalidades do basquete brasileiro nesse evento que recebeu ampla cobertura na internet e nos novos canais parceiros do NBB.

Como alguém que viu o basquete nacional bem próximo do fundo do poço durante boa parte da vida, ainda vejo como uma espécie de sonho bom, momentos como esse. Ali estavam representantes não de uma, mas de SEIS canais de transmissão da principal competição de basquete no Brasil. Ali, diante dos meus olhos, rolava uma espécie de confirmação de que a Liga Nacional de Basquete é poderosa a ponto de sobreviver sem traumas a um fim de parceira com a Globo. Capaz de se posicionar de maneira forte no mercado e anunciar essa nova fase como um degrau a mais conquistado ao invés de um baque.

Grade semanal das transmissões do NBB

Com tanta coisa boa acontecendo (aumento do engajamento com o público, reconhecimento da marca NBB, força do basquete nas redes sociais, grandes clubes voltando ao cenário), devemos comemorar esta grande notícia, é evidente. E também tentar buscar entender as questões mais profundas que inviabilizam a plenitude de um projeto que é, evidentemente, incomparável com qualquer outra liga de qualquer esporte do país.

É verdade, o adeus do Caxias ainda dói. Não é condizente com a estatura de um projeto que cresce deste modo ver uma de suas principais histórias da última temporada basicamente ser varrida do mapa. Temos que contextualizar com as especificidades do mercado da região, com a crise do país. Ademais, temos que lembrar que isso acontece, de fato, em outras partes do mundo, ainda que em menor grau. Um desafio que a LNB precisará começar a tratar é criar condições para que isso não se repita. O cenário não transmite tanta confiança de que se tratou de um caso isolado.

O Basquete Cearense, representante do Nordeste há seis temporadas, passou por maus bocados, mas, ufa, vai sobreviver. O basquete do Vasco da Gama patina. A franquia do Universo já passeou por várias cidades. Cada caso é um caso, todos têm suas situações muito específicas. Há um caminho possível para que os clubes acompanhem o sucesso, ou, digamos, a impressionante segurança institucional da Liga?

Antes que você me pergunte, não tenho essa resposta. Essa é uma resposta que a Liga Nacional de Basquete precisa descobrir. A liga, que em tese, nasce da união dos clubes, ganhou autonomia e assim, se sustenta deste modo que tanto nos alegra. E quem é fã de basquete vai se alegrar. O desafio é expandir esse crescimento a partir da potencialidade de geração de receita dos clubes. Estar na TV aberta e em vários canais fechados, além de duas das três maiores redes sociais no país é um caminho. É o único? Tanto eu, quanto você e todos os dirigentes da LNB sabemos que não.

Com o dólar nas alturas, fica difícil competir por bons jogadores estrangeiros. A geração nacional não empolga, e os melhores nomes dela estão no exterior. Isso significa que tecnicamente, é seguro dizer que o NBB 11 não será o melhor campeonato da história da Liga Nacional. Ídolos, basquete bem jogado, estrutura, segurança institucional, são alguns dos elementos que garantem a sobrevivência e as expansões dos projetos. Acho que os principais clubes do país já perceberam que viver apenas do mecenato local não é sustentável.

No evento, João Fernando Rossi, presidente da Liga, ouviu juras de amor dos parceiros das transmissões (Facebook, ESPN, Twitter, BandSports, Fox Sports e Band) ao NBB. Foram palavras fortes e bonitas. A ESPN por exemplo (que levou uma grande equipe para o evento) representada por João Palomino prometeu tratar o NBB com grande destaque. A Fox Sports revelou que já há muito tempo paquerava com o NBB. O twitter ressaltou que o NBB antes mesmo de ser transmitido por lá, já “rolava” ali a bastante tempo através das hashtags e coberturas em tempo real.

 

São grandes empresas, capazes de trazer grandes investimentos e retorno pra Liga. Mas não foram os únicos presentes da “imprensa” no evento. Com muita sensibilidade, o NBB fez questão de levar para o lançamento muitos membros da “mídia alternativa”. O Café Belgrado estava lá, acima como Área Restritiva, Yuri Fonseca, Torcedores.com, Fernando Medeiros, e muitos outros canais que acompanham de perto o dia a dia do NBB. Se não são portais gigantescos, são seguidos com afinco por pessoas apaixonadas por basquete e a Liga não ignora isso. Estar perto dos fãs é algo fundamental.

A Liga aposta em multiplataformas nessa temporada

E aqui vale um comentário especial à mais uma grande questão que pode passar despercebido para quem não conhece os bastidores. A equipe de comunicação da LNB também passou por uma transformação forte essa temporada, com a saída de Guilherme Buso, que basicamente inventou o modo como o NBB lida com as mídias. Buso partiu para outro desafio pessoal e deixou uma equipe muito admirável: Marcel Pedroza, Caio Casagrande, Douglas Carrareto, Giovanna Terezinno e Camila Vasseur são mais do que gente capaz e disposta a lidar com os fãs de basquete, malucos apaixonados pela modalidade. Por isso, é necessário dizer que me parece particularmente emocionante saber que a divulgação do campeonato está em tão boas mãos.

Existe ainda um outro grande motivo pelo qual temos que comemorar que a Liga Nacional demonstre força nesse momento. A CBB veio com um comunicado estranhíssimo, avisando que pretende organizar um outro campeonato nacional – em tese, um que substitua a Liga Ouro. Acho que essa notícia foi trágica. A Liga Ouro vinha se desenvolvendo, vem de sua melhor temporada, com ginásios cheios e finais na TV, com várias praças envolvidas. Perdê-la pra CBB hoje já me parece uma tragédia. Se a CBB continuar interessada em organizar campeonatos adultos, os fãs de basquete só podem lamentar. Não há absolutamente nada de alvissareiro nisso.

Entendo que exista uma questão política importante, uma vez que a LNB, por ser independente, precisa de uma relação não-beligerante com a CBB para continuar dando vagas em competições FIBA, além de questões burocráticas mais básicas – inscrição de jogadores, etc. No entanto, é bom continuar mostrando força. O timing da notícia da CBB não poderia ter sido pior: veio justamente depois do anúncio de impressionante força da Liga de seu novo sistema de transmissões. A comunidade do basquete imediatamente escolheu seu lado. Esse é o tamanho do respeito que a LNB conquistou até hoje.  Algo digno de orgulho. Mas também de imensa responsabilidade.

Vale ainda prestar atenção nos próximos movimentos de Kouros com a “URSAL DO BASQUETE”, como vem sendo apelidada no twitter a tentativa de união das mais importantes ligas latino-americanas para realizar um campeonato aos moldes da Euroliga. Essa alternativa terá que ser muito bem costurada entre argentinos, brasileiros e mexicanos, mas tem um potencial alucinante. A sombra da FIBA Americas, estragando a modalidade no continente há anos, certamente será um obstáculo para tamanha modernização. De todo modo, a força demonstrada pela LNB mostra que temos motivos para ter esperança.

Nenhuma liga poderá resolver todos os problemas do basquete. Alguns deles são próprios das federações locais, outros da Confederação Brasileira, outros da própria economia das regiões, ou das culturas esportivas. Ainda assim, conseguir levar sua segurança institucional para os clubes deve ser a meta da LNB, dentro das possibilidades viáveis para um futuro próximo.

No Café Belgrado, nós entendemos ser um compromisso de quem gosta do basquete, apoiar o desenvolvimento do NBB. É nossa comunidade. A NBA não pode ser uma sombra, é outra coisa. A gente entende que na maior parte das vezes, o ouvinte quer ouvir falar de NBA, quer assunto NBA. No entanto, é possível construir um modo de falar de NBB também para esse público, aos poucos, criando um espaço onde isso também fortaleça as comunidades. Eu, particularmente, estarei na primeira fileira do Paulo Sarasate empurrando o Basquete Cearense, que acredito começará construir sua Dinastia esse ano, com o fabuloso duo Brite-Cobb.

Estou ansioso já para o início da temporada.



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