Eliminatórias FIBA: temos poder de fogo para derrotar o Canadá? - Café Belgrado

Eliminatórias FIBA: temos poder de fogo para derrotar o Canadá?



O Canadá divulgou, no início da semana, o elenco que medirá forças contra o Brasil na abertura da Segunda Fase das Eliminatórias FIBA. São 18 jogadores, dos quais apenas 12 poderão compor o grupo que receberá o Brasil em Laval, no Quebec, no próximo dia 13. Na sequência, o time viajará ao Chile para a segunda partida da janela. São eles (utilizando o padrão da NBA para divulgação da lista):

Joel Anthony Centre 6’9″ Montreal, QC San Lorenzo Basket (Argentina)
Trae Bell-Haynes Guard 6’2″ Toronto, ON Fraport Skyliners (Germany)
Aaron Best Guard 6’4″ Scarborough, ON Raptors 905
Khem Birch Centre 6’9″ Montreal, QC Orlando Magic
Dillon Brooks Forward 6’7″ Mississauga, ON Memphis Grizzlies
Many Diressa Guard 6’4″ Toronto, ON KK FMP (Serbia)
Melvin Ejim Forward 6’6″ Toronto, ON BC UNICS (Russia)
Joel Friesen Guard 6’4″ Abbotsford, BC London Lightning (NBL Canada)
Brady Heslip Guard 6’2″ Burlington, ON Fraport Skyliners (Germany)
Justin Jackson Forward 6’7″ Scarborough, ON Orlando Magic
Cory Joseph Guard 6’3″ Toronto, ON Indiana Pacers
Kaza Kajami-Keane Guard 6’2″ Ajax, ON Landstede Zwolle (Netherlands)
Kyle Landry Centre 6’10” Calgary, AB Buducnost (Montenegro)
Duane Notice Guard 6’2″ Woodbridge, ON BM Slam Stal (Poland)
Kelly Olynyk Centre 7’0″ Kamloops, BC Miami Heat
Kevin Pangos Guard 6’2″ Newmarket, ON FC Barcelona Lassa (Spain)
Dyshawn Pierre Forward 6’6″ Whitby, ON Banco di Srd (Italy)
Tristan Thompson Forward 6’9″ Brampton, ON Cleveland Cavaliers

Antes de mais nada, é necessário que se diga: trata-se de um elenco aquém das capacidades reais da geração canadense. Os dois melhores jogadores do Canadá da atualidade, por exemplo, estão fora: Jamaal Murray, do Denver Nuggets e Andrew Wiggins, do Minnesota Timberwolves. Outras ausências notáveis são de Trey Lyles, do Denver Nuggets, Shai-GIldeous Alexander (segurei a piada) do Los Angeles Clippers e Dwight Powell, do Dallas Mavericks. Podemos até exagerar um pouquinho e lembrar da ausência de R.J. Barrett, prospect de Duke hoje cotado para primeira escolha do próximo Draft – cujo pai é o ex-jogador e atual diretor da seleção canadense Rowan Barrett.

E quem veio?

Dito isso, é impossível não ficar minimamente preocupado: trata-se de um elenco e tanto reunido pelo time norte-americano. Não sabemos ainda quem serão os doze que formarão o time que medirá forças contra o time brasileiro, mas o núcleo duro deve contar com Kevin Pangos e Cory Joseph na armação, Melvin Ejim, Dyshawn Pierre, Brady Heslip e Dilon Brooks nas alas, e Kelly Olynyk, Tristan Thompson e Khem Birch para o garrafão. Os outros três, imagino, cumprirão funções menos relevantes.

Sabe o que isso significa? Que na maior parte do tempo, o Canadá conseguirá manter em quadra um elenco poderoso. Um armador que acabou de liderar sua equipe, como zebra, ao Final Four da Euroliga e como prêmio pela temporada fantástica, foi contratado pelo Barcelona (Pangos ). Um outro armador que jogou 27 minutos por jogo em um time de playoffs da NBA, sendo decisivo e terminando os jogos em diversas partidas (Cory Joseph).

 

Nas alas, um monstro físico que teve médias de 10 pontos por embate na Eurocup (Ejim), um coadjuvante da LegaBasket que jogou minutos importantes o ano todo (Pierre), um chutador de três pontos que tem médias de 50% de aproveitamento chutando 7 bolas por rodada nas Eliminatórias (Heslip) e um jovem que estreou na NBA na última temporada ficando 28 minutos de média em quadra, acumulando 11 pontos por duelo(Brooks).

Tá pouco? Temos no garrafão um pivô que fez boa campanha o ano retrasado em uma potência da Europa e voltou para a NBA onde tem papel relativamente modesto,  o ala-pivô de um time de playoff da NBA que acumula médias de 11 pontos, 5 rebotes e 2.7 assistências em 23 minutos por encontro (Olynyk), um pivô que acumulou 7 pontos e 6 rebotes jogando 25 minutos de média NAS FINAIS DA NBA (Tristan).

OK, acho que expliquei o tamanho do problema

Se o afável leitor não acredita nas referências e nos números, sugiro uma olhadinha nos vídeos para começar a entender o que estou tentando dizer. Se não ficou claro, explico: ganhar do Canadá não é obrigação e se olharmos com cuidado, seria mais perto daquilo que chamamos de façanha.

Hoje, o Canadá ainda é uma equipe sem grande respeito internacional. Isso, curiosamente, se deve ao fato de que mesmo com tantas opções de alto nível técnico, o time ainda não conseguiu nenhum grande feito. Seus técnicos, nos últimos anos, se mostraram péssimos comandantes. O atual, Roy Rana, também não é grande coisa. Se quer uma esperança, fica aí uma sugestão para se abraçar em algo.

O problema é que esse modelo das Eliminatórias dificulta demais a formação de sistemas de jogo mais complexos. Estamos acostumados com as janelas de futebol. Os jogadores chegam, treinam, jogam e vão embora. O Canadá demorou para apresentar a lista porque ainda nem tinha definido quem poderia se apresentar. Não terão mais de uma semana para organizarem um elenco que ainda não jogou junto.

Mesmo nessas Eliminatórias, o Canadá já deu mostras de ser um time capaz de fracassar. A derrota que eles trazem para esta fase foi contra o nada inspirado time dominicano. Essa janela, no entanto, permitiu a convocação de atletas que disputam NBA e as competições ligadas à Euroliga. Isso certamente muda o time de patamar.

O maior problema somos nós

A grande questão, porém, é que o Brasil não inspira nenhuma confiança. Se chegamos a essa fase empatados com os canadenses, nossos triunfos são pouco empolgantes: Chile, Colômbia e uma vez a Venezuela. Nossa geração não está minimamente próxima à canadense, e nossos jogadores vinculados à NBA mais uma vez não atenderam à convocação. Virou costume, perdeu-se a oportunidade de se tornar tradição defender a seleção. Isso é uma conversa mais complexa e fica pra outro momento.

Petrovic também não se ajuda. Imagino que até mesmo ele se arrependeu de ter criado essa celeuma com Marquinhos, que é, notadamente, o melhor jogador do país nesta década. Agora já foi. Com pouco tempo para montar o trabalho e com dificuldade de reunir um bom grupo, acho até injusto dizer que seu trabalho técnico não tem sido bem desenvolvido. As condições são novas, e é ruim pra todo mundo, não só para a seleção brasileira. Ademais, verdade seja dita, o Brasil está jogando um basquete perto de precário nestas Eliminatórias.

Se olharmos com a mesma lupa que julgamos o time canadense o elenco brasileiro, infelizmente, o resultado não vai dos mais animadores.

Nossa Lista

• Armadores: Marcelinho Huertas (Kirolbet Baskonia/Espanha), Yago Matheus (Paulistano/Corpore) e Ricardo Fischer (SC Corinthians Paulista)

• Alas: Leonardo Meindl (Paulistano/Corpore), Leandro Barbosa, Vitor Benite (KK Cedevita/Croácia), Marcos “Didi” Louzada (Sesi Franca Basquete) e Jhonatan Luz (CR Flamengo)

• Pivôs: Lucas Dias (Sesi Franca Basquete), Rafael Hettsheimeir (Sesi Franca Basquete), Anderson Varejão (CR Flamengo), Augusto Lima (KK Cedevita/Croácia) e Rafael Mineiro (CR Flamengo)

De largada, um fato é gritante: temos apenas três jogadores atuando no basquete internacional. Huertas, no tradicional Baskonia, vem de uma temporada de altos e baixos (nos playoffs da Liga Espanhola, jogou demais, no resto do ano, alternou como todo seu time). Com 35 anos, é disparado nosso melhor jogador no aspecto curricular. Os outros dois, Benite e Augusto, acabaram de se juntar ao técnico Sito Alonso no basquete da Antiga Iugoslávia: o Cedevita é um projeto respeitável, mais ou menos intermediário entre o terceiro e o segundo nível europeu. Nossos três internacionais estão em bons lugares. Nenhum é destaque de elite, mas não são eles o problema. O problema é só termos estes três.

O restante todo joga no Brasil. O NBB é uma liga que se alterna entre alguns jogos muito bons técnica e taticamente e inúmeros jogos cujo nível beira a precariedade. Evidentemente que a convocação alcançou alguns dos melhores jogadores da nossa liga nacional.  Yago, Lucas Dias e Jhonatan acabaram de ser campeões nacionais, jogando em um basquete moderno dentro de um ótimo sistema de jogo, atento com o que acontece de melhor na modalidade.

Gosto particularmente da convocação de Didi, o Kawhi Capixaba. O menino mostrou um ótimo desenvolvimento no Sul-Americano sub21 e já mostrou no Paulista estar melhorando jogo a jogo. Léo Meindl vem de um ano de pouca evolução, Rafael Mineiro é o que sempre foi e Ricardo Fischer ainda tenta encontrar o melhor ritmo agora no Corinthians, depois de um ano difícil na Europa.

Hettsheimeir se recuperou de lesão grave e já está em combate no Paulista. Tem mostrado ser capaz de desempenhar bem seu papel, que é ser uma constante ameaça da linha do perímetro. Rafa não é mais aquele pivô que vimos em Mar del Plata, esqueçam. Isso não significa que ele ainda não possa ser útil.

Varejão e Leandrinho estão na seleção pelo que podem fazer em quadra ou pelo que já fizeram nos últimos 10, 12 anos?

O primeiro voltou muito bem nas Eliminatórias e foi ali que garantiu um ótimo contrato com o Flamengo. No entanto, desde então, seu basquete só tem piorado. No NBB não conseguiu ser decisivo – todo mundo esqueceu que Mogi dominou plenamente o Flamengo? Na última janela FIBA, foi terrível. Nunca vi uma partida sua tão ruim. Sou fã absoluto de Varejão. Seu estilo de jogo foi, por anos, inspiração para qualquer fã de basquete que entende que o coração pode vencer partidas. Não dá pra cobrar que ele faça o mesmo aos 36 anos, depois de tantas lesões e até problema de saúde. Não sei se hoje ele é um jogador melhor que JP Batista, por exemplo. Não sei se hoje ele é um jogador melhor que o que ele foi contra a Venezuela há alguns meses. Se for aquele, vai mais atrapalhar do que ajudar.

Leandrinho não tem time, não tem jogado. A última imagem que temos sua é como um jogador coadjuvante em Franca, com um tipo de basquete bem precário. Essa convocação pode lhe ajudar a garantir um último contrato, um penúltimo, não sei? Pode. Leandrinho pode ser um infiltrador monumental sem a capacidade física de outrora, mas ainda capaz de armar seu pequeno caos em momentos específicos? Pode. Pode ajudar com seu chute, afinal, essas coisas não se esquece? Pode.

Vocês acreditam que isso vai acontecer?

A dura nova realidade da seleção brasileira

Consigamos ou não uma façanha inacreditável de vencer o Canadá no Canadá, a realidade já bateu na porta.

O exercício de medir o poder de fogo dos dois elencos nos leva a um estágio cruel de choque de realidade. Talvez vençamos um jogo, dois, de times bons. Nas condições ideais de temperatura e pressão, a lógica é perder. Se perdermos, não poderemos sequer esboçar escândalo, criticar o mundo. É a lógica.

Para chegarmos ao Mundial, precisamos ficar em terceiro neste grupo:

 

GAMES STREAK GAME POINTS POINTS
# Time P V D % Ultimos 5 Para Agt +/- FA AA
1 VEN Venezuela 6 5 1 83.3
437 368 69 72.8 61.3 11
2 BRA Brasil 6 5 1 83.3
479 383 96 79.8 63.8 11
3 CAN Canadá 6 5 1 83.3
596 443 153 99.3 73.8 11
4 DOM República Dominicana 6 4 2 66.7
539 493 46 89.8 82.2 10
5 ISV Ilhas Virgens 6 2 4 33.3
509 588 -79 84.8 98 8
6 CHI Chile 6 1 5 16.7
379 456 -77 63.2 76 7

Não é o fim do mundo. O outro lado está bem pior. Há ainda a chance de ser o melhor 4º – melhor não contar com essa.

Como já enfrentamos Venezuela e Chile, desta vez nossos duelos serão contra Canadá, República Dominicana e Ilhas Virgens. E eles enfrentam a nós e os nossos rivais da fase passada. Desse modo, Rep. Dominicana e Canadá já tem, no mínimo, mais duas vitórias porque Chile é café-com-leite.

Do nosso lado, a moleza seria as Ilhas Virgens, mas é bom ter parcimônia. Esse time venceu duas vezes Bahamas, que não é um time tão fraco, e ainda vendeu caro para a Rep. Dom. um dos jogos.

Isso posto, a disputa ficará entre nós, Canadá, Venezuela e Rep. Dominicana. São três vagas para quatro equipes. Os dominicanos saem atrás por um tropeço absurdo na última rodada, ufa.  Cada jogo entre essas equipes será confronto direto. Qualquer tropeço fora desses quatro times, um erro fatal.

A tendência é que o Canadá assuma seu protagonismo e dispare, deixando para nós a rivalidade de dominicanos e venezuelanos. São times bem medianos, o nosso também.

Depois de tentar uma façanha no Canadá na próxima quinta-feira (13), o Brasil volta e no domingo, às 21h, em Goiânia, recebe as Ilhas Virgens. Nossa realidade avisa: é obrigação sair desta semana com 1-1. 2-0 seria um sonho bom que praticamente garantiria nossa vaga na China em 2019. 0-2 um pesadelo inacreditável.

É duro lidar com a nova realidade.



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